Nasa: rover Perseverance captura sons do helicóptero espacial Ingenuity em Marte

"Essa é uma ótima surpresa. A gravação será uma mina de ouro para entender a atmosfera marciana", disse especialista

O helicóptero Ingenuity ('engenhosidade'), companheiro do rover Perseverance
O helicóptero Ingenuity ('engenhosidade'), companheiro do rover Perseverance Foto: Nasa/JPL-Caltech

Luana Franzão*,

da CNN, em São Paulo

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A Nasa revelou nesta sexta-feira (7) que, pela primeira vez, uma nave gravou os sons de outro veículo espacial em um planeta diferente da Terra. O rover Perseverance, enviado a Marte para encontrar vestígios de vida de microorganismos e coletar material para outros estudos, usou um de seus dois microfones para gravar os sons do quarto voo do helicóptero Ingenuity, também no planeta vermelho.

As duas naves pertencem à missão Mars 2020, na da seara do Projeto de Exploração de Marte da agência americana. O Perseverance também gravou imagens do voo, mostrando a pequena interação entre os dois veículos no espaço.

O microfone que gravou o áudio do helicóptero movido a energia solar pertence ao instrumento de laser SuperCam, acoplado ao rover. O laser atinge rochas a distância e captura os sons do impacto entre ele e o local, informação que ajuda a revelar as propriedades físicas das rochas marcianas.

O Perseverance estava estacionado a cerca de 80 metros do Ingenuity, e por isso os pesquisadores temiam que não seria possível captar o áudio do voo. As hélices do helicóptero giram a 2.537 rpm (rotações por minuto), o que é considerada como uma velocidade alta. Mesmo assim, o som da rotação é quase sempre abafado pela atmosfera de Marte. Ter a capacidade de ouvir esses sons é um avanço importante para a Nasa.

Essa é uma surpresa ótima. Tínhamos feito testes e simulações que nos mostraram que o microfone seria quase incapaz de registrar os sons do helicóptero, pois a atmosfera de Marte abafa a propagação do som fortemente. Fomos sortudos em gravar o helicóptero a essa distância. Essa gravação será uma mina de ouro para entender a atmosfera marciana.

David Mimoun, professor de ciências planetárias no Instituto Superior de Aeronáutica e do Espaço, em Toulouse, na França

 

 

*sob supervisão

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