Brasil é termômetro para avaliar futuro do Instagram, diz VP da rede social

Charles Porch conversou com a CNN sobre mercado brasileiro para rede social, que acumulou mais de 3 bilhões de usuários globalmente

Gabriela Piva, da CNN Brasil
Charles Porch, vice-presidente global de parcerias do Instagram  • Divulgação/Meta
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O Brasil serve como termômetro para as novas tendências do Instagram. Pelo menos, é o que afirmou Charles Porch, vice-presidente global de parcerias do Instagram, à CNN. Ele conversou com a reportagem para falar do aniversário de 15 anos da plataforma, celebrado nesta segunda-feira (6), que alcançou 3 bilhões de usuários no mundo todo recentemente, segundo dados do app.

Para ele, o Brasil é um lugar extremamente engajado nas redes sociais. "Da forma como vejo o Brasil, é quase a partir de uma perspectiva de produto — para entender como o comportamento em torno das ferramentas funciona", começou Porch.

Em junho de 2025, o país registrou cerca de 146,1 milhões de usuários no Instagram, de acordo com dados da empresa de software NapoleonCat. Já a população nacional chegou a 213,4 milhões de habitantes, conforme estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica). Ou seja, se considerarmos usuários únicos, esse valor representa, aproximadamente, 68,5% da população brasileira.

"Acho que [o Brasil] é um ótimo termômetro para enxergar, de certa forma, como pode ser o futuro do uso da plataforma. É interessante observar como as novidades são adotadas no Brasil e como as pessoas usam isso para alimentar e desenvolver sua criatividade. E acredito que isso nos dá muitos sinais que podem nos ajudar em outros países no futuro".

Porch não revelou quais são as próximas novidades do Instagram, que, recentemente, apresentou um novo formato de vídeo no app. No entanto, ele garantiu que a Meta vai intensificar o uso do vídeo.

"Olha, eu acho que mais da metade — cerca de metade do tempo gasto no Instagram — é nos Reels, mais da metade mesmo, então vamos investir pesado nisso. O mundo hoje é centrado em vídeo, e a geração atual também. Por isso, vocês certamente verão a gente adotar cada vez mais uma abordagem guiada pelo vídeo em tudo o que fazemos", afirmou.

E o futuro da monetização para influenciadores?

Se o vídeo é a aposta principal do Instagram, a monetização pode ser um desafio para a plataforma na visão dos influenciadores digitais. Porch diz que os números de engajamento — e não a quantidade de seguidores — são fundamentais para melhorar o alcance dos criadores de conteúdo.

"Alguns dos criadores de maior sucesso que vejo podem até não ter milhões de seguidores — às vezes têm 200 mil, mas esses 200 mil são altamente engajados. E quando você tem um público assim, a vantagem é que ele provavelmente converte mais, certo? Porque sente mais proximidade com você. É um tipo muito específico de seguidor, realmente investido no que você vai fazer", completou.

Alguns desses influenciadores também dizem ser mais difícil ganhar dinheiro com as ferramentas de monetização do Instagram em comparação com outras redes sociais, como o TikTok — nesta rede, é possível cumprir missões diárias, por exemplo, para ganhar pontos que podem ser trocados por dinheiro ou benefícios.

"Cada plataforma de mídia social é estruturada de um jeito quando se trata de monetização. E eu diria que, no nosso caso, realmente apostamos em dar às pessoas liberdade para monetizar da forma que quiserem", disse.

Para ele, a principal fonte de monetização do Instagram é o conteúdo de marca — quando criadores fazem parcerias com empresas para construir negócios e gerar receita: "Nós não ficamos com nenhuma parte disso, não interferimos. Esse tem sido o principal caminho, e é o que os próprios criadores nos dizem ser o mais eficaz".

Com isso, o futuro da plataforma fica no fortalecimento dos vídeos e do conteúdo de marca. Assim, o Brasil, a partir dos milhões de usuários, deve continuar sendo um modelo para verificar o que funciona, ou não, na rede social.