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    Veja o que pode mudar com Elon Musk como novo dono do Twitter

    É possível nova administração ter impactos nas próximas eleições de meio de mandato dos EUA

    Clare Duffydo CNN Business Nova York

    Após passar meses tentando sair de seu acordo para comprar o Twitter, Elon Musk agora é oficialmente proprietário de uma plataforma extremamente influente. A questão é: o que ele realmente fará com isso?

    A posse de Musk – que foi finalizada na quinta-feira (27) à noite, segundo uma fonte disse à CNN – não só tem o potencial de criar agitação para os funcionários do Twitter, mas também para as centenas de milhões de pessoas em todo o mundo que usam a plataforma diariamente. A nova administração também poderia ter impactos nas próximas eleições de meio de mandato dos EUA, se Musk cumprir a sua promessa de restaurar as contas de usuários banidos plataforma, especialmente o ex-presidente Donald Trump, e de limitar as restrições de conteúdos da empresa.

    Nas primeiras semanas após ter concordado em comprar a empresa, em abril, e antes de sua primeira tentativa de retomar o acordo, Musk salientou repetidamente que o seu objetivo era reforçar a “liberdade de expressão” na plataforma e trabalhar para “desbloquear” o “potencial extraordinário” do Twitter.

    O CEO da Tesla sugeriu que iria repensar a abordagem do Twitter em relação à moderação de conteúdos e à proibição permanente, com impactos potenciais no discurso civil e no cenário político. Ele também falou sobre o seu desejo de livrar a plataforma de bots – mas, posteriormente, ele tornou a questão do número de bots um ponto central no argumento para abandonar o negócio.

    Durante a chamada de resultados da Tesla, na semana passada, o bilionário reconheceu que, embora a finalização do acordo de US$ 44 bilhões (cerca de R$ 235 bilhões) tenha sido um “pagamento excessivo” para a empresa das redes sociais, “o potencial a longo prazo para o Twitter, na minha opinião, é uma ordem de grandeza superior ao seu valor atual”. Além disso, disse acreditar que o Twitter “definhou durante muito tempo, mas tem um potencial incrível”.

    Os planos de Musk para aumentar o valor do Twitter podem envolver o corte de mão-de-obra, ponto já mencionado por ele no passado. Houve relatos que sugeriram que ele planejava reduzir 75% do pessoal, embora o próprio tenha dito aos funcionários do Twitter nesta semana que não fará isso. De qualquer forma, a ansiedade é crescente na empresa. Assim que finalizou o acordo, Musk imediatamente demitiu o CEO Parag Agrawal, o CFO Ned Segal e a chefe de política Vijaya Gadde.

    Em declarações públicas e privadas nos últimos seis meses, o bilionário tem sugerido uma ampla variedade de outras possíveis alterações, desde a ativação da criptografia de ponta a ponta para o recurso de mensagens diretas do Twitter até a sugestão, dadas nesta semana, de que o Twitter se torne parte de um aplicativo de “tudo” chamado X, possivelmente no estilo do popular aplicativo chinês WeChat.

    Também houve sugestões mais rebuscadas. Numa troca de mensagens com o seu irmão Kimbal Musk, revelada na semana passada em documentos judiciais, os dois pareciam discutir a possibilidade de pedir aos usuários que pagassem por cada tuíte que publicassem com pequenas quantidades da criptomoeda DogeCoin.
    Agora que Musk concluiu o acordo, algumas dessas mudanças teóricas poderiam logo se tornar realidade. Eis o que os usuários devem saber:

    Mudança na moderação de conteúdo

    Durante anos, sob o antigo CEO e cofundador Jack Dorsey, o Twitter enfatizou o seu trabalho para reforçar “conversas saudáveis”. A empresa baniu muitas contas promovendo abuso e spam, adicionou rótulos para informações falsas ou enganosas e proibiu o “misgendering” (equívoco de gênero) para pessoas trans.

    Sob a propriedade de Musk, o Twitter poderia aliviar as medidas tomadas para tornar a plataforma mais aceitável para os seus usuários mais vulneráveis, normalmente mulheres, membros da comunidade LGBTQIA+ e pessoas não brancas, de acordo com especialistas em segurança.

    O bilionário disse que o Twitter, sob sua liderança, teria políticas mais lenientes de moderação de conteúdo. “Em caso de dúvida, deixe o discurso existir”, declarou em entrevista em abril. “Se for uma área cinzenta, duvidosa, deixe o tuíte existir. Mas, obviamente, no caso de haver talvez muita controvérsia, não é bom necessariamente promover esse tuíte”.

    Na quinta-feira (27), o empresário procurou tranquilizar os anunciantes de que não planejava transformar a plataforma num “território livre para todos”, apesar das suas promessas de reduzir a moderação de conteúdo. As observações seguem perguntas sobre se os anunciantes podem deixar a plataforma com medo de que as suas publicações pagas terminem ao lado de conteúdos potencialmente censuráveis.

    “Além de cumprir as leis terrenas, nossa plataforma deve ser calorosa e acolhedora para todos, onde você pode escolher sua experiência desejada de acordo com suas preferências”, escreveu Musk numa carta aberta publicada no Twitter. Permitir toda a intervenção legal pode não ser algo tão direto: as regras de conteúdo variam em todo o mundo e, na Europa, a nova Lei dos Serviços Digitais impõe padrões de moderação elevados.

    O bilionário também disse que quer tornar o algoritmo do Twitter open source e mais transparente para os usuários quando, por exemplo, um tuíte ganhar destaque ou for removido do feed. Os líderes no Twitter já expressaram apoio para se movimentarem nessa direção, e a empresa muitas vezes deixa claro quando remove certos tuítes ou tipos de conteúdo.

    Proibir Trump e outras contas

    No entanto, a mudança mais marcante no início pode vir justamente de quem está fora da plataforma.

    Musk disse que acha o Twitter deveria ser mais “relutante em eliminar as coisas” e “muito cauteloso com proibições permanentes”. A afirmação dá margem a pensar numa longa lista de figuras controversas de extrema-direita e teóricos da conspiração, entre outros, podem em breve voltar para a plataforma.

    Musk, por sua vez, concentrou-se em trazer de volta um dos antigos usuários mais proeminentes do Twitter: Trump.

    “Acho que não foi certo proibir Donald Trump, acho que isso foi um erro”, disse Musk em maio. “Eu reverteria a proibição permanente. Mas é a minha opinião, e Jack Dorsey compartilha da mesma opinião, a de que não devemos ter proibições permanentes”.

    Dorsey, ex-CEO e criador do Twitter, tuitou após as observações de Musk, em maio, de que “concorda” que não deveriam existir proibições permanentes aos usuários do Twitter. “Há exceções, mas geralmente as proibições permanentes são um fracasso da nossa parte e não funcionam”, escreveu.

    Trump disse que não quer voltar ao Twitter e que, em vez disso, permanecerá na sua própria plataforma de redes sociais, chamada Truth Social.

    Mas, se o ex-presidente aceitar uma oferta Musk para regressar ao Twitter, pode restaurar um número de seguidores significativo ao qual não teve mais acesso desde que foi banido da plataforma em janeiro de 2021 – e isso num momento em que a corrida presidencial dos EUA de 2024 se intensifica. No Truth Social, Trump tem apenas 4 milhões de seguidores; no Twitter, chegou a ter mais de 88 milhões.

    História errática e controversa na plataforma

    Outra mudança notável diz respeito simplesmente à pessoa que pode tomar decisões sensíveis.

    Elon Musk tem uma reputação mista na indústria da tecnologia. É, sem dúvida, um dos inovadores e empreendedores mais ambiciosos e bem-sucedidos desta era. Entretanto, é também controverso, muitas vezes a partir do seu próprio perfil no Twitter, onde tem mais de 100 milhões de seguidores.

    Ao longo dos anos, o bilionário sul-africano usou o Twitter para fazer alegações enganosas sobre a pandemia de Covid-19, acusar sem provas de que um homem que ajudou a resgatar crianças de uma caverna na Tailândia era um predador sexual, zombar de pessoas que exibiam os seus pronomes de gênero na plataforma e fazer gracejos incontáveis que envolvem os números 420 (ligado ao uso ode maconha) e 69 (de cunho sexual). Também tuitou uma fotografia (já apagada) comparando o primeiro-ministro canadense Justin Trudeau com Adolf Hitler e outra de Agrawal (agora ex-CEO) com Joseph Stalin.

    Musk também tentou remover uma conta do Twitter dedicada a seguir os movimentos de seu jato privado, oferecendo dinheiro ao estudante universitário dona da conta que fazia isso (o rapaz recusou a oferta).

    No mesmo dia em que enviou a sua carta ao Twitter, tentando retomar o acordo, Musk foi duramente criticado por comentários que fez na plataforma sobre a invasão da Ucrânia pela Rússia.

    O empresário sugeriu que a Crimeia, uma região que a Rússia invadiu e anexou à Ucrânia em 2014, deveria se tornar “formalmente parte da Rússia”. A maioria dos seguidores respondeu “não” à sua sondagem e o embaixador da Ucrânia na Alemanha, Andrij Melnyk, respondeu num tuíte: “Vai se f…r é a minha resposta muito diplomática a você”. Num tuíte no mesmo tema, um Musk aparentemente frustrado parecia culpar os resultados da sua sondagem relativamente a um “ataque do bot”.

    Até agora, o Twitter tem, pelo menos em certa medida, sido responsável pelas suas decisões políticas a anunciantes, acionistas e o seu conselho. Mas esses contrapesos não necessariamente existirão sob a liderança de Musk.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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