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    “Fortaleza viva”, dinossauro austríaco era solitário, lento e tinha audição ruim

    Pesquisadores examinaram a caixa craniana desse herbívoro de 80 milhões de anos, pertencente ao gênero dos anquilossaurídeos

    Ilustração simula dinossauro que viveu há 80 milhões de anos na Áustria
    Ilustração simula dinossauro que viveu há 80 milhões de anos na Áustria Fabrizio De Rossi

    Ashley Stricklandda CNN

    Eram vidas solitárias as dos anquilossauros austríacos, dinossauros pertencentes a um grupo conhecido como “fortalezas vivas”. Com longos espinhos em seus pescoços e ombros, esses animais da família dos nodossaurídeos provavelmente eram solitários, lentos e não conseguiam ouvir muito bem, segundo um estudo publicado no periódico Scientific Reports.

    Pesquisadores examinaram a caixa craniana desse herbívoro de 80 milhões de anos, pertencente ao gênero dos anquilossaurídeos, conhecidos por suas caudas de clava, repletas de espinhos e com a ponta mais grossa.

    O fóssil do anquilossauro austríaco (Struthiosaurus austriacus) foi, como indica o nome, descoberto na Áustria e faz parte da coleção do Instituto de Paleontologia de Cisne desde os anos 1800.

    Embora alguns dos anquilossaurídeos pudessem atingir até 8 metros de comprimento, o austríaco é relativamente menor, com 2,7 metros de comprimento.

    Para entender melhor a audição e o equilíbrio desses animais, os pesquisadores estudaram a caixa craniana, por meio de um scanner de microtomografia, para criar um molde digital em 3D. Mesmo que o tecido cerebral tenha sido frágil demais para se preservar ao longo do tempo, a estrutura da caixa craniana perdura o pode revelar aspectos da vida dos dinossauros.

    O que a caixa craniana revelou

    O dinossauro tinha um flóculo do cerebelo muito pequeno. Essa é uma região importante para a fixação ocular quando a cabeça, o pescoço ou o corpo estão em movimento. A descoberta, aliada à forma semicircular dos canais do ouvido interno, sugere que o dinossauro se movia lentamente. Canais arredondados permitem maior sensibilidade do que semicirculares, que podem interromper o fluxo de vibrações e impulsos nervosos, segundo os cientistas.

    Em vida, esse animal teria sido muito passivo e lento. Em vez de agir como um agressor, ele teria “cuidado de si mesmo para sobreviver”, diz um dos autores do estudo, Marco Schade, paleontologista na Universidade de Greifswald, na Alemanha. O dinossauro não era cedo e era capaz de enxergar predadores se aproximando.

    “Enquanto alguns de seus ‘parentes’ provavelmente se defendiam com suas caudas, o Struthiosaurus provavelmente dependia mais de sua couraça característica”, empregando um estilo passivo de autodefesa, segundo Schade.

    A caixa craniana também revelou a menor cóclea já encontrada em um dinossauro. A cóclea é a parte de ouvido interno responsável pela audição — e o seu tamanho pode determinar o nível auditivo do animal.

    “Essas observações indicam um animal que se adaptou a um estilo de vida relativamente inativo, com interações sociais limitadas”, escreveram os pesquisadores.

    Pouco sociáveis

    Os cientistas acreditam que muitos dinossauros viveram e viajaram em grupos, mas essa espécie de anquilossauro possivelmente vivia de maneira solitária, devido à sua audição fraca. Struthiosaurus poderiam ser encontrados mastigando plantas rasteiras em regiões costeiras. Eles tinham uma mordida forte para mastigar vegetações mais duras.

    “A audição do animal obviamente não era bem desenvolvida e, então, se necessário, os Struthiosaurus se comunicavam [com outros] de outras maneiras, que não a vocalização”, disse em comunicado a coautora do estudo Cathrin Pfaff, pesquisadora associada e chefe da unidade de microtomografia do Instituto de Paleontologia da Universidade de Viena.

    No entanto, os anquilossauros austríacos “não eram completamente incapazes de ouvir os outros”, disse Schade. Assim como as tartarugas de hoje, eles provavelmente emitiam sons para se comunicar apenas quando absolutamente necessário.

    Agora, os pesquisadores querem examinar as caixas cranianas de outros anquilossauros europeus, para verificar se essas descobertas são específicas à espécie austríaca ou se representam características em comum entre outros dinossauros do mesmo gênero.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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