Queda de cabelo: confira hábitos diários que pressionam o couro cabeludo

Especialistas explicam como o dia a dia acelera inflamações e desencadeia quedas persistentes

Da CNN Brasil*
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A relação entre estresse e queda capilar já era conhecida nos consultórios, mas pesquisas recentes começaram a explicar, em nível biológico, como isso acontece. Um estudo publicado na revista Cell, conduzido por pesquisadores da Universidade de Harvard, mostrou que o estresse ativa mecanismos inflamatórios e imunológicos capazes de afetar diretamente os folículos capilares.

Segundo os pesquisadores, o processo começa quando o organismo entra em estado de alerta e libera neurotransmissores ligados à resposta de "luta ou fuga", como a norepinefrina.

Em excesso, essas substâncias prejudicam células importantes do folículo capilar e aceleram a entrada dos fios na fase de queda. Em alguns casos, o corpo ainda interpreta o tecido inflamado como uma ameaça, desencadeando respostas autoimunes que prolongam o problema.

O dermatologista especializado em cabelo e couro cabeludo, João Gabriel Fernandes, explica alguns dos efeitos da exaustão emocional. "Hoje sabemos que o estresse não impacta apenas emocionalmente. Ele altera hormônios, piora inflamações, afeta o sono, a absorção de nutrientes e interfere diretamente no ciclo de crescimento dos fios. O cabelo é um dos primeiros tecidos a responder quando o organismo entra em colapso fisiológico".

Na prática clínica, o quadro costuma aparecer alguns meses depois de um gatilho emocional. É comum que pacientes associem a queda a produtos ou mudanças externas, quando, na verdade, o corpo ainda está respondendo biologicamente a períodos intensos de ansiedade, burnout, luto, pressão profissional ou privação de sono.

"O folículo capilar é extremamente sensível ao cortisol e aos processos inflamatórios. Muitas vezes, o fio cai quando o paciente acredita que o pior já passou", afirma Fernandes.

Especialistas alertam ainda que nenhum tratamento capilar é sustentável sem controle dos fatores internos. Alimentação adequada, reposição de nutrientes, qualidade do sono, redução do estresse e equilíbrio hormonal são parte central da recuperação capilar.

"Não adianta tratar apenas o fio. A queda capilar associada ao estresse exige uma abordagem sistêmica. Quando o organismo sai do modo de sobrevivência, o cabelo volta a ter condições de crescer de forma saudável", conclui o dermatologista João Gabriel Fernandes.

* Publicado por Gabriela Carvalho, em colaboração para a CNN Brasil