CCSP celebra Antonio Peticov, pioneiro da arte brasileira no exterior

Com cerca de 400 obras, megaexposição gratuita faz retrospectiva histórica da trajetória do consagrado artista plástico paulista

André Nicolau, da CNN Brasil
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O CCSP (Centro Cultural São Paulo) recebe, a partir do dia 3 de junho de 2026, a mostra gratuita “PETICOV – A Exposição”.

Dedicada a Antonio Peticov, pioneiro na projeção das artes plásticas brasileiras no exterior, a retrospectiva reúne cerca de 400 obras — entre pinturas, gravuras, esculturas, instalações e capas de discos — sob a curadoria de Fábio Magalhães Gouvêa.    

Retrospectiva homenageia mestre das ilusões óticas

A exposição oferece um panorama abrangente da produção do artista, cuja obra reúne elementos de criação visual, matemática, ciência, geometria sagrada e filosofia.

Para além do pioneirismo no mundo das artes plásticas, Antonio Peticov foi uma figura central nos bastidores e na identidade visual da Tropicália.

Durante o auge do movimento na década de 1960, ele viveu intensamente o cenário cultural paulistano e colaborou diretamente com nomes da cena como Rita Lee, Arnaldo Baptista, Gilberto Gil e Caetano Veloso, ajudando a moldar a estética psicodélica e de vanguarda da época.

Sua convivência e produções gráficas, incluindo capas de discos, transformaram sua arte em um símbolo visual da resistência cultural e da inovação que definiram aquela geração.

Destaques e obras inéditas  

Entre as atrações principais está um parque de esculturas em neon que inclui “Iminência da Seção Áurea”, inspirada na curva de Fibonacci.

A mostra também traz a inédita instalação “Pau de Arara”, que resgata a repressão sofrida pelo criador e pela cultura nacional durante a ditadura militar, período em que Peticov transitou pelo cenário da Tropicália ao lado de nomes como Gilberto Gil e Caetano Veloso. 

De acordo com o curador Fábio Magalhães Gouvêa, o artista sempre se preocupou em estudar os meios de representação espacial e o modo de ver o mundo natural. “Peticov se preocupou em estudar os diversos meios de representação dos objetos no espaço, o modo de ver os objetos no mundo natural (...) é um artista que migrou da cor para a geometria sagrada, explorando ilusões de ótica e ambiguidades visuais que não ficam apenas no olhar, mas fazem o público pensar.” 

Programação paralela 

O percurso expositivo conta ainda com a série “O Tarô” (78 cartas em parceria com Marta Putz) e os 22 desenhos de “Mitos do Folclore Brasileiro”. Esta última série integra o livro Brasil Encantado – Mitos e Mistérios do Nosso Folclore, escrito por Eduardo Bueno, cujo lançamento ocorrerá no dia da abertura ao público (3 de junho). 

Ao longo dos dois meses de cartaz, o CCSP sediará shows, performances e debates. As atividades teóricas acontecerão no Lounge Artefacto Beach & Country, espaço assinado pelos designers Nelson Amorim e Roberto Cimino com mobiliário inspirado no jazz.