Estudo de grupo financiado pela Nasa sugere existência de universo paralelo


Diego Freire, da CNN, em São Paulo
21 de Maio de 2020 às 05:12 | Atualizado 21 de Maio de 2020 às 12:07
Equipamento do projeto Antena Impulsiva Transiente da Antártica (Anita, na sigla

Equipamento do projeto Antena Impulsiva Transiente da Antártica (Anita), na Antártica

Foto: University of Hawai'i at Manoa/ Divulgação

Um estudo realizado por pesquisadores financiados pela Nasa levantou o debate sobre teorias que sugerem a existência de universos paralelos, tema debatido há décadas na comunidade científica, mas distante de comprovações.

Peter Gorham, líder do projeto Antena Impulsiva Transiente da Antártica (Anita), que realiza experimentos no Polo Sul, afirmou em entrevista à revista New Scientist, em abril, que o comportamento curioso de partículas observadas na Antártica contrariou as leis da física e poderia ter origem em um "universo paralelo", ainda desconhecido pelos cientistas. 

Anteriormente, ao jornal da Universidade do Havaí, ele classificou a descoberta como "uma nova classe de partículas subatômicas que mostra um novo padrão da física". Procurado pela CNN nesta quarta (20), porém, ele negou que seus estudos tenham relação com teorias de universo paralelo.

Em nota enviada à CNN, a Nasa esclareceu que financia a Anita, mas não corrobora necessariamente com as conclusões dos estudos. O projeto Anita consiste em uma investigação de balão liderada por Peter Gorham na Universidade do Havaí em Manoa. O trabalho científico usa o gelo antártico para detectar emissões de rádio de neutrinos interagindo com a massa de gelo abaixo.

O experimento de Gorham analisou partículas conhecidas como neutrinos, semelhantes às que normalmente podem cair em nosso planeta a partir dos cosmos. Segundo o grupo, porém, as partículas observadas na Antártica pareciam sair do gelo e impressionaram pela alta energia.

De acordo com eles, a presença dessas partículas na neve e os movimentos observados no experimento contrariam as leis da física até então conhecidas para o universo em que vivemos, supondo que a alta energia deveria ser interrompida pela matéria sólida do nosso planeta.

Para o físico Peter Gorham, o comportamento sugere que os neutrinos podem ter passado por um universo com outras leis. 

"O que vimos é algo que parecia um raio cósmico, visto no reflexo da camada de gelo, mas não era refletido. Era como se o raio cósmico tivesse saído do próprio gelo. Uma coisa muito estranha. Então publicamos um artigo sobre isso, mostrando que contraria as leis da física", relatou Gorham.

Na ocasião, Gorham sugeriu que o Big Bang pudesse ter gerado dois universos: o que conhecemos e um outro no qual as leis de físicas seriam opostas. A tese já foi apresentada por outros cientistas anteriormente, mas carece de elementos para comprovação. 

“Nesse mundo-espelho, o positivo é negativo, o esquerdo é direito e o tempo anda para trás”, disse Gorham à revista New Scientist

O físico reconheceu, porém, que dentro de seu próprio grupo há contestação sobre a teoria de que o fenômeno observado na Antártica tenha origem em um universo paralelo com outras leis da física.

"Nem todos estão confortáveis com essa hipótese", afirmou.