Fóssil da Antártida pode ter sido do maior pássaro voador de todos os tempos


Jessie Yeung, da CNN
28 de outubro de 2020 às 10:35 | Atualizado 28 de outubro de 2020 às 12:05
Maior animal voador

Representação artística de albatrozes antigos perseguindo um pelagornitídeo (com seu temível bico dentado) enquanto pinguins brincam nos oceanos, numa Antártica de 50 milhões de anos.

Foto: Brian Choo/University of California Berkley

Na década de 1980, paleontólogos da Universidade da Califórnia Riverside visitaram a Ilha Seymour, parte de uma cadeia de ilhas na Península Antártica. Eles trouxeram para casa uma série de fósseis, incluindo um osso do pé e um pedaço de osso da mandíbula de duas aves pré-históricas.

Por décadas, os fósseis ficaram em um museu na Universidade da Califórnia em Berkeley, até que um estudante de pós-graduação chamado Peter Kloess começou a vasculhar os achados em 2015.

Em um estudo publicado na segunda-feira (26) na revista “Scientific Reports”, Kloess identificou os pássaros como pelagornitídeos, um grupo de predadores que vagou pelos oceanos do sul da Terra por pelo menos 60 milhões de anos. Por causa dos dentes afiados e bicos longos, que os ajudaram a pegar peixes e lulas do oceano, eles são conhecidos como pássaros “com dentes ósseos”.

Os pássaros eram enormes, com envergadura de asa de até 6,4 metros. E os indivíduos específicos aos quais os fósseis pertencem podem ter sido os maiores de todos, sugere o estudo. 

Fóssil maior ave da história

O segmento de 12,5 cm da mandíbula fossilizada, descoberto na Antártica na década de 1980, data de 40 milhões de anos atrás.

Foto: Peter Kloess/ UC Berkley

Usando o tamanho e as medidas dos fósseis, os pesquisadores foram capazes de estimar o restante do tamanho dos indivíduos. A ave com osso do pé é “o maior espécime conhecido de todo o grupo extinto de pelagornitídeos”, enquanto a ave com osso da mandíbula era provavelmente “tão grande, senão maior, que os maiores esqueletos conhecidos do grupo de aves com dentes ósseos”.

“Esses fósseis da Antártica provavelmente representam não apenas os maiores pássaros voadores do período Eoceno, mas também alguns dos maiores pássaros voadores que já viveram", afirmou o estudo.

Kloess e outros pesquisadores determinaram que o osso do pé data de 50 milhões de anos atrás, e o osso da mandíbula tem cerca de 40 milhões de anos. Eles são uma evidência de que os pássaros surgiram na era Cenozoica, depois que um asteroide atingiu a Terra e exterminou quase todos os dinossauros.

“Nossa descoberta de fósseis, com sua estimativa de envergadura de asa de 5 a 6 metros, mostra que os pássaros evoluíram para um tamanho verdadeiramente gigantesco com relativa rapidez após a extinção dos dinossauros e governaram os oceanos por milhões de anos”, afirmou Kloess em um comunicado à imprensa.

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“O tamanho extremo e gigante dessas aves extintas é insuperável em habitats oceânicos”, acrescentou a coautora do estudo Ashley Poust, do Museu de História Natural de San Diego. 

Assim como os albatrozes, os pelagornitídeos viajavam pelo mundo e podiam voar durante semanas sobre o mar. Na época, os oceanos ainda não eram dominados por baleias e focas, o que significava que havia presas fáceis para os pássaros gigantes.

“Os grandes pelagornitídeos têm quase o dobro do tamanho dos albatrozes, e essas aves com dentes ósseos teriam sido predadores formidáveis que evoluíram para estar no topo de seu ecossistema”, contou o coautor do estudo Thomas Stidham, da Academia Chinesa de Ciências, em Pequim. 

O estudo também pintou um retrato de como a Antártica poderia ser 50 milhões de anos atrás, um continente muito mais quente, lar de mamíferos terrestres como parentes distantes de preguiças e tamanduás. Os pássaros antárticos também floresceram lá, incluindo as primeiras espécies de pinguins e os parentes extintos de patos e avestruzes. Os pelagornitídeos teriam existido neste ecossistema ao lado dos outros, potencialmente competindo por alimentos e espaços de nidificação. 

A Ilha Seymour, parte da Antártica mais próxima da ponta da América do Sul, foi o local de várias outras descobertas. Um estudo de fósseis feito nesse pedaço descobriu em abril deste ano que uma minúscula espécie de sapo viveu na região. Foi o primeiro anfíbio moderno descoberto na Antártica. Casulos fossilizados de sanguessugas também foram encontrados na Ilha Seymour, assim como alguns mamíferos. 

“Meu palpite é que (a Antártica) era um lugar rico e diversificado”, opinou Thomas Mörs, curador sênior do Museu Sueco de História Natural, em abril. “Encontramos apenas uma porcentagem do que vivia lá”.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).