SpaceX anuncia acordo para enviar turistas à Estação Espacial Internacional


Jackie Wattles Da CNN Business
06 de março de 2020 às 16:19
Aeronave Crew Dragon, da SpaceX

Startup Axiom Space usará nave Crew Dragon, da SpaceX, para enviar turista à Estação Espacial Internacional

Photo: SpaceX/Divulgação

Os astronautas na Estação Espacial Internacional (ISS, em inglês) poderão receber visitas no ano que vem. Isso porque a SpaceX assinou um acordo com a statup Axiom Space, que pretende enviar turistas, pesquisadores, astronautas de outros países e outros indíviduos que não façam parte da Nasa à estação.

Os voos poderão acomodar até três passageiros na nave Crew Dragon – uma capsula totalmente autônoma da SpaceX. A primeira missão da Axion pode ser lançada na segunda metade de 2021, de acordo com a nota divulgada em conjunto pelas duas empresas.

A Crew Dragon se conectará à estação espacial e permitirá que os passageiros passem ao menos oito dias no espaço antes de retornarem à Terra.

“Essa será apenas a primeira das muitas missões à estação cuja tripulação e o gerenciamento serão totalmente determinados pela Axiom Space – pioneira para uma entidade comercial”, afirmou o CEO da empresa, Michael Suffredini, que foi gerente do programa da Nasa para a Estação Espacial Internacional entre 2005 e 2015. “Assinar esse contrato de transporte marca um progresso significativo em direção a essa meta.”

A Axiom não quis informar o preço que os astronautas privados pagarão pela viagem, mas missões turísticas à estação no passado custaram aos passageiros dezenas de milhões de dólares.

O acordo com a Axiom marca o segundo anúncio relacionado com turismo espacial feito pela SpaceX em menos de um mês. A companhia comandada pelo bilionário Elon Musk informou em fevereiro que trabalhará com uma empresa chamada Space Adventures para organizar viagens à órbita da Terra.

A Space Adventures organizou anteriormente oito viagens à Estação Espacial Internacional para viajantes ultra ricos entre 2001 e 2009, mas essas missões dependiam da sonda russa Soyuz. A missão de turismo da Axiom pode marcar a primeira vez na história que uma espaçonave americana é usada para levar turistas à ISS.

Antes que isso possa acontecer, no entanto, o Crew Dragon da SpaceX precisa ser certificado para voos espaciais com humanos e provar que pode servir ao seu principal objetivo: manter a estação totalmente equipada com astronautas profissionalmente treinados.

Terceirização do programa espacial

A Nasa pediu que empresas privadas desenvolvessem aeronaves com capacidade de substituir seu programa de ônibus espaciais, encerrado em 2011. A SpaceX foi escolhida para receber um contrato avaliado em US$ 2,6 bilhões. A Boeing fechou um acordo semelhante no valor de US$ 4,2 bilhões para desenvolver sua espaçonave Starliner.

Ambos os programas estão atrasados. E, desde 2011, a Nasa depende das Soyuz, de fabricação russa, para levar astronautas americanos à estação espacial. Mas depois de completar seu último grande marco de testes em janeiro, a Crew Dragon agora parece estar a caminho de realizar sua primeira missão tripulada no próximo trimestre.

A Nasa informou que, embora tenha pago pelo desenvolvimento das espaçonaves, Boeing e SpaceX ainda serão donas, operarão seus veículos e terão permissão para usá-las para outros tipos de missões, incluindo o turismo espacial.

A ISS, que é essencialmente um laboratório gigante em órbita, recebeu uma equipe rotativa de astronautas dos EUA e de dezenas de outros países nas últimas duas décadas. A Nasa fala há bastante tempo sobre incentivar mais atividades comerciais na estação espacial, que orbita a cerca de 320 quilômetros acima do solo.

No ano passado, a agência espacial americana afirmou que permitiria até duas viagens por ano à estação com astronautas que não fossem de governos.

Um porta-voz da Nasa afirmou que o plano de turismo da Axiom está em linha com sua “ampla estratégia para facilitar a comercialização” do espaço. Porém, a prioridade da agência é preparar a Crew Dragon para voar com seus próprios astronautas, disse o porta-voz da Nasa por e-mail.

É importante lembrar que planos para levar ricos em busca de emoções ao espaço são frequentemente alterados ou abandonados.

No ano passado, por exemplo, uma empresa chamada Bigelow Aerospace disse que organizaria viagens à ISS usando a Crew Dragon. A empresa pretendia vender cada passagem por US$ 52 milhões, mas acabou desistindo do negócio.

Antes, em 2017, a SpaceX falou sobre enviar turistas em voos ao redor da lua usando sua capsula espacial. A empresa desistiu desse plano para focar no projeto de uma sonda gigantesca e de um sistema de foguetes chamado Starship, que atualmente está nos estágios iniciais de desenvolvimento.

A indústria espacial em breve poderá se encaminhar para uma revolução de turismo se a SpaceX e outras empresas cumprirem seus planos.

Duas empresas norte-americanas – Virgin Galactic e Blue Origin, empresa espacial de Jeff Bezos – estão desenvolvendo veículos separadamente para o turismo espacial suborbital. Eles oferecerão em breves voos a cerca de 100 quilômetros sobre a superfície da Terra para vistas panorâmicas e alguns minutos de ausência de gravidade.