Buscas por cometa sobem após comportamento incomum do 3I/ATLAS

Corpo celeste de fora do nosso Sistema Solar tem gerado curiosidade durante sua passagem

Fernanda Pinotti, da CNN Brasil
Imagem do cometa interestelar 3I/ATLAS em 21 de julho, captada pelo Hubble  • Nasa
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O cometa "visitante" 3I/ATLAS vem ganhando destaque na mídia nas últimas semanas por seu comportamento incomum. Além de chamar atenção dos cientistas, o corpo celeste tem sido alvo de especulações e até de teorias envolvendo alienígenas.

A curiosidade sobre este objeto vindo de fora do nosso Sistema Solar tem causado, inclusive, um aumento nas buscas sobre "cometa" no Google nos últimos dias, segundo dados do Google Trends.

Buscas no Google por "cometa" crescem ao longo dos últimos 3 meses no Brasil • Google Trends
Buscas no Google por "cometa" crescem ao longo dos últimos 3 meses no Brasil • Google Trends

Comportamento incomum do cometa 3I/ATLAS

O 3I/ATLAS foi detectado em 1º de julho de 2025 pelo telescópio ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert Survey System), localizado em Río Hurtado, no Chile.

Ele é apenas o terceiro corpo celeste de fora do nosso Sistema Solar já registrado passando por nossa vizinhança cósmica. Por isso se sabe tão pouco sobre ele e sobre suas origens.

Segundo a Nasa, não é preciso se preocupar, pois o cometa não representa nenhuma ameaça à Terra e permanecerá distante. O mais próximo que ele chegará do nosso planeta é cerca de 1,8 unidades astronômicas (cerca de 270 milhões de quilômetros).

Composição química

Um estudo baseado em observações do Telescópio Espacial James Webb (JWST) revelou alguns detalhes incomuns sobre o 3I/ATLAS, como uma coma (a nuvem de gás e poeira ao redor do núcleo do cometa) dominada por dióxido de carbono (CO₂). Esta é uma concentração jamais vista em cometas.

Além disso, o 3I/ATLAS contém aproximadamente oito vezes mais dióxido de carbono do que água, o que ultrapassa em mais de seis vezes o limite de variação esperado.

Como o objeto está viajando a uma velocidade acima de 210 mil km/h, os pesquisadores estão em uma verdadeira corrida contra o tempo para extrair o máximo de informações sobre a composição química.

Além de confirmar a procedência extrassolar do 3I/ATLAS, o JWST estimou que o cometa possui um núcleo sólido entre 320 metros e 5,6 quilômetros de diâmetro, com uma atividade de emissão de água (OH) detectada a distâncias superiores a três unidades astronômicas do Sol (450 milhões de km).

Cometa mais antigo já visto

O 3I/ATLAS pode ser o cometa mais antigo já observado até hoje. Segundo um modelo computacional desenvolvido pela equipe que o descobriu, o visitante espacial teria mais de sete bilhões de anos, ou seja, mais velho que o Sistema Solar.