Estrela de Belém: como assistir encontro raro entre Júpiter e Saturno

A última vez que os planetas ficaram assim tão próximos foi na Idade Média, em 1623

Anna Satie e Giulia Alecrim, da CNN em São Paulo
21 de dezembro de 2020 às 05:00 | Atualizado 21 de dezembro de 2020 às 08:32
Saturno (em cima) e Júpiter (abaixo), vistos ao pôr-do-sol no estado da Virgínia
Saturno (em cima) e Júpiter (abaixo), vistos ao pôr-do-sol no estado da Virgínia, EUA
Foto: Bill Ingalls/Nasa (13.dez.2020)

Nesta segunda (21), ocorre o ápice de um evento astronômico raro: o alinhamento dos planetas Júpiter e Saturno, os maiores do sistema solar.

Apesar de não se aproximarem fisicamente um do outro, eles parecerão tão próximos vistos da Terra que será impossível distinguir um do outro a olho nu.

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O encontro entre os gigantes acontece de maneira regular a cada 19,6 anos e é considerado pelos astrônomos como uma das conjuções planetares mais impressionantes — tanto que o evento ganha o nome de Grande Conjunção.

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Isso porque Júpiter e Saturno são os planetas que se movem mais lentamente, dentre os que são visíveis a olho nu, e são mais brilhantes do que a maioria das estrelas.

“Isso se deve ao movimento dos planetas ao redor do Sol", explica Thiago Signorini, astrônomo da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e Coordenador da Sociedade Astronômica Brasileira.

"É como se estivéssemos em um carrossel, e os planetas estivessem em outros carrosséis que giram ao nosso redor, com velocidades diferentes. Eventualmente pode acontecer um alinhamento em que vemos um deles passar bem na frente do outro."

No entanto, a última vez que os planetas ficaram assim tão próximos foi na Idade Média, em 1623. Naquele ano, no entanto, o encontro aconteceu próximo demais do Sol e não pôde ser visto por aqui.  

Neste ano, a conjunção ganhou um nome novo: Estrela de Belém. Isso em função da época de Natal e do conto da estrela que guiou os três Reis Magos até o lugar do nascimento de Jesus.

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"Como não conseguimos separar direito, vai parecer um único ponto bem brilhante", disse Signorini, explicando a semelhança entre este encontro e a estrela da liturgia bíblica, alertando que não há nada de científico por trás do apelido.  

A melhor visibilidade do fenômeno é nesta segunda, mas desde a semana passada, já é possível ver os dois planetas bem próximos um do outro.

"Este encontro vai ser fácil de assistir, os planetas vão estar baixos no horizonte e se pôr um pouco depois do Sol", explicou Signorini.

"A olho nu, pode ser difícil separar os dois. Isso é super raro e, para quem gosta de observação astronômica, é um prato cheio".

Para encontrá-los, é necessário olhar na direção oeste, logo após o pôr do sol. Os planetas estarão alinhados no céu – serão dois pontos muito brilhantes e próximos – a cerca de 20 graus acima do horizonte.

De acordo com Signorini, com um telescópio ou binóculo, deve ser possível ver ambos até no mesmo campo de visão.

Se não for possível avistar a reunião desta vez, o evento seguinte com proximidade semelhante acontecerá só em março de 2080.