Facebook: Rússia e Irã são principais fontes de desinformação na rede social

Relatório da empresa diz que mais de 150 redes de atividades falsas coordenadas foram removidas desde 2017, das quais 27 eram russas e 23 iranianas

Brian Fung, da CNN
27 de maio de 2021 às 07:13
Dados de mais de 500 milhões de contas do Facebook foram expostos na internet
Estudo do Facebook constatou que Rússia e Irã são principais promotores de desinformação na plataforma
Foto: Dado Ruvic - 29.out.2014/Reuters

A Rússia e o Irã são as duas principais fontes de atividades falsas coordenadas no Facebook, de acordo com um novo relatório divulgado pela empresa.

O relatório do Facebook, publicado na quarta-feira (26), mostra como operadores de influência estrangeiros e domésticos mudaram suas táticas e ficaram mais sofisticados em resposta aos esforços das empresas de mídia social para reprimir contas falsas e operações de influência.

O Facebook removeu mais de 150 redes de atividades falsas coordenadas desde 2017, disse o relatório. Dessas, 27 eram vinculadas à Rússia e 23 ao Irã. Nove são originárias dos Estados Unidos.

Os EUA continuam sendo o principal alvo para campanhas de influência estrangeira, disse o relatório do Facebook, destacando 26 desses esforços por uma variedade de fontes de 2017 a 2020 (a Ucrânia aparece em um distante segundo lugar).

No entanto, durante a temporada eleitoral de 2020, foram os atores domésticos dos Estados Unidos, e não os operadores estrangeiros, os cada vez mais responsáveis ??por semear desinformação. Na corrida para a eleição, o Facebook removeu tantas redes americanas que visavam os EUA com o chamado comportamento inautêntico coordenado (CIB) quanto as redes russas ou iranianas, disse o relatório da empresa.

"Mais notavelmente, uma das redes CIB que encontramos era operada pela Rally Forge, uma empresa de marketing com sede nos Estados Unidos, trabalhando em nome de seus clientes, incluindo o Comitê de Ação Política Turning Point USA", disse o relatório. 

"Esta campanha alavancou comunidades autênticas e recrutou uma equipe de adolescentes para cuidar de contas falsas e duplicadas, fazendo-se passar por eleitores não afiliados para comentar em páginas de notícias e páginas de atores políticos."

Essa campanha foi relatada pela primeira vez pelo jornal The Washington Post em setembro de 2020. Em uma declaração ao Post na época, um porta-voz da Turning Point descreveu o esforço como "ativismo político sincero conduzido por pessoas reais que mantêm com paixão as crenças que descrevem online, não uma fazenda de trolls anônimos na Rússia". O grupo na época não quis se pronunciar a pedido da CNN.

Outra rede dos Estados Unidos, que o Facebook anunciou ter removido em julho de 2020, tinha ligações com Roger Stone, amigo e conselheiro político do ex-presidente Donald Trump. 

A rede manteve mais de 50 contas, 50 páginas e 4 contas Instagram. Teve um alcance que abrangeu 260.000 contas do Facebook e mais de 60.000 contas do Instagram. (Após ser removido do Facebook, Stone compartilhou a notícia de seu banimento no site alternativo de mídia social Parler, junto com uma declaração: "Expomos o trabalho que foi tão profundo e óbvio durante meu julgamento, por isso eles devem me silenciar. Como eles aprenderão em breve, não posso e não serei silenciado").

A presença de conteúdo falso e enganoso nas redes sociais se tornou a história dominante em plataformas tecnológicas, incluindo Facebook, Twitter e YouTube após a eleição de 2016, conforme revelações sobre as tentativas da Rússia de interferir no processo democrático dos EUA. 

Fazendo-se passar por eleitores americanos, mirando nos eleitores com anúncios digitais enganosos, criando notícias falsas e outras técnicas, as campanhas de influência estrangeira têm procurado semear a divisão dentro do eleitorado.

A descoberta dessas campanhas gerou intensa pressão política e regulatória sobre a empresas de tecnologia e também levantou questões persistentes sobre o poder desproporcional da indústria na política e na economia em geral. Muitos críticos, desde então, pediram o desmembramento de grandes empresas de tecnologia e leis para reger como as plataformas de mídia social moderam o conteúdo de seus sites.

Empresas de tecnologia como o Facebook responderam contratando mais moderadores de conteúdo e estabelecendo novas políticas de plataforma para atividades falsas.

Em um anúncio separado na quarta-feira, o Facebook disse que está expandindo as penalidades que aplica a usuários individuais do Facebook que repetidamente compartilham informações incorretas desmascaradas por seus parceiros de verificação de fatos. 

Atualmente, quando um usuário compartilha uma postagem que contém afirmações incorretas, os algoritmos do Facebook rebaixam essa postagem em seu feed de notícias, tornando-a menos visível para outros usuários. Mas, com a mudança, os reincidentes podem correr o risco de ver todos os seus posts rebaixados no futuro.

O Facebook já vinha aplicando rebaixamentos em nível de conta para páginas e grupos que compartilham repetidamente informações incorretas verificadas, mas o anúncio desta quarta se refere a usuários individuais pela primeira vez (As contas dos políticos não são afetadas pela mudança porque as figuras políticas estão isentas do programa de verificação de fatos do Facebook).

Mas mesmo que o Facebook tenha melhorado seus esforços de moderação, muitos fornecedores de desinformação desenvolveram suas táticas, disse o relatório. Desde a criação de campanhas mais personalizadas e direcionadas que podem escapar da detecção até a terceirização de suas campanhas, os agentes de ameaças estão tentando se adaptar à aplicação do Facebook em um jogo cada vez mais complexo de gato e rato, de acordo com a empresa.

"Então, quando você soma quatro anos de operações de influência secreta, quais são as tendências?", escreveu Ben Nimmo, co-autor do relatório, no Twitter. "Mais operadores estão tentando, mas mais operadores também estão sendo pegos. O desafio é continuar avançando para ficar à frente e pegá-los."

(Texto traduzido; leia o original em inglês)