Cientistas acham possível cratera de meteorito gigante que caiu há 800 mil anos


Michelle Lim CNN
08 de março de 2020 às 13:32
Planalto de Bolaven, no Laos

Planalto de Bolaven, no Laos, região onde foi localizada a cratera do meteorito (9.jan.2020)

Foto: Ben Davies/LightRocket/Getty Images

Um dos meteoritos mais conhecidos a atingir a Terra colidiu há quase 800 mil anos, mas o local exato em que ele se chocou com nosso planeta ainda era um mistério — até agora. 

A cratera pode estar coberta de lava em uma área de 910 km³ no planalto vulcânico de Bolaven, no Laos, país do Sudeste Asiático, de acordo com um artigo publicado nos anais da revista da Academia Nacional de Ciências dos EUA. 

Um meteorito é um objeto do espaço que sobrevive a uma viagem através da atmosfera e cai na superfície da Terra. O meteorito que colidiu com o planeta há mais de 790 mil anos media dois quilômetros de diâmetro, e o impacto foi tão grande que detritos foram arremessados pela Ásia, Austrália e Antártida. 

As primeiras pistas sobre o local do impacto vieram de pequenos objetos vítreos parecidos com seixos, chamados de tectitos. Cientistas acreditam que tectitos são formados de material terrestre que derrete com o impacto de meteoritos e são arremessados em nossa atmosfera, antes de caírem de volta no solo. 

"Sua existência significa que o meteorito que colidiu com a Terra era tão grande, e sua velocidade tão alta, que foi capaz de derreter as rochas que atingiu", contou à CNN o professor Kerry Sieh, principal pesquisador do Observatório Terrestre de Singapura e um dos autores do artigo. 

Tectitos que têm entre 750 mil e 35,5 milhões de anos de idade foram encontrados por todo o planeta em áreas chamadas de campos espalhados. Tais campos são encontrados em todos os continentes, com exceção da Antártida, de acordo com o Museu de História da Terra da Jackson School, da Universidade do Texas, em Austin (EUA).  

Cientistas conseguiram determinar em grande parte a cratera fonte dos tectitos, com exceção de uma — o campo australasiano, que se estende desde o sul da China até o sul da Austrália. É o maior campo de tectitos conhecido, cobrindo cerca de 10% da superfície terrestre. 

"Tem havido muitas, muitas tentativas de encontrar o local do impacto e muitas sugestões, variando do norte do Camboja ao centro do Laos e até o sul da China, e do leste da Tailândia ao alto-mar do Vietnã", disse Sieh. 

"Mas nosso estudo é o primeiro a reunir tantas linhas de evidências, variando da natureza química dos tectitos a suas características físicas, de medições de gravidade a medições da idade da lava que poderia soterrar a cratera." 

Com base nos cálculos dos cientistas, a cratera de impacto escondida que produziu o vasto campo australasiano de tectitos espalhados tem cerca de 13 quilômetros de largura e 17 quilômetros de extensão. 

Mas ainda é preciso fazer mais para confirmar a teoria. 

Depois, os cientistas terão de "perfurar algumas centenas de metros para ver se as rochas debaixo da lava são de fato as rochas que você esperaria ver em um local de impacto — isto é, muitas evidências de derretimento e estilhaços", disse Sieh.