Um ano que dura apenas oito horas: assim é o tempo neste exoplaneta

O planeta tem aproximadamente o tamanho de Marte

Ilustração mosta como seria o exoplaneta GJ 376b
Ilustração mosta como seria o exoplaneta GJ 376b Patricia Klein/Divulgação

Ashley Stricklandda CNN

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Se você acha que não há horas suficientes em um dia na Terra, este recém descoberto planeta vai te deixar maluco. Em um exoplaneta chamado GJ 367 b que está orbitando uma estrela 31 anos-luz distante do sol, um ano dura cerca de somente oito horas. A descoberta pode iluminar esses misteriosos mundos em órbita rápida.

O exoplaneta rochoso é considerado um planeta de período ultracurto, ou USP (na sigla em inglês), que gira em torno de sua estrela hospedeira e termina uma órbita completa em oito horas. Mas o GJ 367 b é intrigante também por outras razões.

O planeta tem aproximadamente o tamanho de Marte — aproximadamente metade da massa da Terra —  o que faz dele um dos exoplanetas mais leves já descobertos. Cerca de 86% do interior do planeta é formado por um núcleo de ferro e níquel, o que também o torna bastante semelhante a Mercúrio. Em nosso sistema solar, Mercúrio é o planeta mais próximo do sol, e um ano nele dura 88 dias.

O exoplaneta GJ 367 b fica extremamente próximo de sua estrela anã M. Essas estrelas anã vermelhas e frias são comuns em nossa galáxia e são conhecidas por hospedar vários planetas em um único sistema, sendo a média entre dois e três planetas. Mesmo que elas sejam menores e mais frias que o sol, essas estrelas anãs podem, ainda assim, aquecer planetas quando estão próximos como o GJ 367 b é de sua estrela hospedeira.

Durante o dia, esse planeta atinge 2.732 graus Fahrenheit (1.500 graus Celsius), o que é quente o suficiente para derreter rochas e metais. O planeta também é bombardeado com 500 vezes mais radiação do que a Terra recebe do sol.

Todos esses fatores sugerem que o planeta carece de uma atmosfera substancial, que provavelmente foi vaporizada há muito tempo, e não é um lugar favorável à vida. Um estudo detalhando as descobertas sobre o planeta foi publicado na quinta-feira (2) no jornal Science.

Astrônomos estão ansiosos para aprender mais sobre esses pequenos planetas que giram rapidamente em torno de suas estrelas hospedeiras em menos de 24 horas porque eles não têm certeza sobre como eles se foram e acabam em uma órbita tão extrema. Esse recém descoberto planeta fica próximo o bastante de nosso sistema solar, permitindo que pesquisadores consigam obter mais dados dele do que de qualquer outro planeta de período ultracurto conhecido.

“Nós já conhecemos alguns deles, mas suas origens são desconhecidas atualmente”, disse a autora principal do estudo, Kristine W. F. Lam, pesquisadora com pós-doutorado do Instituto de Pesquisa Planetária do Centro Aeroespacial Alemão. “Medindo as propriedades fundamentais precisas do planeta ultra rápido, nós podemos ter uma ideia da formação do sistema e de sua evolução histórica.”

Só porque o GJ 367 b não é habitável, não significa que não existem outros planetas no mesmo sistema que poderiam suportar a vida.

“Para essa classe de estrela, a zona habitável seria algo entre uma órbita de duas a três semanas”, disse em comunicado o coautor George Ricker, cientista pesquisador sênior no Instituto Kavli de Astrofísica e Pesquisa Espacial do Instituto de Tecnologia de Massachusetts. “Como essa estrela fica bem próxima de nós e bastante iluminada, nós temos uma boa chance de ver outros planetas no mesmo sistema. É como se existisse uma placa dizendo ‘Olhe aqui para mais planetas!’.”

Cientistas encontraram o GJ 367 b por meio da missão TESS de caça a planetas da NASA. A sigla TESS significa Satélite de Pesquisa de Exoplanetas em Trânsito. Ricker é o investigador principal que opera o TESS, que busca por mudanças na luminosidade de estrelas próximas.

Quando pesquisadores observam quedas na luminosidade das estrelas, isso sugere que um planeta está passando na frente de uma estrela, movimento conhecido como trânsito. Em 2019, o TESS observou por um mês um pedaço do céu que incluía a estrela anã vermelha GJ 367, o que levou à descoberta do seu companheiro planetário bem próximo da mesma. Observações posteriores com telescópios terrestres os ajudaram a definir medições como a massa, raio e densidade, o que então permitiu aos pesquisadores identificarem a composição do núcleo.

Cientistas planejam continuar estudando o exoplaneta e sua estrela hospedeira para que possam descobrir se existem outros planetas no sistema. Esses potenciais exoplanetas irmãos assim como suas órbitas poderiam ajudar a revelar como o GJ 367 b surgiu.

“Entender como esses planetas ficam tão próximos de suas estrelas hospedeiras é um pouco de uma história de detetive”, disse em comunicado Natalia Guerrero, pesquisadora associada para o TESS no Instituto Kavli do MIT. “Por que este planeta está perdendo sua atmosfera externa? Como ele se aproximou? Este processo foi calmo ou violento? Esperamos que este sistema nos dê um pouco mais de esclarecimento.”

(Texto traduzido. Leia o original aqui).

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