Mais de 120 bilhões de máscaras são descartadas por mês nos oceanos

Tempo de decomposição desses materiais ainda é indeterminado

Juliana Faddul, colaboração para a CNN Brasil
29 de dezembro de 2020 às 19:36 | Atualizado 29 de dezembro de 2020 às 19:39
Máscara facial encontrada em Hampton Beach, New Hampshire (EUA)
Foto: Brian Yurasits/Unsplash

No começo da pandemia do novo coronavírus, quando uma foto de um golfinho nadando nos canais de Veneza viralizou, a internet comemorou. Em abril, quando a ONS (Operador Nacional de Sistema) divulgou que o consumo de energia elétrica foi o menor desde abril de 2012, ambientalistas ficaram contentes. Neste mês, o Projeto Carbono Global, organizado pelas Nações Unidas, divulgou uma baixa de 7% na emissão de dióxido de carbono. E, assim, mais comemoração.

Daqui, da terra, as notícias de um possível triunfo da natureza sobre o homem pareceram bastante otimistas. Mas, debaixo d’água, a história tem sido outra.

Segundo um levantamento divulgado pela ONG Ocean Conservancy estão sendo jogadas nos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico 129 bilhões de máscaras descartáveis e 65 bilhões de luvas plásticas por mês. Como se a quantidade não fosse alarmante o suficiente, o tempo de decomposição desses materiais ainda é indeterminado.

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Vale lembrar que, além das luvas e máscaras, são descartados nos mares 8 milhões de toneladas de plástico por ano, segundo a organização WWF. Considerando este aumento, a estimativa é de que até 2050 haja mais lixo do que peixes.

O problema do descarte irregular de material plástico nas águas é muito maior do que tartarugas morrendo engasgadas com canudinhos. Segundo ambas organizações, a maior preocupação são os fragmentos de microplásticos encontrados nos sistemas digestivos de animais. Isso é um primeiro passo para que o plástico entre de vez na cadeia alimentar — sim, isso inclui a alimentação humana.

Muitos materiais são de uso hospitalar, então cabe às autoridades a responsabilidade de descarte correto. Vale lembrar que a poluição marinha é um problema de todos os países. Os objetos viajam nas correntes oceânicas, ou seja, nenhum estado tem o poder de resolver o problema sozinho. Do ponto de vista de pessoa física, a alternativa é optar pelo uso de máscaras de pano — parece pouco, mas uma máscara descartável que deixa de ser usada é um lixo a menos para poluir os oceanos.