À CNN, Iza reflete sobre corpo, maternidade e bastidores de coleção de moda

Em parceria com a SHEIN, a linha traduz o guarda-roupa da artista em opções acessíveis que vão desde o streetwear ao glamour para eventos especiais

Caroline Ferreira, da CNN Brasil

A trajetória de Iza, 36, sempre esteve entrelaçada à imagem que projeta. No entanto, o tempo, a maturidade artística e, mais recentemente, a chegada de sua primeira filha, Nala, 2, transformaram sua relação com o espelho e o armário.

Se no início da carreira a busca por validação externa guiava suas escolhas de moda, hoje a cantora encara o vestir não enquanto um campo de expectativas alheias, mas como a extensão da própria autonomia.

A evolução reflete a transformação da artista, que experimentava estéticas na tentativa de se compreender, para uma mulher que transita com naturalidade entre os diferentes papéis: do palco às obrigações do cotidiano e à maternidade.

"No começo eu experimentava muito, usava a roupa para tentar entender quem eu era. Eu costumava me importar demais com a opinião das pessoas e me vestia pensando no que iam achar. Hoje, continuo amando estar sempre impecável, mas porque eu quero, não porque alguém espera. Não me prendo à regra nem ao rótulo. A moda serve a mim, ao que eu sinto e ao que eu quero provocar ao mundo. E isso pode mudar de um dia para o outro. Ainda bem", diz com exclusividade à CNN Brasil.

A fusão entre Isabela e Iza

Com o passar dos anos, a fronteira entre a pessoa pública e a vida pessoal também se tornou fluida. O guarda-roupa de palco e do cotidiano deixaram de ser universos distantes, abrindo espaço para um estilo mais funcional, que prioriza o conforto sem abrir mão da imponência visual.

"Hoje é quase um só", confessa a artista. "Eu subo no palco de camisão e jeans largo, e coloco vestido de festa para jantar com amigos em casa. Eu amo brilho e amo o conforto, e não sinto mais que preciso escolher entre um e outro. Meu estilo é a cantora, a mãe, a Isabela, e tudo o que eu ainda escolher ser", reflete.

Essa visão plural também motivou a artista a assinar a curadoria de uma seleção de 120 peças para a marca chinesa SHEIN. A ação está alinhada à temporada de promoções da varejista global para o 11.11 e a Black Friday.

Elaborado ao lado de sua stylist de longa data, Bianca Jahara, o projeto traduz a diversidade de momentos vividos pela cantora em composições que vão do streetwear ao apelo noturno. "Quando me trouxeram a ideia de celebrar as várias versões da mulher brasileira, eu me reconheci na hora. No mesmo dia eu posso ter ensaio, show e a Nala querendo brincar, e a roupa precisa acompanhar tudo isso", entrega.

"Por isso, a coleção vai do solar e boho urbano até peças de noite, com brilho. A ideia é que cada mulher encontre ali a roupa do dia dela, seja ele qual for. Eu cresci no subúrbio e sei o que é fazer conta antes de comprar roupa nova", adiciona.

Sobre o trabalho com Jahara, Iza garante que vai além dos bastidores. "A Bianca está comigo desde o começo da carreira. É madrinha da minha filha, e eu sou da dela. Conhece todas as minhas fases, inclusive as que ninguém vê. Entre a gente, a criação flui; às vezes nem precisa terminar a frase. O que a gente fez questão de manter foi atitude: recorte marcante, tecido confortável e peças que conversam entre si, para ir do streetwear ao glamour sem esforço", conta.

Memória e identificação

Ao selecionar o acervo de itens, Iza buscou equilibrar o gosto pessoal com a viabilidade do público, ao mesmo tempo, relembra que a relação com o consumo nem sempre foi marcada pelo acesso irrestrito às tendências de moda.

"O critério era simples: eu usaria? E a mulher que me acompanha usaria, na vida real dela? A surpresa veio no fim. Olhando a coleção pronta, eu lembrei da Isabela de vinte e poucos anos, pegando metrô e montando na cabeça os looks que via nas revistas e não podia comprar. Ela ia gostar muito de ver isso", celebra orgulhosa.

Maternidade e autoestima

Iza também conta à CNN Brasil que a transformação mais profunda na forma como enxerga o próprio corpo veio com a gestação e o nascimento de Nala, em outubro de 2024. A maternidade redefiniu seu olhar sobre beleza, deslocando o foco da cobrança estética para o reconhecimento da própria trajetória.

"A maternidade mexeu em tudo, inclusive no jeito como eu me olho. Eu penso muito nisso: esse corpo carregou a minha voz por tantos palcos, e depois fez cada unha e a boquinha perfeita da Nala. E agora aguenta ela no colo o dia inteiro. Como não ser grata? O espelho deixou de ser lugar de cobrança", compartilha.

"A Nala vai aprender a se olhar vendo como eu me olho, muito mais do que ouvindo o que eu falo. Então essa generosidade comigo precisa ser de verdade, não só no discurso. Hoje eu sei que a minha beleza está na confiança de assumir todas as mulheres que eu sou, e as que ainda vou ser. Foi com esse olhar que eu escolhi cada peça dessa coleção", finaliza.