Cientistas descobrem o buraco negro mais próximo da Terra

Chamado de 'unicórnio', o buraco negro foi encontrado devido à influência que exerce sobre uma estrela vermelha da constelação de Monoceros, na Via Láctea

Raphael Coraccini, colaboração para CNN Brasil
27 de abril de 2021 às 13:43 | Atualizado 29 de abril de 2021 às 10:43
buraco negro encontrado por cientistas da Universidade de Ohio
Cientistas da Universidade do Estado de Ohio descobriram um novo buraco negro, que foi batizado de 'Unicórnio'
Foto: Universidade do Estado de Ohio

Pesquisadores da Universidade Estadual de Ohio acharam evidências do que parece ser o buraco negro mais próximo da Terra. O fenômeno, que foi apelidado de “O Unicórnio”, está a apenas 1.500 anos-luz da Terra. 

Além do fato de ser o mais próximo do nosso planeta que se tem notícia, é também um dos menores já encontrados. Mas a definição de pequeno só pode ser usada em comparação com outros buracos negros, porque "O Unicórnio" tem o equivalente a três vezes a massa do sol, segundo os cientistas. 

É essa robustez dos buracos negros que permitem aos cientistas os localizarem no universo. Eles não emitem luz, portanto, só podem ser detectados pela sua poderosa força gravitacional e a influência dela sobre corpos celestes. 

Os cientistas identificaram o buraco negro observando a distorção na forma de uma estrela gigante vermelha em uma constelação da Via Láctea chamada de Monoceros, que significa unicórnio, em latim. 

Todd Thompson, um dos autores do estudo e presidente do departamento de astronomia do estado de Ohio, afirma que a forma ovalada da estrela pode ser explicada pela presença de um buraco negro, que está puxando o astro para dentro do seu campo gravitacional.

“Assim como a gravidade da lua distorce os oceanos da Terra, fazendo com que os mares se projetem em direção à lua e depois se afastem dela, produzindo marés altas, o buraco negro distorce a estrela em uma forma de bola de futebol [americano], com um eixo mais longo que o outro”, disse Thompson. 

Além do grau de distorção da gigante vermelha, a velocidade com que ela gira em torno da sua órbita também é um dos sinais usados pelos cientistas para detectarem a massa do buraco negro. 

Durante a última década, cientistas quebraram a cabeça para tentar encontrar pequenos buracos negros, mas não tiveram sucesso e cogitaram até o fato de que eles não existiam. 

Porém, o trabalho de Thompson deu início da uma investigação mais minuciosa, que levou o estudante de doutorado em astronomia na Universidade Estadual de Ohio, Tharindu Jayasinghe, ao "Unicórnio". “Quando olhamos os dados, esse buraco negro [O Unicórnio] simplesmente apareceu”, disse Jayasinghe.