Caudas de jacarés podem crescer novamente de forma parecida com as de lagartixas

Pesquisadores afirmam que entender essas limitações pode ajudar no desenvolvimento de terapias regenerativas em humanos. 

O jacaré-americano, espécie comum nos Estados Unidos
O jacaré-americano, espécie comum nos Estados Unidos Foto: Ruth Elsey/Louisiana Department of Wildlife and Fisheries

Marika Gerken,

da CNN

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Pequenos répteis como lagartos e lagartixas são conhecidos por sua extraordinária habilidade de regenerar suas caudas, uma característica que pode salvar suas vidas na natureza. Só que esses répteis não são os únicos animais da família amniota com capacidade de regeneração.

Pesquisadores norte-americanos ficaram surpresos ao descobrir que os jacarés jovens também têm a capacidade de deixar suas caudas crescerem até 23 centímetros, ou até 18% do comprimento total do corpo, de acordo com um novo estudo publicado na revista “Scientific Reports”.

Uma equipe de cientistas da Universidade do Estado do Arizona (ASU) e do Departamento de Vida Selvagem e Pesca da Louisiana, nos EUA, usou técnicas de imagem avançadas junto com métodos, testados pelo tempo, de estudo da anatomia e organização de tecidos. Eles mostraram que as caudas crescidas dos jacarés-americanos tinham um esqueleto de cartilagem central sem nenhum osso, exibindo características de regeneração e reparo de feridas.

Anatomia jacaré
Cauda do jacaré-americano (Alligator mississippiensis) regenerada e radiografia mostrando osso (estruturas segmentadas brancas) e cartilagem (estrutura central cinza menos brilhante)
Foto: Ruth Elsey/Louisiana Department of Wildlife and Fisheries

“O esqueleto regenerado era cercado por tecido conjuntivo e pele, mas carecia de qualquer músculo esquelético, com o qual as caudas dos lagartos se regeneram”, detalhou Kenro Kusumi, coautor sênior do estudo, professor e diretor da Escola de Ciências da Vida e reitor associado da Faculdade de Artes e Ciências Liberais da ASU.

Mesmo uma cauda sem músculos regenerada é vital para grandes predadores, acrescentou Kusumi.

A equipe de pesquisadores afirma que entender essas limitações pode ajudar no desenvolvimento de terapias regenerativas em humanos. 

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“Sabemos que os humanos, que são incapazes de se regenerar, têm as mesmas células e caminhos usados para se regenerar presentes nesses outros animais”, afirmou Jeanne Wilson-Rawls, coautora sênior do estudo e professora associada da Escola de Ciências da Vida da ASU.

“Se este animal muito grande de membros longos tiver essa habilidade, será que podemos aproveitar isso para ajudar as pessoas que perderam membros ou vítimas de queimaduras que precisam de regeneração da pele?”

Kusumi rapidamente acrescentou que esse tipo de avanço não é algo que vai acontecer da noite para o dia. Mas, talvez, até o final do século seja possível.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).

 

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