Patricia Travassos: tecnologia que conecta o Brasil com a realidade 

Sabemos que a tecnologia não faz nada sozinha. A infraestrutura que ainda exclui boa parte dos brasileiros do mundo digital ainda é um gargalo
Sabemos que a tecnologia não faz nada sozinha. A infraestrutura que ainda exclui boa parte dos brasileiros do mundo digital ainda é um gargalo Foto: Annie Spratt/Unsplash

Patrícia Travassosda CNN

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O que esperar do Brasil após as eleições? Fiz a pergunta para minha assistente virtual e a resposta foi: “isso está além das minhas capacidades”.

Se eu tivesse perguntado para a minha sobrinha da geração Z, provavelmente, teria tomado um fora. Ouviria algo como: “a pergunta já começou errada, tia! Esperar não é uma opção quando o desejo é de mudança”.

O que eu quero do Brasil após as eleições? E mais, como eu posso contribuir? Essas são as questões que cada brasileiro deveria se fazer para o espelho. Num país tão diverso e desigual, começar olhando o próprio entorno e se conectar com a realidade próxima parece um bom começo. E então, atacar um problema por vez, com a maior velocidade possível.

É assim que nascem as startups

Essas empresas diagnosticam uma “dor”, buscam um “remédio” e oferecem um “tratamento” inteiro, usando a tecnologia para dar escala. E olha, os ecossistemas de inovação no Brasil são de dar orgulho! De norte a sul, iniciativas reúnem universidades, empresas e se aproximam cada vez mais do governo.

O mais recente relatório publicado pelo BrazilLAB revela que as chamadas Govtechs, startups que oferecem soluções digitais para apoiar e facilitar a gestão pública ainda são pouco numerosas, mas têm crescido em atuação no Brasil, a partir de oportunidades regulamentadas no âmbito Municipal, Estadual e até mesmo Federal.

E dentro do universo de startups brasileiras, as Edtechs, as Healthtechs, as Greentechs e outras voltadas para questões de mobilidade urbana e segurança, ainda que não priorizem prestar serviço público, acabam indiretamente inspirando mudanças e contribuindo para o desenvolvimento dessas áreas.

Diogo Catão é CEO da Dome Ventures, uma empresa que busca construir essa parceria entre startups e os desafios públicos, a partir da estruturação de novos produtos e serviços digitais e criando um “match” entre a oferta e a demanda dos que já existem.

Com sede em João Pessoa, na Paraíba, ele investe em soluções que podem digitalizar e aumentar a eficiência de processos públicos.

Para Catão, “a maior barreira que o Brasil enfrenta no crescimento das Govtechs é a burocracia e o medo que as startups têm de serem associadas à corrupção”.

Mas são justamente as novas tecnologias que podem aumentar a transparência tão necessária para resgatar a confiança dos cidadãos. Padrões abertos, inteligência de dados, blockchain e novos modelos de negócio já testados no setor privado são algumas das possibilidades para conectar governos a um desenvolvimento ágil e sustentável que acompanhe a velocidade e as exigências das transformações que vivemos hoje.

Sabemos que a tecnologia não faz nada sozinha. A infraestrutura que ainda exclui boa parte dos brasileiros do mundo digital ainda é um gargalo. Mas, já se sabe que a vontade política pode ser um desafio ainda maior.

Por isso, num período eleitoral, como o que já estamos vivendo, precisamos estar atentos para que estratégias e metas de transformação digital pública conquistem cada vez mais relevância nas propostas de Governo.

De nossa parte, devemos unir o questionamento ativo das novas gerações com a potência da convergência tecnológica. Isso muda o mundo e ganha as eleições.

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