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    Astronauta brasileira: “Estamos mais próximos de encontrar vida” fora da Terra

    Laysa Peixoto falou sobre sua experência e descobertas como cientista durante pré-evento da CCXP23

    A mineira Laysa Peixoto é uma astronauta brasileira em treinamento na NASA
    A mineira Laysa Peixoto é uma astronauta brasileira em treinamento na NASA Reprodução/Instagram

    Giovanna Bronzeda CNN

    São Paulo

    Para a astronauta brasileira Laysa Peixoto, encontrar vida em outros planetas é só uma questão de tempo. Ela participou de um painel na CCXP23 Unlock – uma edição especial e exclusiva para convidados da Comic Con Experience – e falou sobre seu trabalho na NASA L’SPACE Academy.

    Aos 19 anos, Laysa Peixoto se tornou a primeira brasileira a comandar uma equipe da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos – a NASA. Atualmente, ela atua na academia do órgão onde desenvolve tecnologias para explorar o espaço, como a fã de “Star Trek” que ela é, além de passar por treinamento para se tornar a primeira mulher brasileira a ir para o espaço.

    “Eu, pessoalmente, acredito muito na possibilidade de vida inteligente no universo”, explica. “Já a Laysa cientista acredita que estamos mais próximos de encontrar vida, qualquer tipo, até inclusive tipos de vida que não conseguimos identificar até o momento”. De acordo com ela, existem diversas formas de vida no espaço – diferente da ideia de “forma de vida inteligente” que nos apegamos nos filmes e séries de ficção científica que abordam aliens.

    “Tem sido muito rápida a descoberta por planetas e temos identificado água [nesses planetas], que é essencial para a vida. Acredito até que vamos encontrar vida em Marte nas próximas expedições”, continua.

    Ao comparar com produtos da cultura pop, ela é fascinada por Duna pois o universo criado na saga “se parece” com o que astrofísicos e astrônomos tem encontrado: planetas com características completamente diferentes. “Isso é realmente uma realidade. Existe uma grande possibilidade de planetas completamente cobertos por água”, explica Laysa.

    Representatividade importa

    Laysa de fato se envolveu com astronomia e astrofísica em 2020, após ter uma aula com Andrea Ghez, nobel da física daquele ano após pesquisa sobre buraco negro.
    Com a história dela, vi que tinha caminho para a minha história”, contou Laysa.

    Para aumentar o espaço de mulheres na área de astronomia e astrofísica, majoritariamente composta por homens, a astronauta brasileira acredita que primeiro é necessário mudar a representação desses cientistas no cinema e na TV. Eu acredito que precisa ter mais representação de mulheres nos filmes de ficção científica, como cientistas e navegadoras”, justifica.

    Além disso, segundo Laysa, é necessário trabalhar em programas e projetos que fomentem o conhecimento sobre a história de mulheres que já marcaram a ciência. “Muitas mulheres cientistas tiveram suas histórias apagadas”, explica, “é importante para uma criança um adolescente ver que uma pessoa como ele conseguiu chegar num lugar alto”.

    A descoberta de um asteroide

    Durante a pandemia da Covid-19, Laysa Peixoto se envolveu em projeto de pesquisa relacionadas ao espaço. Ao começar a trabalhar com softwares diferentes, ela aprendeu a utilizá-los para analisar diferentes aspectos da astronomia.

    E foi aos 18 anos, durante o 2º período do curso de física na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). que ela descobriu um novo asteroide no espaço. Ela participou de uma campanha para identificação de corpos celestes da Nasa com o programa The International Astronomical Search Collaboration. O nome do asteroide foi LPS0003 – com as iniciais da jovem futura astronauta.

    “Quando a gente analisa um pacote de imagens [para identificação de corpos celestes], você precisa colocar sua iniciais e depois o nome definitivo é escolhido”, explicou, justificando o motivo do asteroide ter levado seu nome. “Não é rápido o processo: passei 8 meses analisando para identificar. A gente utiliza imagens de grandes telescópios do planeta e a gente consegue analisar”.

    Para isso, normalmente os astrofísicos utilizam programas próprios para análise – mas é possível qualquer pessoa de casa de fazer a análise das imagens espaciais, já que alguns dos programas podem rodar em computadores diferentes.

    Como visto no filme “Não Olhe Para Cima”, da Netflix, asteroides são sempre alvo de preocupação. Isso ocorre principalmente nas obras de ficção científica, seja no cinema, teve ou nos livros. “De fato, eles representam uma ameaça para a civilização humana”, diz Laysa. “Nós monitoramos esses corpos celestes que transitam pelo nosso sistema solar porque é importante o monitoramento porque há uma chance deles chegarem à terra”.

    “A gente pensa ‘ah, os filmes são muito dramáticos’, mas sempre tem essa possibilidade [de um asteroide atingir a Terra]”, explica.

    E foi exatamente a pesquisa com asteroides que fez a jovem entrar para o programa da NASA. Com a ajuda da Universidade de Manhattan, após envolvimento de pesquisa no órgão, ela conseguiu entrar no órgão do governo dos estados unidos e lançar sua carreira na astronomia, mesmo ainda estando estudando física na UFMG.

    Projetos da astronauta brasileira para explorar o espaço

    Na NASA, Laysa Peixoto é a autora de dois projetos: MADSS e AquaMooon.

    MADSS é uma sonda que será enviada para o planeta saturno em 2029. “Parece ficção científica, parece que saí de um filme”, brincou a astronauta, quando disse que seu projeto de sonda foi aceito pela NASA em meio a sugestões de outros estudantes e profissionais da área.

    O outro projeto, AquaMoon, foi escolhido após ela ter compartilhado a ideia em um desafio da Nasa. “De repente escutei meu nome na reunião e fiquei em choque”, brincou. Ela então teve que explicar em um minuto a ideia da tecnologia pensada para extrair água da Lua. “Vai ser muito importante para as próximas missões e o objetivo é seguir uma base e usar os recursos da Lua, para um sistema adaptativo par astronautas para ajudá-los a tomarem decisões em Marte”, disse. “Então [ir de] assistir filmes com astronautas em Marte para desenvolver tecnologia para eles usarem é um sonho”, finaliza.