Cientistas descobrem possível novo planeta “próximo” à Terra

Exoplaneta é um dos mais leves já encontrados e orbita a estrela anã vermelha Proxima Centauri a 40,2 trilhões de quilômetros de distância

Ilustração de Proxima d, um candidato a planeta recentemente encontrado orbitando a estrela anã vermelha Proxima Centauri, a estrela mais próxima do nosso Sol.
Ilustração de Proxima d, um candidato a planeta recentemente encontrado orbitando a estrela anã vermelha Proxima Centauri, a estrela mais próxima do nosso Sol. ESO/L. Calçada

Ashley Stricklandda CNN*

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Nós podemos ter um novo vizinho planetário orbitando a apenas quatro anos-luz de distância.

Os astrônomos detectaram evidências de um terceiro planeta orbitando a Proxima Centauri, o vizinho estelar mais próximo do nosso Sol, a 40,2 trilhões de quilômetros de distância.

Um ano-luz, a distância que a luz percorre em um ano no vácuo, é equivalente a cerca de 9,46 trilhões de quilômetros. Com uma massa de cerca de um quarto da massa da Terra, o objeto rochoso é um dos exoplanetas mais leves já encontrados.

Um estudo detalhando a descoberta publicado na quinta-feira (10) na revista Astronomy & Astrophysics.

A pequena e fraca estrela anã vermelha tem apenas um oitavo da massa do Sol e já abriga um planeta confirmado que é do tamanho da Terra e, possivelmente, um segundo candidato a planeta mais distante.

Condições possíveis para a vida

Este último planeta detectado, chamado Proxima d, completa uma órbita ao redor da estrela a cada cinco dias terrestres. Ele está apenas a cerca de 4 milhões de quilômetros da estrela, que é menos de um décimo da distância entre Mercúrio e o Sol em nosso Sistema Solar.

Como o planeta mais próximo do Sol, Mercúrio termina uma órbita em torno dele a cada 88 dias.

O primeiro planeta encontrado no sistema, Proxima b, foi confirmado em 2020. Ele é do tamanho da Terra e orbita a estrela a cada 11 dias.

Ele existe dentro da zona habitável, ou seja, a distância de uma estrela onde as condições são adequadas para a existência de água líquida, um dos principais ingredientes para a vida como a conhecemos, na superfície do planeta.

No que diz respeito aos seus vizinhos, Proxima d está muito perto da estrela para estar na zona habitável, e Proxima c, que leva cerca de cinco anos para orbitar a estrela, está muito distante.

“A descoberta mostra que a nossa vizinha estelar mais próxima parece estar repleta de novos mundos interessantes, ao alcance de mais estudos e futuras explorações”, disse em nota o autor principal do estudo, João Faria, pesquisador do Instituto de Astrofísica e Ciências Espaciais de Portugal, num declaração.

Esta ilustração mostra uma visão mais ampla de Proxima d (direita) enquanto orbita Proxima Centauri (esquerda). / ESO/L. Calçada

Astrônomos encontraram o Proxima d usando o Very Large Telescope do Observatório Europeu do Sul, no Chile. Os telescópios e instrumentos do observatório foram usados para encontrar e confirmar descobertas anteriores de planetas no sistema de Proxima Centauri.

Durante as recentes observações de acompanhamento do sistema, os astrônomos detectaram um sinal fraco de um objeto com uma órbita rápida ao redor da estrela.

Mais observações foram realizadas usando o instrumento altamente sensível Echelle Spectrograph for Rocky Exoplanets and Stable Spectroscopic Observations, conhecido pela sigla como ESPRESSO, no Very Large Telescope.

Os dados sugeriram que havia um possível planeta presente e que sua atração gravitacional estava puxando a estrela, em vez de mudanças na estrela.

“Depois de obter novas observações, conseguimos confirmar este sinal como um novo candidato a planeta”, disse Faria.

“Fiquei entusiasmado com o desafio de detectar um sinal tão pequeno e, ao fazê-lo, descobrir um exoplaneta tão próximo da Terra.”

Observações futuras do candidato a planeta podem confirmar que o Proxima d é de fato o terceiro mundo conhecido por orbitar esta estrela.

Um método para identificar planetas semelhantes à Terra

Os exoplanetas ao redor da Proxima Centauri foram encontrados através o método indireto de velocidade radial, quando a gravidade de um objeto em órbita puxa uma estrela e faz com que ela oscile levemente, em vez de observar quedas na luz das estrelas quando os planetas passam na frente delas, chamado método de trânsito.

Mas esta é a primeira vez que o método da velocidade radial foi usado para encontrar um planeta tão leve.

“Esta conquista é extremamente importante”, disse em nota Pedro Figueira, cientista do instrumento ESPRESSO.

“Isso mostra que a técnica da velocidade radial tem o potencial de revelar uma população de planetas leves, como o nosso, que se espera serem os mais abundantes em nossa galáxia e que podem potencialmente hospedar a vida como a conhecemos”.

Os pesquisadores acreditam que observações futuras ainda podem revelar mais detalhes e até mesmo planetas adicionais dentro do sistema.

“Este resultado mostra claramente do que o ESPRESSO é capaz e me faz pensar no que ele poderá encontrar no futuro”, disse Faria.

 

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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