SpaceX: primeira missão espacial só com civis retorna com sucesso à Terra

Tripulantes da Inspiration4, primeira missão espacial sem astronautas profissionais, pousaram no Oceano Atlântico às 20h06

João de Marida CNN*

Em São Paulo

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A espaçonave Dragon, da fabricante de foguetes SpaceX, propriedade do bilionário Elon Musk, retornou com sucesso à Terra neste sábado (18), após concluir uma missão de três dias no espaço.

Os tripulantes da chamada Inspiration4, primeira missão espacial apenas com civis, sem astronautas, pousaram no Oceano Atlântico, próximo da Flórida (EUA), às 20h06, conforme previsto. A cápsula foi aberta por volta das 20h50.

Agora, os astronautas amadores passarão por avaliações médicas, que são parte do protocolo. Os quatro saíram da nave espacial caminhando sozinhos e acenando para as câmeras da imprensa.

Para se preparar para a reentrada atmosférica e retornar à Terra, a cápsula chamada Dragon realizou na sexta-feira (17) duas “queimaduras” de foguetes com objetivo de diminuir sua altitude, e alinhar a trajetória da espaçonave com o local de pouso.

No retorno à atmosfera terrestre, neste sábado (18), a cápsula atingiu a velocidade de 27.000 km/h, cerca de 20 vezes a velocidade do som. O pouso foi auxiliado por paraquedas.

No momento em que a Dragon entrou na atmosfera da Terra, houve uma perda de comunicação prevista, devido às instabilidades elétricas causadas pelo atrito da nave com os gases atmosféricos. Após quatro minutos de silêncio, o sinal foi retomado.

Todo processo, no entanto, ocorreu sem problemas. Os tripulantes, que não eram astronautas, não precisaram se preocupar em controlar o veículo, o que foi feito diretamente da Terra. Ao invés disso, eles assistiram filmes pouco antes da Dragon se preparar para o retorno.

Veja momento em que a cápsula foi aberta:

Retorno é parte crítica da missão, diz astrofísico

À CNN Brasil, o astrofísico do Centro Universitário FEI, Cássio Barbosa, explicou que as manobras de reentrada na Terra são uma das partes críticas da missão.

“A cápsula precisa virar ao contrário, disparar os foguetes para desacelerar a ponto que a gravidade da Terra os ‘puxam de volta’. A cápsula entra com uma velocidade muito alta na atmosfera e, a partir daí, a atmosfera que desacelera o veículo”, disse.

Segundo ele, no momento do retorno, uma camada de plasma é formada em volta da cápsula e as temperaturas podem chegar a 2 mil graus.

“A cápsula é submetida a forças incríveis de pressão e tração. É um teste do material que tem que suportar sem fazer que os tripulantes sofram algum dano, como elevação de temperatura ou despressurização”.

Dragon

O primeiro voo espacial humano totalmente civil a orbitar o planeta aconteceu a bordo do foguete Falcon 9 da SpaceX e da espaçonave Dragon. O lançamento ocorreu no último dia 15, na Kennedy Space Center, em Orlando, Flórida, nos Estados Unidos.

A espaçonave Dragon conta com 16 propulsores Draco, capazes de gerar 40,8 quilos de força cada no vácuo espacial.

Possui dois para-quedas para estabilização após a reentrada na órbita terrestre e mais quatro para ajudar na desaceleração antes do pouso.

Com a capacidade de carregar até sete passageiros, segundo a SpaceX, é a única espaçonave capaz de carregar grandes quantidades de carga da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) à Terra.

No retorno à atmosfera terrestre, a cápsula atingiu a velocidade de 27.000 km/h, cerca de 20 vezes a velocidade do som / Reprodução

Turismo espacial

Cerca de três horas após o lançamento, a cápsula da tripulação tinha atingido uma altitude orbital de pouco mais de 585 km — maior do que a Estação Espacial Internacional ou Telescópio Espacial Hubble, e o mais distante que qualquer ser humano voou da Terra desde o homem pisou na lua como parte do programa lunar Apollo da NASA, que terminou em 1972.

A SpaceX também marcou o voo de estreia do novo negócio de turismo espacial de Elon Muks. A ideia é que no futuro existam passeios em foguetes para clientes dispostos a pagar uma pequena fortuna.

(*Com informações de Anna Gabriela Costa, da CNN, em São Paulo, e Steve Gorman, da Reuters)

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