Coalas serão vacinados contra clamídia pela primeira vez no mundo
Após 10 anos de desenvolvimento, pesquisadores australianos criam primeira vacina do mundo para proteger marsupiais ameaçados de extinção contra doença fatal

Uma vacina utilizada para tratar clamídia na população de coalas da Austrália foi aprovada para distribuição, em um projeto pioneiro mundial.
Pesquisadores da Universidade da Sunshine Coast dedicaram mais de 10 anos ao desenvolvimento de uma vacina de dose única para proteger o famoso marsupial australiano dos efeitos da clamídia, que incluem infecções do trato urinário, infertilidade, cegueira e morte, informou a universidade em comunicado nesta quarta-feira (10).
A clamídia é responsável por metade das mortes de coalas nas populações selvagens do país, que são encontradas predominantemente nas florestas de eucalipto ao longo da costa leste da Austrália.
"Algumas colônias individuais estão se aproximando cada vez mais da extinção local, particularmente no Sudeste de Queensland e em Nova Gales do Sul, onde as taxas de infecção dentro das populações frequentemente chegam a 50% e, em alguns casos, podem atingir até 70%", afirmou Peter Timms, professor de microbiologia do Centro de Bioinovação da UniSC, em comunicado.
Frequentemente utilizados como símbolo da cultura australiana, os peludos marsupiais cinzentos podem ser encontrados apenas na Austrália e são considerados ameaçados de extinção em Queensland, Nova Gales do Sul e no Território da Capital Australiana. Além das doenças, as criaturas são vulneráveis à perda de habitat, ataques de animais e atropelamentos, e foram classificados como criticamente ameaçados em 2022, segundo o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) da Austrália.
Eles também são frequentemente vítimas dos devastadores incêndios florestais que têm assolado a Austrália durante os meses de verão nos últimos anos.
Este ano, cerca de 860 coalas no Parque Nacional Budj Bim foram abatidos por tiros disparados do ar para "reduzir o sofrimento" após um incêndio florestal, segundo informou a 9News, afiliada da CNN.
Anteriormente, antibióticos eram utilizados para tratar clamídia em coalas, mas os medicamentos frequentemente interferiam em sua capacidade de digerir sua principal fonte de alimentação, as folhas de eucalipto, levando-os à morte por inanição.
Agora aprovada pela Autoridade Australiana de Pesticidas e Medicamentos Veterinários para produção e uso generalizado, a vacina contra clamídia já foi testada em centenas de coalas selvagens e em cativeiro, segundo a UniSC, que destacou que o imunizante já havia sido testado em múltiplas gerações do animal em um estudo publicado no ano passado.
"Este estudo descobriu que a vacina reduziu a probabilidade de coalas desenvolverem sintomas de clamídia durante a idade reprodutiva e diminuiu a mortalidade causada pela doença em populações selvagens em pelo menos 65%", afirmou o pesquisador Sam Phillips, que liderou o estudo, considerado o maior e mais longo já realizado com coalas selvagens.
"A vacina é baseada na proteína principal da membrana externa (MOMP) da Chlamydia pecorum e oferece três níveis de proteção — redução da infecção, prevenção da progressão para doença clínica e, em alguns casos, reversão dos sintomas existentes", acrescentou.
Em humanos, a clamídia é uma infecção bacteriana sexualmente transmissível que pode causar infertilidade se não for tratada.
A doença se espalha nas populações de coalas através da reprodução e do comportamento social ligado ao acasalamento. Além disso, os filhotes de coala — conhecidos como joeys — podem contrair a doença de suas mães.


