Crânio de 1.200 anos mostra sinais de punições severas na Europa medieval


Harry Clarke-Ezzidio, da CNN
01 de outubro de 2020 às 14:58
Caveira

Crânio apresenta sinais profundos de violência

Foto: G. Cole et al/UCL/Antiquity Publications

Arqueólogos analisaram o crânio de uma menina anglo-saxã e fizeram uma descoberta assustadora que esclarece as punições brutais impostas a quem desrespeitasse a lei na Inglaterra do início da Idade Média,

Uma análise do crânio mostrou que a menina, que provavelmente tinha entre 15 e 18 anos quando morreu, havia tido seu nariz e lábios decepados, e também pode ter sido escalpelada como parte de uma punição.

A equipe de pesquisadores da University College London (UCL) acredita que ela morreu pouco tempo depois dos ferimentos, pois não demonstra evidências de cicatrização.

Usando a datação por radiocarbono, os cientistas estimaram que as peças devem ser do ano 776 D.C. e 899 D.C.

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“Esse caso parece ser o primeiro exemplo arqueológico dessa forma brutal de desfiguramento facial conhecida na Inglaterra anglo-saxã”, afirmou a equipe da universidede, em nota à imprensa publicada na revista científica Antiquity.

O caso é quase um século  mais antigo que todos os dados previamente conhecidos desses castigos, diz o artigo, e é a primeira evidência física que apoia o que os registros escritos descrevem. 

Mandíbula

Mandíbula apresenta sinais de cortes

Foto: G. Cole et al/UCL/Antiquity Publication

O crânio agredido foi encontrado em um sítio arqueológico na cidade inglesa Basingstoke em 1960, escavado pouco antes de o lugar virar um bairro residencial. 

Décadas depois de sua descoberta, pesquisadores analisaram a ossada desfigurada por completo. Eles descobriram que a vítima sofreu vários ferimentos faciais próximas da época de sua morte, incluindo um corte por toda a sua boca, que teria removido seus lábios e um corte por toda sua testa -- que sugere uma tentativa de escalpelamento.  

Ela sofreu um “corte através de seu nariz que foi tão fundo que chegou até os ossos em volta”, de acordo com a nota.

Códigos de leis do período anglo-saxão -- que durou desde a saída dos romanos da Britânia em 410 D.C. até que a Normandia conquistasse o lugar em 1066 -- mostram que punições como essas eram aplicadas para mulheres consideradas adúlteras ou escravos que roubassem.

(Texto traduzido do inglês. Leia o original)