Cientistas descobrem o ‘menor réptil do mundo’, que tem menos de 2,5 centímetros

O Brookesia nana é diferente de qualquer outro vertebrado ou espécie de camaleão. Ele não consegue mudar de cor e se sente mais confortável no chão da floresta

Brookesia nana, ou “nano-camaleão”, foi descoberto por Frank Glaw
Brookesia nana, ou “nano-camaleão”, foi descoberto por Frank Glaw Foto: Frank Glaw/Divulgação

Scottie Andrew, da CNN

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O menor réptil do mundo pode acomodar-se na ponta do seu dedo. Ele é conhecido como Brookesia nana, ou “nano-camaleão”, e é um lagarto com manchas marrons que normalmente não ultrapassa os 2,5 centímetros de comprimento. 

Antes de 2012, os biólogos não sabiam que ele existia. Mas os pesquisadores que o descobriram ainda estão perplexos para entender por que ele continua tão pequeno enquanto a maioria dos vertebrados cresce em tamanho quando fica adulta.

O Brookesia nana é diferente de qualquer outro vertebrado ou espécie de camaleão. Ele não consegue mudar de cor e se sente mais confortável no chão da floresta do que em árvores.

Esse camaleão singular ganhou destaque depois de um artigo publicado na semana passada no periódico Scientific Reports.

Em 2012, pesquisadores alemães, liderados pelo herpetólogo Frank Glaw, viajaram para as florestas de Madagascar, uma das áreas mais biologicamente diversas do mundo, em busca de espécies de répteis e anfíbios desconhecidos. Todos ficaram surpresos com o que descobriram.

“Nós esperávamos encontrar algumas novas espécies, mas não especificamente o menor dos camaleões”, disseram Glaw e Oliver Hawlitschek, co-autor dos estudos, em um e-mail para a CNN.

A maioria dos répteis machos é maior do que as fêmeas, mas no surpreendente Brookesia nana não é assim. Enquanto o macho tinha pouco mais de 2 centímetros de comprimento, a fêmea tinha 2,89 centímetros. As fêmeas são maiores que os machos provavelmente para acomodar os ovos, disseram Glaw e Hawlitschek.

Por que o nano-camaleão é tão incomum

É incomum para um adulto vertebrado permanecer tão pequeno. À medida que os vertebrados, que incluem mamíferos e répteis, evoluíram, o tamanho deles também evoluiu – de acordo com a pesquisa, pensava-se anteriormente que animais extremamente pequenos como esse camaleão “enfrentariam desafios fisiológicos que limitariam novas reduções de tamanho”. 

A maioria dos vertebrados cresce à medida que se desenvolve, mas não esses camaleões. Eles são um exemplo de “pedomorfismo” ou a retenção de traços juvenis na maturidade. Os cientistas não têm certeza de por que o Brookesia nana e outras espécies relacionadas permanecem tão pequenas enquanto a maioria dos outros vertebrados continua crescendo. Mas este camaleão faz isso funcionar.

Para se reproduzir com a fêmea, o macho tem um hemipênis – o órgão sexual interno que é exposto durante a reprodução – que é maior em tamanho em relação ao seu corpo em comparação com outros camaleões, dizem os pesquisadores. 

“Provavelmente, o macho precisa de um hemipênis particularmente grande para ser capaz de copular”, disseram Glaw e Hawlitschek. 

O camaleão está presumidamente em perigo

Embora pouco se saiba sobre esses minúsculos camaleões, Glaw e Hawlitschek presumem que os répteis estejam criticamente ameaçados, devido ao grande desmatamento na região de Sorata, em Madagascar, onde o Brookesia nana é encontrado.

Pelo menos 13 outras espécies do grupo Brookesia estão espalhadas por Madagascar, embora algumas delas tenham cerca de 5 centímetros de comprimento. Os camaleões da ilha têm uma proporção maior de espécies ameaçadas, em comparação com outros grupos de répteis como lagartixas, escreveram os pesquisadores. 

Mas, desde que o Brookesia nana foi descoberto, as autoridades de Madagascar estabeleceram uma reserva em Sorata para proteger os habitats florestais que sobreviveram ao desmatamento e as espécies que vivem dentro deles. 

Provavelmente, existem muitas outras espécies que ainda não foram descobertas em Madagascar, disseram Glaw e Hawlitschek. As regiões tropicais são pontos ricos em biodiversidade, disseram eles. 

“Muitas pessoas acreditam que a maioria das espécies na Terra já é conhecida pelos cientistas – mas não é o caso”, disseram eles.

Enquanto isso, Glaw, Hawlitschek e outros continuarão estudando os minúsculos camaleões para aprender mais sobre como eles ficaram tão pequenos, por que o hemipênis deles é tão grande em comparação com o resto do corpo, e como protegê-los e aos seus parentes pequenos.

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