Elon Musk sobre missões em Marte: ‘Você pode não voltar vivo’

A SpaceX, empresa do bilionário, trabalha para desenvolver a tecnologia necessária para transportar humanos ao planeta vermelho

O CEO da Tesla e da SpaceX, Elon Musk
O CEO da Tesla e da SpaceX, Elon Musk Foto: Mike Blake - 13.jun.2019 / Reuters

Jackie Wattles, CNN Business

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Dificilmente existe alguém tão entusiasta de ir à Marte do que Elon Musk. Mas o bilionário voltou a ser notícia por admitir (novamente) o lado sombrio de seu sonho: “Provavelmente um monte de gente morrerá” no processo.

Musk fez a declaração durante uma entrevista com o fundador do XPrize, Peter Diamandis, na última semana. “É desconfortável. É uma longa jornada. Você pode não voltar vivo”, disse. E ainda acrescentou: “não vamos obrigar ninguém a ir, somente voluntários”.

Por décadas Musk fala sobre suas ambições interplanetárias. Inclsuive, a missão de sua empresa de foguetes, a SpaceX, é desenvolver a tecnologia necessária para transportar humanos de e para Marte.

Atualmente a empresa está testando (o que resultou em explosões, embora ninguém tenha se ferido) um veículo chamado Starship, que Musk aposta ser a primeira nave capaz de completar a viagem.

O entusiasta do espaço sempre falou sobre os perigos inevitáveis de seus planos em financiar uma viagem a Marte. A primeira vez que ele citou o risco de morte foi durante uma coletiva de imprensa virtual em agosto, em que disse que há uma “boa chance de morrer” numa das primeiras missões da SpaceX.

Essas previsões são comuns nos primeiros voos espaciais com humanos. Três astronautas morreram em um incêndio durante os testes de solo do programa Apollo da NASA no século passado e outros 14 morreram durante testes de ônibus espacial, nos desastres do Columbia e do Challenger.

Musk já havia dito que espera um dia viver em Marte, mas deixou claro que não faria parte de nenhuma das primeiras missões.

Ele reconheceu, no entanto, que reunir as tripulações para as primeiras missões a Marte será “como aquele anúncio de Shackleton indo para a Antártica”, referindo-se a publicação feita pelo explorador britânico Ernest Shackleton na virada do século XIX, quando procurou reunir uma tripulação para a primeira excursão à Antártica:

“Procura-se homens apaixonados por jornadas perigosas, pequenos salários, frio intenso, longos meses de escuridão total, perigo constante, retorno seguro duvidoso, honra e reconhecimento em caso de sucesso.” Reza a lenda que o suposto anúncio fez com que Shackleton recebesse mais de 5 mil respostas – historiadores questionam tanto a legitimidade da publicação como o alto número de interessados.

'Arco-íris' em foto de Marte é, na verdade, reflexo da lente da Perseverance
De acordo com a Nasa, ‘arco-íris’ visto em foto de Marte é, na verdade, reflexo da lente do rover Perseverance
Foto: Reprodução/NASAPersevere/Twitter

Os planos da SpaceX para um assentamento de Marte não trazem à tona inúmeras questões tecnológicas, políticas e éticas, mas também financeiro. A empresa levará ainda muitos e muitos anos para desenvolver toda a tecnologia necessária para a missão ser bem sucedida.

Além de todos estes empecilhos, o planeta também é um lugar extremamente letal para se visitar: humanos podem ser mortos pela exposição à radiação e a superfície do planeta tem pressão atmosférica tão baixa que o sangue de uma pessoa pode, literalmente, ferver.

Essas intempéries terão de fazer com que os colonos vivam permanentemente em habitats herméticos ou em trajes espaciais para mantê-los vivos – o que pode não ser tão confortável.

A NASA e outros pesquisadores têm estudado possíveis habitats e métodos de sobrevivência em Marte por décadas, mas ainda não encontraram respostas. Ainda assim, Musk disse que a SpaceX está avançando agressivamente com seus planos para desenvolver a tecnologia de foguetes necessária.

Ele realmente acredita não apenas que seja possível estabelecer um assentamento humano em Marte, como será crucial para a sobrevivência de nossa espécie no longo prazo.

No ano passado, ele também propôs um cronograma para levar a primeira tripulação à superfície até 2026. Caso a Terra se torne inabitável devido aos desastres naturais ou provocados pelo homem, segundo o bilionário, ter um planeta reserva será a melhor chance da humanidade.

(Esse texto é uma tradução. Para ler o original, em inglês, clique aqui)

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