Software projeta pico da pandemia entre fim de maio e começo de junho

Plataforma representa o comportamento do vírus nas diversas regiões do país para fazer projeções

Da CNN, em São Paulo
24 de maio de 2020 às 17:20 | Atualizado 24 de maio de 2020 às 17:28

A partir de modelos matemáticos e de inteligência artificial, cientistas, matemáticos e infectologistas lançaram uma plataforma aberta, feita por voluntários, que prevê o comportamento do coronavírus no Brasil, em tempo real, e faz previsões de sua evolução.

Chamada de Spume, o software prevê que o pico do novo coronavírus no Brasil será entre o fim de maio e começo de junho, além disso, ela demonstra que, atualmente, o país já chega ao número de 15 milhões de infectados, sendo que a previsão dos pesquisadores é que 75 mil brasileiros venham a morrer em decorrência da doença. Estes dados foram feitos considerando a capacidade de leitos que temos hoje.

Mauro Jeckel, CEO da Spume, diz, que em termos estatísticos, a doença deve permanecer ainda por cerca de dois meses e meio no Brasil. Ele ressalta que seu objetivo não é apenas fazer previsões. “É também ajudar em políticas de saneamento de modo que a gente possa ter um laboratório para gestores de saúde pública”, disse. A plataforma é capaz de representar o comportamento do vírus nas diversas regiões do país.

Leia e assista também

Sinais de eficácia de vacina contra Covid-19 podem vir apenas no 2º semestre

Vacina contra Covid-19 da Moderna pode estar disponível em janeiro de 2021

Antes de eles colocarem a plataforma em funcionamento, Jeckel contou que realizaram um estudo considerando 25 previsões sobre quando seria o pico da pandemia, e chegaram a conclusão de que praticamente todos se equivocaram. “Os dois estudos mais famosos, citados pela mídia, no caso, Imperial College of Science ou a Universidade de Tecnologia e Design de Singapura, têm uma diferença de 900 vezes. A gente fez um software percebendo que há uma dificuldade de se fazer esse cálculo”, explicou Mauro.

A infectologista Gladys Prado, que participa da plataforma, ficou responsável pela discussão sobre as características dos vírus em si, dos patógenos e das epidemias. Ela cita que uma ação coordenada é a forma mais assertiva para se combater a proliferação do vírus.

“A própria quarentena só tem efeito se for feita de forma adequada. Uma das maiores dificuldades da gente comprovar efeitos da quarentena é porque, em geral, elas são feitas de uma forma muito heterogênea pelo mundo. Os trabalhos que existem são heterogêneos e é difícil a gente encontrar um modelo que já tenha sido testado e depois retestado”, complementa dizendo que se a ação coordenada é ficar em casa, então é isso que temos que fazer, caso contrário, iremos pagar um preço ainda mais alto.