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    Pix faz 2 anos: meio de pagamento mais usado traz dinamismo à economia, dizem analistas

    Sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central (BC) já soma 26 bilhões de transações pela ferramenta

    Desde fevereiro de 2022, o Pix é o meio de pagamento mais utilizado no Brasil, à frente dos cartões de crédito
    Desde fevereiro de 2022, o Pix é o meio de pagamento mais utilizado no Brasil, à frente dos cartões de crédito NurPhoto via Getty Images

    Fabrício JuliãoPedro Zanattado CNN Brasil Business

    em São Paulo

    O Pix completa dois anos nesta quarta-feira (16). O sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central (BC) soma 26 bilhões de transações pela ferramenta desde sua criação em 16 de novembro de 2020, segundo dados da Febraban, que destaca que, nos últimos 12 meses, as operações utilizando o sistema cresceram 94%.

    Esse número faz da ferramenta o meio de pagamento mais usado pelos brasileiros, patamar atingido em fevereiro, quando ficou à frente dos cartões de crédito.

    Logo em seu primeiro mês de funcionamento, o Pix ultrapassou as transações feitas com DOC e, no mês seguinte, passou também o TED (transferência eletrônica disponível). Em março de 2021, passou na frente em número de transações feitas com boletos e, em maio, ultrapassou a soma de todos eles, segundo levantamento da Febraban.

    Além da praticidade em realizar pagamentos, o potencial do Pix em proporcionar dinamismo para a economia é destacado por especialistas como ponto forte da ferramenta.

    “Por não ter impacto de custos e por ser muito dinâmico isso acaba melhorando a inadimplência do receber do negócio. Isso traz um dinamismo muito grande para a economia. O dinheiro circula mais rápido, consequentemente, bens e serviços acabam girando mais rápido também, seja na formalidade dos pequenos negócios, seja na informalidade com agentes autônomos e trabalhadores que acabam vivendo de renda de forma muito atrelada à produção”, diz Pedro Henrique Ricco, CEO da Delta Investor.

    O presidente da Febraban, Isaac Sidney, afirma que o crescimento do Pix mostra a aceitação popular da ferramenta e é fundamental para impulsionar a bancarização no país. “A inclusão financeira no país desde o seu lançamento tem se mostrado uma importante oportunidade para o Brasil reduzir a necessidade do uso de dinheiro em espécie em transações comerciais e os altos custos de transporte e logística de cédulas, que totaliza cerca de R$ 10 bilhões ao ano”, disse em nota.

    Nessa linha, Thiago Saldanha, CTO da Sinqia, destaca o crescimento do uso da ferramenta no Nordeste. “Vemos uma expansão no Nordeste. Vem crescendo a adoção entre pessoas entre 40 e 49 anos e estabilizou na faixa etária mais jovem. Isso demonstra que a população está mais segura e uma maior adoção do sistema de pagamentos”, diz.

     

    Com relação ao potencial tecnológico e de dialogar com outras propostas de inovação do sistema bancário, os economistas destacam que o segundo ano do sistema abriu espaço para novidades como o Pix Saque e Troco.

    “O Pix Saque e o Pix Troco são ótimos exemplos de evolução que foi rapidamente adotada pela população. Neste ano, R$ 202 milhões foram movimentados usando essas funcionalidades”, diz Rodrigoh Henriques, líder de inovações financeiras da Fenasbac.

    Na avaliação de Henriques o sistema ainda dialoga com outras ferramentas recém-chegadas, como o Open Banking e o Open Finance. Segundo ele, as transações de pequeno valor, de boa parte da população, eram “invisíveis”. Ou seja, não podiam ser usadas como dados para análise de crédito, por exemplo. Logo, com o uso do Pix e do Open Finance esses dados, com o consentimento do usuário, “podem ser usados para ter acesso a serviços financeiros melhores e mais baratos”.

    Para os próximos anos, os especialistas dizem que o sistema possui grande capacidade de trazer novas funções, entre elas, eles destacam o uso do Pix por aproximação (assim como nos cartões de crédito e débito), o Pix Garantido (que funciona como uma solução de crédito) e o Pix Internacional com pagamentos transfronteiriços.

    À CNN Rádio, o diretor-executivo do Instituto Tecnologia e Sociedade Fabro Seibel avaliou que a tecnologia é “revolucionária” por vários motivos.

    “70% dos brasileiros usam Pix, este é um número maior do que as pessoas que têm contas bancárias, é muito significativo”, disse.

    Impactos no e-commerce

    O meio de pagamentos também trouxe impactos nas compras feitas pela internet.

    Um levantamento feito pelo Mercado Pago entre seus usuários mostra que a penetração do Pix nos pagamentos online cresceu 7 pontos percentuais no terceiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado, indo de 16% para 23%.

    Além disso, a ferramenta respondeu por 1 em cada 4 transações online realizadas no Mercado Pago no terceiro trimestre do ano.

    O levantamento mostra ainda a preferência pelo Pix que tem ultrapassado outros meios. Ao observar os pagamentos feitos “a vista”, a cada 5 pagamentos 4 são com Pix (80%) e 1 com boleto (20%).

    Com relação às regiões onde os usuários do Mercado Pago mais utilizam o sistema de pagamentos, o Sudeste lidera o ranking, seguido por Nordeste, Sul, Centro-Oeste e Norte.