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    Pesquisadores descobrem jato cósmico a 13 bilhões de anos-luz de distância

    Objeto é a fonte mais distante conhecida de emissão de rádio e fornece pistas sobre a formação do universo

    Foto: M. Kornmesser/European Southern Observatory

    Ashley Strickland, da CNN

    Foram necessários 13 bilhões de anos para que a luz dos poderosos jatos de um objeto distante nos alcançasse. 

    Esses jatos, a mais distante fonte conhecida de emissão de rádio até hoje, vêm de um quasar recém-descoberto que existia quando o universo tinha apenas 780 milhões de anos, um adolescente na escala de tempo astronômica.

    Quasares são objetos brilhantes encontrados no centro de algumas galáxias e conhecidos como um dos corpos celestes mais luminosos do universo. Eles são alimentados por buracos negros supermassivos.

    Esses buracos negros insaciáveis devoram o gás que está ao redor. À medida que fazem isso, eles liberam energia. Essa energia forma jatos que emitem luz em comprimentos de onda de rádio, emitindo faróis brilhantes do universo distante.

    O quasar recém-descoberto foi chamado P172 + 18. Os jatos explodem o material quase na velocidade do som. 

    Dada a distância do quasar, que é de 13 bilhões de anos-luz, os astrônomos tentam observar o objeto como ele existia nos primeiros dias do universo, o que poderia fornecer mais informações sobre a evolução da galáxia e do buraco negro.

    Este não é o quasar mais distante já encontrado, mas é o primeiro com jatos reveladores que datam do início da história do universo. É um quasar “radio-alto”, o que significa que seus jatos são brilhantes em comprimentos de onda de rádio. Apenas cerca de 10% dos quasares descobertos se enquadram nesta categoria.

    O buraco negro supermassivo que alimenta esse quasar é 300 milhões de vezes mais massivo que o nosso sol. O estudo foi publicado nesta segunda-feira (8) no The Astrophysical Journal.

    Pistas do universo primitivo

    “O buraco negro está comendo matéria muito rapidamente, crescendo em massa a uma das taxas mais altas já observadas”, disse a autora do estudo, Chiara Mazzucchelli, astrônoma do Observatório Europeu do Sul no Chile, em um comunicado.

    É provável que buracos negros supermassivos de crescimento rápido como esse e os jatos de rádio de quasares como P172 + 18 estejam relacionados. Os próprios jatos podem mover o gás que está ao redor do buraco negro e fazer com que mais gás caia para dentro. Isso pode ajudar os astrônomos a entender como alguns buracos negros do universo primitivo foram capazes de crescer tão rapidamente.

    “Acho muito empolgante descobrir ‘novos’ buracos negros pela primeira vez e fornecer mais um bloco de construção para entender o universo primordial, de onde viemos e, finalmente, nós mesmos”, disse Mazzucchelli.

    “Os jatos têm um papel na regulação da formação de estrelas e no crescimento de suas galáxias hospedeiras, então esta descoberta é valiosa para a compreensão desses processos no universo inicial”, disse Chris Carilli, cientista-chefe do Observatório Nacional de Radioastronomia, em um comunicado. “Os jatos naquela época também impulsionaram átomos e campos magnéticos no que havia sido um espaço primitivo entre as galáxias.”

    Vários telescópios e observatórios, incluindo o Telescópio Magellan no Observatório Las Campanas no Chile, o Very Large Telescope do European Southern Observatory (também no Chile), o Very Large Array do National Radio Astronomy Observatory no Novo México e o Observatório Keck no Havaí contribuíram para a descoberta do quasar e seus jatos.

    Os astrônomos podem usar esses quasares para aprender mais sobre objetos mais próximos da Terra, porque eles agem como faróis, disseram os pesquisadores.

    Este quasar pode ser apenas o primeiro de muitos que os astrônomos podem encontrar no universo distante.

    “Esta descoberta me deixa otimista e acredito – e espero – que o recorde de distância seja quebrado em breve”, disse o autor do estudo Eduardo Bañados, astrofísico do Instituto Max Planck de Astronomia, na Alemanha, em um comunicado.

    (Texto traduzido, clique aqui e leia o original em inglês)

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