Com morte de corais, mundo ultrapassa 1º ponto de não-retorno climático

Informações foram divulgadas nesta segunda-feira (13), no relatório Global Tipping Points 2025

Fernanda Pinotti, da CNN Brasil
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A Terra pode ter ultrapassado seu primeiro ponto de não-retorno relacionado às mudanças climáticas: o branqueamento dos recifes de corais à medida que a água dos oceanos esquenta. A informação é do relatório Global Tipping Points 2025, divulgado nesta segunda-feira (13).

O documento, elaborado por 160 cientistas de mais de 20 países, indica que já estamos vivendo em uma "nova realidade" caso os pontos de não-retorno estejam, realmente, sendo ultrapassados. A morte dos recifes de corais é a mais alarmante, mas não é a única mudança que pode não ter volta.

"Já com um aquecimento global de 1,4 °C, os recifes de corais de águas quentes estão ultrapassando seu ponto de inflexão térmico e sofrendo uma perda sem precedentes, prejudicando os meios de subsistência de centenas de milhões de pessoas que dependem deles", diz o texto.

Os recifes de coral de águas quentes registraram os piores níveis de branqueamento da história entre 2023 e 2025. Considerados um dos sistemas mais vulneráveis ao aquecimento global, eles abrigam cerca de um quarto de todas as espécies marinhas do mundo.

"A estimativa central do ponto de inflexão térmica para recifes de corais de água quente de 1,2 °C de aquecimento global acima do pré-industrial já foi excedida e, sem uma mitigação climática rigorosa, o limite térmico superior de 1,5 °C pode ser atingido nos próximos 10 anos, comprometendo o funcionamento dos recifes e a prestação de serviços ecossistêmicos a milhões de pessoas", acrescenta o relatório.

"Mesmo sob os cenários de emissão mais otimistas de estabilização do aquecimento em 1,5 °C, sem qualquer ultrapassagem, considera-se que os recifes de corais de água quente têm virtualmente certeza (>99% de probabilidade) de não retornar, dado que a faixa superior de seu ponto de inflexão térmica é de 1,5 °C."

O relatório Global Tipping Points 2025 também apontou outros estudos de caso que também pode estar próximos do ponto de não-retorno, como o derretimento das camadas de gelo polares e a combinação entre a seca intensa e o desmatamento na Amazônia.

Os cientistas ainda destacaram que a maioria dos pontos de não-retorno "devem amplificar o aquecimento global se forem ultrapassados, tornando mais difícil o retorno a níveis mais baixos de aquecimento global".