Plataformas digitais ajudaram bancos a diminuir impactos da pandemia


Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo
24 de junho de 2020 às 11:31 | Atualizado 24 de junho de 2020 às 15:33
Evento de tecnologia bancária

Representantes das principais instituições financeiras discutem tecnologia do setor

Foto: CNN

Os principais bancos brasileiros conseguiram minimizar os efeitos da crise causada pelo novo coronavírus e, em muitos casos, até tiveram aumento de produtividade, porque já estavam preparados para usar as plataformas digitais em seus negócios.

A reflexão, apresentada por João Dantas, CFO do BTG Pactual, no segundo dia da 30ª edição do Ciab, congresso de tecnologia do setor financeiro organizado pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos), foi ecoada também por pelos representantes dos outros bancos.

Participaram do painel Maurício Minas, do Conselho de Administração do Bradesco, Estevão Lazanha, diretor de Tecnologia do Itaú Unibanco, Gustavo Fosse, diretor de Tecnologia do Banco do Brasil, Cláudio Salituro, VP de Tecnologia da Informação da Caixa e Marino Aguiar, CIO do Santander.

“Toda crise leva a mudanças interessantes. A principal reflexão é que a crise encontrou os bancos preparados para utilizar plataformas digitais no desenvolvimento de novos modelos de negócios e para atender seus clientes no momento em que os hábitos deles estão mudando de maneira muito rápida”, afirmou Dantas.

Ele disse ainda que o sistema financeiro brasileiro já está em um momento de maturidade para usar as plataformas digitais para desenvolver negócios e que o principal desafio, neste momento, é encontrar novas oportunidades.

“O uso das plataformas digitais os bancos aqui no Brasil, com muita competência, já consolidaram. [O desafio é] passar a utilizar essa plataforma para gerar mais conectividade e interação com outros negócios.”

Minas, do Bradesco, afirmou que durante o período de isolamento por causa da Covid-19 as pessoas mudaram seus hábitos em relação ao uso de serviços bancários. Ele citou como exemplo o aumento de 46% dos negócios no Next, banco 100% digital do grupo, de 76% na corretora Ágora e de mais de 30% entre pessoas físicas e jurídicas nas plataformas mobile do banco.

“De forma geral, nossas estratégias são acelerar o que já temos de canais, desenvolver ainda mais nosso banco digital, nossas plataformas e usar o open banking”, disse, em referência à camada de tecnologia para compartilhamento de dados e serviços bancários que começará a ser implementada no país em novembro.

Para Lazanha, a crise enfatizou um movimento que já acontecia nos últimos anos, acentuada por uma “mudança de expectativa” das pessoas. “No nosso setor, o uso de canais digitais cresce a uma velocidade espantosa. No começo, muito para consultas e transações mais simples, mas à medida que os clientes ganharam confiança e conforto para usar, a tecnologia evoluiu em camadas de atendimento.”

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“A crise deixará o legado de mais adoção, conforto e profundidade no contexto das relações digitais, o que permite explorar outros modelos de negócio e trazer ofertas melhores para nossos clientes”, disse o diretor de Tecnologia do Itaú Unibanco.

Já o diretor de Tecnologia do Banco do Brasil, Gustavo Fosse, afirmou que o setor financeiro brasileiro sempre foi referência em soluções de tecnologia. Ele disse ainda que o foco com as plataformas digitais é oferecer “conveniência e experiência mais fluída” para o cliente.

“Nosso consumidor adotou mais tecnologia, [acelerou o processo] de alguns anos para alguns meses (...) Essa intensificação no uso das plataformas [digitais] nos desafia a usar mais dados - o open banking vem aí para nos ajudar - para cada vez mais prestar um melhor atendimento com os dados que estamos extraindo e um atendimento digital”, completou.

Salituro, vice-presidente de TI da Caixa, afirmou que a crie foi uma oportunidade para o banco acelerar seu movimento digital. “Em poucos meses, ou poucos dias, tivemos que lançar dois aplicativos para atender o programa do governo e isso tudo acabou potencializando [a transformação].”

“A pandemia trouxe uma reflexão muito importante: como fazer negócios de uma forma diferente, mais digital, onde conseguimos colocar o cartão virtual, depois pagamento por QR code, tudo isso com o cliente se sentido confortável de usar”, completou.

Quem também citou a chegada, no futuro próximo, do open banking, foi o CIO do Santander. “Quando a gente pensa em modelo de futuro pensa em outras mudanças importantes, como o pagamento instantâneo (Pix) que será uma realidade em 2020 e o início da jornada do open banking - que vai aumentar concorrência na indústria, afirmou Aguiar.

Ele afirmou que esses dois fatores, aliados à mudança de comportamento dos próprios clientes, formam o que o banco considera ser o tripé das mudanças na indústria.