Índia proíbe 59 apps, na maioria chineses, incluindo o popular TikTok


Da CNN, em São Paulo
29 de junho de 2020 às 13:40 | Atualizado 09 de julho de 2020 às 14:42
Manifestante na Índia segura cartaz defendendo boicotes contra a China

Manifestante na Índia segura cartaz defendendo boicote contra a China

Foto: Amit Dave - 18.jun.2020 / Reuters

A Índia proibiu o uso de 59 aplicativos, a maioria chineses, incluindo o popular TikTok, da ByteDance; o UC Browser, do Alibaba; e o WeChat, da Tencent, citando como motivo preocupações com a segurança, disse o governo indiano em um comunicado nesta segunda-feira (29).

Os apps são “prejudiciais à soberania, integridade e defesa da Índia, segurança de estado e ordem pública”, afirmou o Ministério de Tecnologia da Informação.

A proibição surge poucas semanas após um conflito violento na fronteira entre as duas nações detentoras de armas nucleares, no qual 20 soldados indianos morreram e mais de 70 ficaram feridos. A China não revelou quantas baixas suas forças sofreram.

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O episódio ocorreu na região do Himalaia na noite do dia 15 de junho. Segundo analistas, foram as primeiras mortes em confrontos na área fronteiriça entre os dois países em 45 anos

Na quinta-feira (25), a China enviou um grande número de tropas e armas para a fronteira com a Índia, o que na visão do governo indiano foi uma violação de acordos bilaterais. Horas depois, soldados indianos também foram vistos na região.

O Ministério das Relações Exteriores da Índia acusou o governo chinês de acirrar as tensões e desencadear o confronto da semana anterior. Já a China culpou a Índia pelo episódio e afirmou que as tropas indianas atacaram soldados e autoridades chineses.

Na semana passada, após conversas entre militares de alta patente, as duas partes concordaram em retirar suas tropas da fronteira em disputa.

Países em confronto

O confronto do dia 15 aconteceu em meio a um “processo de desescalada” no Vale de Galwan, localizado na disputada área de Aksai Chin e Ladaque, na Caxemira, onde as tropas estão reunidas há semanas nos dois lados da fronteira.

A tensão vinha crescendo desde maio, com Nova Délhi e Pequim acusando uma a outra de ultrapassar a Linha de Controle Real (LAC, em inglês), que separa os dois vizinhos. Esse território é disputado há muitos anos e palco de inúmeros conflitos pequenos e disputas diplomáticas desde a sangrenta guerra entre os dois países, em 1962.

A LAC vai de Aksai Chin, sob controle da China, até a disputada região de Jammu e Caxemira. Essa linha resultou da disputa pela área fronteiriça entre a China e a Índia em 1962, mas nenhum dos lados concorda exatamente com o outro em relação a onde ela começa e qual o seu tamanho. 

Aksai Chin é administrada pela China como parte de Xinjiang, mas também é reivindicada pelo governo indiano como parte de Ladaque. O aumento de tropas na região deixou muitas pessoas preocupadas com o potencial de um confronto.

Em nota, a rede social afirma que "embora o governo da Índia tenha emitido uma ordem provisória para bloquear 59 aplicativos, a equipe da ByteDance, de cerca de 2.000 funcionários na Índia, está comprometida em trabalhar com o governo para demonstrar nossa dedicação à segurança do usuário e nosso compromisso com o país em geral."   

(Com Reuters)