Blue Origin lança 1º teste do foguete New Glenn; veja o momento

Empresa do bilionário Jeff Bezos teve sucesso na terceira tentativa de recuperar o primeiro estágio da nave

Giovana Christ, da CNN Brasil, Jackie Wattles, da CNN
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A Blue Origin, empresa de foguetes fundada pelo bilionário da Amazon, Jeff Bezos, lançou nesta quinta-feira (13), por volta das 17h45 (horário de Brasília), seu imponente foguete New Glenn em uma missão que marcará seu primeiro grande teste.

O momento, transmitido ao vivo nas redes sociais e no Youtube da companhia, foi acompanhado por uma plateia comemorando o sucesso do lançamento e a visão de seu jato supersônico no céu.

A empresa estava originalmente programada para lançar a missão da Nasa chamada Escapade no último domingo (9), mas a cobertura de nuvens levou à decisão de adiar o lançamento.

Depois disso, foi necessário coordenar com a Administração Federal de Aviação (FAA), que recentemente impôs uma proibição à maioria dos lançamentos diurnos devido à paralisação parcial do governo, para encontrar uma nova janela de lançamento.

Em seguida, uma tempestade solar massiva, que encheu o céu com auroras, impediu uma tentativa de decolagem nesta quarta-feira (12), segundo publicação da Blue Origin na rede social X, antigo Twitter. Essas erupções de clima espacial trazem ondas de radiação e partículas que podem danificar espaçonaves.

O lançamento da Escapade — sigla para Escape and Plasma Acceleration Dynamics Explorers (Exploradores de Fuga e Dinâmica de Aceleração de Plasma) — marcará o primeiro voo do New Glenn com carga útil de um cliente a bordo.

O foguete já havia completado um voo inaugural em janeiro, levando apenas tecnologias experimentais desenvolvidas pela própria Blue Origin.

Assim como o lançamento anterior, a empresa tentará novamente recuperar o primeiro estágio do New Glenn, a parte inferior do foguete responsável pelo impulso inicial da decolagem. O plano é pousá-lo em uma barca marítima chamada Jacklyn.

Assim como sua principal concorrente, a SpaceX, que domina o mercado de lançamentos comerciais, os foguetes da Blue Origin são projetados para serem parcialmente reutilizáveis, reduzindo custos operacionais.

A empresa havia tentado realizar o primeiro pouso bem-sucedido do New Glenn em janeiro, mas uma falha na reativação dos motores fez o foguete sair de trajetória.

Mesmo assim, a falha no pouso não compromete o sucesso geral da missão, já que o principal objetivo de qualquer lançamento é entregar a carga com segurança na órbita. No entanto, a Blue Origin já deixou claro que a recuperação e o reuso de partes de seus foguetes são fundamentais para seu modelo de negócios.

Nos últimos dez meses, a companhia concentrou-se em ajustar o New Glenn com o objetivo de garantir um pouso bem-sucedido do propulsor nesta nova tentativa.

Uma missão marcante para Marte

Ao alcançar a órbita, o New Glenn realizará uma das tarefas mais empolgantes que um foguete pode ter: entregar os satélites gêmeos Escapade em direção ao Ponto de Lagrange 2 (L2) — uma região de equilíbrio gravitacional localizada a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra.

Esses pontos são valiosos para diversos tipos de missões, pois permitem que espaçonaves permaneçam em órbita por longos períodos gastando pouca energia. O Telescópio Espacial James Webb, por exemplo, está atualmente em órbita ao redor do L2.

No caso da Escapade, os satélites usarão o L2 como uma espécie de “rota alternativa”, aguardando o momento em que Marte esteja mais próximo da Terra em sua órbita. Em 2026, quando a próxima janela de transferência para Marte se abrir, eles deixarão o L2, farão uma breve passagem pela Terra e, então, partirão para sua viagem final ao planeta vermelho.

Independentemente da data exata do lançamento, ambos os satélites devem entrar na órbita de Marte em setembro de 2027, iniciando então sua missão científica principal.

Liderada pela Universidade da Califórnia, em Berkeley, a missão estudará a atmosfera marciana, investigando por que o planeta perdeu sua antiga atmosfera densa e avaliando as condições de radiação para futuros exploradores humanos.

Durante a missão, os dois satélites farão medições simultâneas em diferentes regiões da alta atmosfera e magnetosfera de Marte, variando entre 160 e 10.000 quilômetros de altitude, para compreender melhor os processos que afetam o clima e o ambiente do planeta.

A Escapade faz parte do programa SIMPLEx (Small, Innovative Missions for Planetary Exploration) da NASA, que busca promover o uso de espaçonaves pequenas e de baixo custo para realizar pesquisas científicas. O custo estimado da missão é inferior a 100 milhões de dólares, bem abaixo dos 300 a 600 milhões normalmente gastos em satélites que orbitam Marte.

Veja o momento

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