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    Dia Mundial dos Oceanos: inteligência artificial mira recorde de partículas de plástico

    Um estudo apontou que cerca de 171 trilhões de partículas de plástico que, se reunidas, pesariam cerca de 2,3 milhões de toneladas, encontram-se nos oceanos do mundo

    O plástico flutua na Grande Mancha de Lixo do Pacífico
    O plástico flutua na Grande Mancha de Lixo do Pacífico The Ocean Cleanup

    Marina Toledoda CNN

    em Sâo Paulo

    Nesta quinta-feira (8) é celebrado o Dia Mundial dos Oceanos, ambiente que se tornou um problema mundial crescente nos últimos anos, devido à quantidade excessiva de resíduos presente nos mares e o aumento da temperatura da água.

    Um estudo feito por uma equipe de cientistas internacionais apontou que cerca de 171 trilhões de partículas de plástico que, se reunidas, pesariam cerca de 2,3 milhões de toneladas, encontram-se nos oceanos do mundo.

    A pesquisa descobriu um aumento “rápido e sem precedentes” na poluição plástica oceânica desde 2005, segundo o estudo publicado em março na revista Plos One.

    Em entrevista à CNN, a oceanógrafa física no Instituto Aqualie, Lúcia Alencar, destacou que os poluentes têm consequências devastadoras para a vida marinha, causando danos aos habitats costeiros, envenenando organismos e até criando zonas mortas onde a falta de oxigênio pode afetar a sobrevivência dos animais marinhos.

    “Os resíduos de plástico flutuam nos oceanos do mundo e são recolhidos pelas correntes oceânicas que os transportam milhares de quilômetros de onde se originaram”, disse.

    Dessa forma, muitas vezes não se sabe ao certo de onde veio determinado resíduo e dificulta a identificação de padrões, tendências e regiões mais afetadas por diferentes tipos de poluentes.

    As novas tecnologias, no entanto, desempenham um papel significativo na obtenção de novas descobertas e no combate à poluição marinha, conforme destacou o oceanógrafo Bruno Leonelle Garrote à CNN.

    “Com a utilização de algoritmos avançados, a inteligência artificial pode processar e analisar dados provenientes de diferentes fontes. Essa capacidade permite identificar áreas afetadas pela poluição, como vazamentos de petróleo, plástico ou poluentes químicos, e facilita a tomada de medidas corretivas mais eficazes e rápidas”, explicou Bruno.

    “A tecnologia atual pode analisar imagens de satélite, fotos aéreas e dados de sensores para detectar áreas afetadas pelo plástico e analisar a massa de plástico e número de partículas estimadas nos oceanos”, acrescentou Lúcia.

    Essas ferramentas permitem que abordagens mais específicas e eficazes para prevenir e combater a poluição plástica sejam adotas.

    Lúcia revelou que as tecnologias também têm desempenhado um papel importante na coleta de dados essenciais sobre os impactos das mudanças climáticas nos oceanos.

    “Por meio de bóias equipadas com sensores e satélites podemos monitorar parâmetros como temperatura da água, salinidade, teor de oxigênio e pH em diferentes regiões oceânicas”, disse.

    Além disso, várias tecnologias estão sendo desenvolvidas e usadas para ajudar a limpeza dos oceanos.

    “Uma abordagem passiva é instalar estruturas flutuantes estrategicamente posicionadas que prendem e concentram detritos à medida que se movem com as correntes oceânicas Essas técnicas de triagem são capazes de identificar e separar diferentes tipos de materiais, aumentando a eficiência da coleta e facilitando o processamento posterior”, disse a oceanógrafa.

    “Outra abordagem é usar navios projetados especificamente para limpar os oceanos. Essas embarcações apresentam tecnologia avançada de triagem e triagem para coletar e descartar com eficiência os detritos que flutuam no oceano”, completou.

    Compreender a circulação oceânica e as interações com a atmosfera é fundamental para entender o clima global.

    Os dois especialistas ressaltam, no entanto, que apesar da inteligência artificial e de novas tecnologias ajudarem a desmistificar os oceanos, elas não são a “salvação para combater a poluição marinha”.

    “Quando você tenta representar um fenômeno no mundo físico usando equações matemáticas, raramente obtém uma descrição correta do fenômeno”, explicou Lúcia.

    “Embora as tecnologias atuais sejam ferramentas poderosas, abordar os problemas oceânicos requer uma abordagem holística que inclua ações de conscientização, mudança de comportamento, política regulatória e cooperação internacional”

    Lúcia Alencar, oceanógrafa física

    Enquanto os números de poluentes aumentaram nos últimos anos, a conscientização social e empresarial dessa questão também cresceu, conforme destacou a oceanógrafa.

    “A crescente conscientização é resultado de múltiplas iniciativas, como movimentos ambientais, pesquisas científicas e esforços coletivos de diferentes partes interessadas. A crescente preocupação com o impacto da poluição em nossos oceanos está provocando mudanças no comportamento das pessoas e das empresas.”

    O coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental (CEDS) e professor de Responsabilidade Socioambiental, Sustentabilidade e Ética, Marcus Nakagawa, comentou sobre uma iniciativa que tem ganhado espaço no mercado.

    “Empresas têm feito produtos com plásticos vindo do mar, gerando uma limpeza dos oceanos, buscando, principalmente, plástico para ser reutilizando e começando a trabalhar nesse contexto” disse.