À CNN, brasileira conta como foi captar imagens inéditas de um buraco negro
"Com essas imagens, conseguimos atestar cada vez mais que esse buraco negro é mesmo consistente com o que foi previsto pela teoria do Einstein", diz a cientista Lia Medeiros, brasileira que atualizou a imagem do primeiro buraco negro já registrado com auxílio de sete telecóspios e inteligência artificial
Aquela foto borrada do M87, o primeiro buraco negro registrado na história e divulgada em 2019, recebeu uma nova atualização nesta quinta-feira (13). O novo registro, chamado de Pōwehi foi feito a partir de uma colaboração entre cientistas do EHT (Event Horizon Telescope), um núcleo de cientistas, e de Lia Medeiros, pesquisadora brasileira do Instituto de Estudos Avançados dos Estados Unidos.
Em entrevista exclusiva à CNN, a cientista disse que a primeira imagem do M87 trouxe avanços muito positivos para a comunidade científica. “Foi um resultado muito importante e foi um resultado que realmente mudou como que a gente pensa sobre um buraco negro e como entendemos o que acontece com a matéria que tá em volta do buraco negro”, explica Lia.
“Com essas imagens, conseguimos atestar cada vez mais que esse buraco negro é mesmo consistente com o que foi previsto pela teoria do Einstein”, explicou.
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Atualização de foto do buraco negro • Lia Medeiros
Para conseguirem esse novo registro, os pesquisadores utilizaram dados de 2017 do EHT para compararem com as imagens atualizadas. Além disso, os cientistas contaram com a ajuda de algoritmos sofisticados e o uso de inteligência artificial, em um sistema chamado “Primo”.
Esse novo algoritmo é baseado em Inteligência Artificial, mas na verdade é a parte da Inteligência Artificial que é bem simples e fácil de entender. A ideia é que a gente está tentando preencher os lugares onde não temos dados e estamos fazendo isso por meio de satélites.
Lia Medeiros, pesquisadora do Instituto de Estudos Avançados dos EUA
A colaboração envolve o uso de sete telescópios que estão espalhados no mundo todo, com sede em 11 observatórios. A partir dos novos dados, a expectativa é que as imagens possam ajudar os pesquisadores para que consigam entender com precisão objetos astronômicos como o buraco negro Pōwehi.
De acordo com Lia, a descoberta é importante porque a partir da nova imagem fica cada vez mais evidente que o Pōwehi é de fato um buraco negro.
Além disso, a pesquisadora contou à CNN que os cientistas estão analisando a nova imagem e esperam aplicar o algoritmo Primo ao buraco negro Sagitarius A* que está localizado no centro da Via Láctea. Lia ainda diz que a ideia dos pesquisadores é aplicar a tecnologia do Primo para ir além, observando outros objetos astronômicos. “A gente observou pela primeira vez em 2017, mas a gente também observou em 2018, 2021 e 2022. E a gente tá observando agora mesmo em 2023, então a gente também quer aplicar esse mesmo algoritmo para essas outras observações também.”, conclui a pesquisadora.
*sob supervisão de Letícia Brito, da CNN em São Paulo