Por que os dinossauros foram extintos? Novo estudo movimenta debate


Katie Hunt CNN
08 de março de 2020 às 13:59
Basaltos de Decão, na Índia

Basaltos de Decão, na Índia, região usada na pesquisa sobre os dinossauros

Foto: Courtney Sprain

Desde que uma cratera gigantesca foi descoberta na Península de Yucatán, no México, no começo dos anos 1990, cientistas têm afirmado que o choque de um asteroide com a Terra, há 66 milhões de anos, foi a causa da extinção dos dinossauros e de quase toda forma de vida no planeta. 

Mas o que provocou a destruição nunca foi consenso, e alguns estudiosos têm questionado a teoria, amplamente aceita, da "morte súbita por asteroide". Esse grupo acredita que erupções vulcânicas massivas, que podem ter liberado gases capazes de mudar o clima numa região do tamanho da Espanha — conhecida como Basaltos de Decão —, tiveram um papel significativo na devastação da vida na Terra. 

Pesquisadores da Universidade de Yale rebatem e afirmam que qualquer impacto ambiental dos fluxos de lava ocorridos nos Basaltos de Decão (localizados onde hoje fica a Índia) foi registrado muito antes do evento da extinção que eliminou os dinossauros. 

"Muita gente especula que os vulcões tiveram importância no K-Pg (nome que os cientistas deram ao evento), e nós dizemos, 'não, não tiveram'", diz Pincelli Hull, professora assistente de geologia e geofísica de Yale e autora principal do estudo, publicado na revista Science. 

"O que nosso estudo faz é tomar 40 anos de pesquisa e acrescentar um monte de novas teses. Reunimos isso nos testes mais quantitativos que se pode fazer e, realmente, não parece que as erupções foram a causa do K-Pg”. 

O estudo conduzido em Yale investigou o momento dessa liberação de gases, fazendo um modelo dos efeitos das emissões de dióxido de carbono e enxofre nas temperaturas globais e comparando-os com registros de paleotemperatura, abrangendo a extinção. 

Descobriram que pelo menos 50% ou mais da grande liberação de gases nos Basaltos de Deccão ocorreu muito antes do choque do asteroide e que apenas o impacto coincidiu com o evento da extinção em massa. 

Os vulcões realmente "causaram um evento de aquecimento", mas seu efeito já tinha acabado quando a extinção aconteceu, disse Michael Henehan, ex-pesquisador de Yale, que agora está baseado no Centro Alemão de Pesquisas em Geociências GFZ (German Research Centre for Geosciences). 

"A atividade vulcânica no [período] Cretáceo tardio causou um evento de aquecimento global gradual de cerca de dois graus, mas não a extinção em massa", disse Henehan, que compilou os registros de paleotemperatura abrangendo o evento da extinção. 

Para verificar mudanças de temperatura naquela época, ele usou indicadores paleoclimáticos baseados em diversas fontes, incluindo traços químicos em fósseis e outros biomarcadores. 

Os pesquisadores também examinaram núcleos de rocha no fundo do mar, que indicaram quando o asteroide atingiu nosso planeta. 

"Você pode ver o impacto — fragmentos de rocha derretida. É muito, muito evidente nestes núcleos de rocha," disse Henehan. 

Uma outra linha de pesquisadores ainda acredita que as emissões dos vulcões, que liberaram dióxido de enxofre e dióxido de carbono, enfraqueceram o ecossistema. Em consequência disso, os dinossauros teriam sido mais facilmente extintos quando o asteroide atingiu a Terra. 

Então isso coloca o debate sobre o que extinguiu os dinossauros em suspenso? “Deveria”, diz Hull. "Se, amanhã surgir alguém com evidências convincentes, eu estaria pronta para dizer que estamos errados. Mas, realmente, não parece provável com base no que sabemos hoje", conclui a cientista.