"O risco é terceirizar o pensamento", diz ex-diretor do Linkedin sobre IA
À CNN Brasil, Borja Castelar refletiu sobre o uso da tecnologia no ambiente de trabalho

A inteligência artificial está cada vez mais presente no dia a dia de empresas e facilitando a vida de funcionários que conseguem automatizar tarefas e otimizar o tempo de trabalho. Apesar de parecer uma alternativa fácil para as funções, o uso intensivo desse tipo de tecnologia pode dar a sensação de que o pensamento humano pode ser substituído.
À CNN Brasil, Borja Castelar, ex-diretor do LinkedIn para a América Latina e autor do livro "Human Skills", falou sobre a necessidade de se preservar o pensamento sensível e lógico para garantir a excelência dos resultados.
"Vivemos um excesso de informação e uma escassez de conexão. A IA informa, mas não cria vínculo. Ela responde, mas não convence. Comunicação e empatia são o que transformam conhecimento em influência, dados em decisões e estratégia em ação. Em um mundo automatizado, o humano vira o verdadeiro diferencial competitivo", disse.
De acordo com ele, um dos principais riscos de usar inteligência artificial no trabalho tem relação a sensação de que o pensamento pode ser substituído pela tecnologia. Ela deve ser usada como auxiliar, mas as decisões precisam ser tomadas por humanos.
Ao refletir sobre a influência dessa ferramentas na carreira de jovens que estão entrando agora no mercado de trabalho, Castelar comentou que: "Eles entram em um mercado onde o conhecimento técnico envelhece rápido. O que sustenta uma carreira hoje não é uma profissão, mas a capacidade de aprender continuamente, se adaptar e desenvolver habilidades humanas. A carreira deixou de ser um caminho fixo e passou a ser um processo constante de reinvenção".
Apesar de trazer riscos para desenvolver um trabalho de excelência, o ex-diretor do Linkedin ressaltou que a IA pode ser usada para alavancar a carreiras se for bem administrada.
Para construir um perfil nas redes sociais, por exemplo, ele diz que "a IA pode ajudar a estruturar melhor a mensagem, identificar palavras-chave e clarear o posicionamento. Mas ela deve ser uma ferramenta de apoio, não um atalho para parecer alguém que você não é. Autenticidade continua sendo impossível de automatizar. A IA organiza, mas a visão, a história e as decisões continuam sendo humanas".


