Caranguejo preservado em âmbar de 100 milhões de anos viveu entre os dinossauros

Cientistas consideram este o fóssil de caranguejo mais completo já descoberto

Primeiro caranguejo âmbar da era dos dinossauros a ser observado
Primeiro caranguejo âmbar da era dos dinossauros a ser observado Lida Xing/China University of Geosciences, Beijing

Katie Huntda CNN

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Fósseis preservados em âmbar estão entre os achados mais fascinantes da paleontologia nos últimos anos – são globos de resina de árvores antigas, endurecidos, que capturaram detalhes tentadores sobre aranhas, lagartos, animais microscópicos, insetos, pássaros e até mesmo um pequeno dinossauro que muitas vezes não existe nos fósseis encontrados em rochas.

No entanto, todas essas criaturas eram espécies terrestres que você poderia esperar encontrar em um tronco ou galho de árvore. Agora, os cientistas encontraram o animal aquático mais antigo preservado em âmbar – e é o fóssil de caranguejo mais completo já descoberto.

“A espécime é espetacular, é única. É absolutamente completa e não falta um único fio de cabelo no corpo, o que é notável”, disse Javier Luque, pesquisador de pós-doutorado do Departamento de Biologia Organísmica e Evolutiva da Universidade de Harvard , em um comunicado à imprensa. Ele foi o principal autor do estudo publicado na revista Science Advances.

Os cientistas chineses, americanos e canadenses que trabalharam na espécime de âmbar, originária do norte de Mianmar, chamaram o minúsculo caranguejo de Cretapsara athanata. O nome faz referência ao Cretáceo, o período da era dos dinossauros durante o qual esse caranguejo viveu, e Apsara, um espírito das nuvens e das águas na mitologia do Sul e Sudeste Asiático. O nome da espécie é baseado em “athanatos”, que significa imortal em grego, referindo-se à sua preservação natural em âmbar.

Primeiro caranguejo âmbar da era dos dinossauros a ser observado / Lida Xing/China University of Geosciences, Beijing

Na aparência, a criatura de 100 milhões de anos se parece superficialmente com os caranguejos que correm pelas costas hoje. A tomografia computadorizada revelou partes delicadas do corpo como antenas, guelras e pelos finos nas partes bucais. A criatura tinha apenas 5 milímetros de comprimento e provavelmente era um bebê caranguejo.

Os pesquisadores acham que o Cretapsara não era um caranguejo marinho nem habitava completamente na terra. Eles acham que ele teria vivido em água doce, ou talvez salobra, no solo da floresta. Também era possível, eles disseram, que ele estivesse migrando para a terra como os famosos caranguejos vermelhos da Ilha do Natal, que soltam seus filhotes no oceano e depois voltam para a terra.

Enquanto os fósseis de caranguejos mais antigos datam do período Jurássico, há mais de 200 milhões de anos, os fósseis de caranguejos não marinhos são esparsos e em grande parte incompletos.

Os pesquisadores disseram que o Cretapsara prova que os caranguejos deram o salto do mar para a terra e água doce durante a era dos dinossauros, não durante a era dos mamíferos, como se pensava anteriormente, empurrando a evolução dos caranguejos não marinhos para um período muito mais distante.

Enquanto a maioria dos caranguejos vivem em um ambiente marinho, alguns podem viver em terra ou em água doce, outros podem subir em árvores / Javier Luque/Harvard University

“No registro fóssil, os caranguejos não marinhos evoluíram há 50 milhões de anos, mas esse animal tem o dobro dessa idade”, disse Luque.

Fósseis de âmbar da era dos dinossauros são encontrados apenas em depósitos do estado de Kachin, no norte de Mianmar, e preocupações éticas sobre a proveniência do âmbar da região surgiram nos últimos anos.

A Sociedade de Paleontologia de Vertebrados pediu uma moratória na pesquisa sobre âmbar proveniente de Mianmar depois de 2017, quando os militares do país assumiram o controle de algumas áreas de mineração de âmbar.

Os autores deste estudo disseram que a espécime de âmbar foi adquirida pelo Longyin Amber Museum de um vendedor na cidade de Tengchong, perto da fronteira com Mianmar, no sul da China, em agosto de 2015.

Eles esperavam que “a realização de pesquisas em espécimes coletadas antes do conflito e o reconhecimento da situação no Estado de Kachin sirvam para aumentar a conscientização sobre o atual conflito em Mianmar e o custo humano por trás dele”.

Reconstrução artística da espécie “Cretapsara athanata” / Franz Anthony/courtesy Javier Luque

(Texto traduzido, leia original em inglês aqui)

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