Década dos Oceanos começa nesta segunda; ideia é informar para preservar

Data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU)

Agência Brasil

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Pacto busca proteger melhor esta imensidão que absorve um terço do gás carbônico produzido pela atividade humana, retém o aquecimento global e serve à subsistência direta de bilhões de pessoas.
Foto: Reprodução/ Saeed Rashid/ ONU

A Década dos Oceanos, instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), começa nesta segunda-feira (8), com Dia Mundial dos Oceanos em todo o mundo. Diplomatas, ambientalistas e cientistas esperam que, nos próximos dez anos, a humanidade aumente o conhecimento sobre as águas, que cobrem 70% do planeta.

A ideia é que de proteja melhor esta imensidão que absorve um terço do gás carbônico produzido pela atividade humana, retém o aquecimento global e serve à subsistência direta de bilhões de pessoas.

Hoje também é o Dia Mundial dos Oceanos, instituído durante a conferência Rio-92 para promover a conservação de espécies e habitats, diminuir a poluição e a escassez de recursos em razão da sobrepesca.

“Fonte de bens e serviços que sustentam a humanidade, os oceanos são importantíssimos para o funcionamento do planeta e para o bem-estar. A gente precisa conhecer mais e cuidar mais”, disse Alexander Turra, professor titular do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP) e responsável pela cátedra Unesco para Sustentabilidade dos Oceanos.

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Turra, que também faz parte da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, afirmou que este momento de pandemia de Covid-19 “diminuiu o esforço de fiscalização nos oceanos”. Ele teme que o afrouxamento esteja sendo aproveitado para a sobrepesca e a pirataria.

De 2011 a 2018, houve uma média anual de 257 casos de pirataria marítima em todo o planeta, segundo o International Maritime Bureau (IMB).

Manchas de petróleo no oceano ainda sem explicação

Crimes marítimos e acidentes nos oceanos costumam ser de difícil investigação. Alexander Turra lembra que até hoje os brasileiros não sabem como 3,6 mil km do litoral, da Reserva Extrativista do Cururupu (Maranhão) até São João da Barra (Rio de Janeiro), foram atingidos por manchas de petróleo.

Por análise da composição molecular, sabe-se que o óleo foi extraído da Venezuela, mas não se sabe a causa da ocorrência da mancha, se criminosa ou acidental, como vazamento de uma embarcação ou naufrágio em alto-mar.

Turra lamenta que não seja possível saber o dano total do incidente e mesmo se os efeitos já cessaram. “Visualmente, o aspecto é de melhora, porém o efeito de longo prazo ainda está sendo avaliado. A gente não sabe qual é a sua magnitude”, disse ele. De acordo com dados da Marinha, foram recolhidas mais de 5 mil toneladas de óleo em 11 estados.

O pesquisador preocupa-se com a possibilidade de que “esse tipo de sinistro possa acontecer de novo”. Como forma de prevenção e controle, ele defende a pesquisa conjunta entre universidades federais e a Marinha. Turra também espera que haja uma melhora na fiscalização do tráfego marítimo internacional, inclusive com o monitoramento da interrupção de comunicação dos navios (transponder), que impede a rastreabilidade por embarcação.

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