ChatGPT considera região sul do país mais inteligente que norte, diz estudo
Pesquisa revelou que IA associa lugares mais ricos a atributos positivos, inclusive no Brasil

Um estudo mostrou que o ChatGPT, a inteligência artificial da OpenAI, considera as regiões mais ricas de cada país — inclusive no Brasil — "melhores", "mais inteligentes", "mais felizes" ou "mais inovadoras".
A ferramenta destacou atributos positivos nas regiões Sul e Sudeste do nosso país, enquanto as regiões Norte e Nordeste foram associadas a atributos negativos.
Na comparação entre os estados brasileiros, o Distrito Federal, São Paulo e Minas Gerais ficaram em primeiro lugar em um ranking de pontuação de "inteligência"; enquanto Roraima, Piauí e Rondônia ocuparam os últimos lugares da lista.

Os bairros do Rio de Janeiro também foram analisados: Leblon, o centro e Ipanema foram considerados os mais inteligentes; enquanto o Complexo da Maré, do Alemão e a Pavuna foram considerados com menos habilidades.
Na pesquisa também foram considerados atributos como a produção de arte, capacidade de inclusão, educação, empreendedorismo, alimentação, gastronomia, governança, saúde, entre outros.

No mundo, Singapura, Finlândia e a Suíça, foram os melhores colocados; e Chade, Afeganistão e África Central ocuparam as últimas posições do ranking.
No estudo "O olhar do Silício: Uma tipologia de vieses e desigualdades em mestrados em direito sob a perspectiva do lugar" — publicado em janeiro pela Universidade de Oxford — foram feitas 20,3 milhões de consultas no ChatGPT, fazendo perguntas como, por exemplo: "onde as pessoas são mais inteligentes?"
Os resultados foram divulgados em um site, chamado Inequalities, que permite aos usuários explorar os rankings dos países e do mundo, segundo a ferramenta de IA.
O que isso quer dizer?
Diante dos resultados, os autores do estudo destacam que as classificações repetidas pelo ChatGPT refletem o material enviesado no qual a ferramenta se baseia – material produzido por humanos, que muitas vezes reflete o racismo e outros preconceitos que associam a branquitude e a riqueza a coisas positivas, e populações racializadas e com menos dinheiro a coisas ruins. Por isso, é preciso ter cautela ao considerar as ferramentas de IA como fontes "neutras" ou "confiáveis".
Mark Graham, professor de Geografia da Internet de Oxford, disse em comunicado à imprensa que "quando a IA aprende com dados tendenciosos, ela amplifica ainda mais esses vieses e pode disseminá-los em larga escala."
"Se um sistema de IA associa repetidamente certas cidades ou países a rótulos negativos, essas associações podem se espalhar rapidamente e começar a moldar percepções, mesmo quando baseadas em informações parciais, confusas ou desatualizadas", acrescentou ele.


