Além de Florença: um giro por cidades medievais da Toscana, na Itália

Ao longo da região vinícola de Chianti encontramos as clássicas paisagens toscanas junto de comunas bem preservadas; conheça 5 cidades e saiba onde comer e o que visitar

Daniela Filomenodo Viagem & Gastronomia Toscana, Itália

Quando falamos da Toscana, logo uma imagem clássica vem à cabeça: colinas verdejantes, vinícolas históricas e ciprestes ao longo de estradas que parecem ter saído de um filme romântico, ainda mais no pôr do sol.

Este cenário é potencializado na região de Chianti, zona vinícola que abrange várias localidades entre Florença e Siena e que nos presenteia com vilarejos medievais bem conservados.

A estrada Chiantigiana, conhecida como a rota do Chianti Clássico e que corta o coração da Toscana, é um dos caminhos em que podemos sentir a verdadeira alma e paisagem toscana.

E cada uma destas cidades medievais pode ser conhecida em um dia, ou também de forma combinada. Elas nos presenteiam com diferentes pedaços da história italiana junto de deliciosas massas e tradições – não me esqueci do vinho, é claro.

Assim, uma viagem para a Toscana pode ser feita de um jeito bem cinematográfico, como em cima de uma vespa antiga e em paradinhas em belas osterias, ou ainda na varanda do hotel sem fazer nada, apenas com um prosecco em uma das mãos. E comprovo: de um jeito ou de outro temos um gostinho da la dolce vita.

A seguir, destaco 5 cidades medievais pela Toscana além da capital Florença, com dicas de passeios e de onde comer. E não se esqueça: você pode e deve comprar os ingressos dos lugares que quer com antecedência para evitar dores de cabeça.

  • Greve in Chianti

No coração da região de Chianti, a cidadezinha a cerca de 40 minutos de Florença se destaca pela produção do Chianti Clássico – vale uma visita no suntuoso Castello di Verrazzano para conhecer a vinícola e a história de séculos. Mas sua fama não se restringe somente à bebida.

Pode ser conhecida tranquilamente em um dia e seu centrinho histórico deve ser percorrido a pé – uma unanimidade nas cidades italianas. As ruas charmosas são preenchidas por restaurantes e lojinhas.

A Piazza Matteotti é o coração daqui e tem formato triangular com direito a estátua de Giovanni Verrazzano, um dos mais conhecidos navegadores italianos. É na praça central que fica a Antica Macelleria Falorni, enoteca, açougue, mercado e bistrô com mesinhas para provarmos tudo, desde embutidos a queijos maravilhosos acompanhados de bons vinhos.

A tradição na produção de salames, carnes e embutidos se arrasta desde 1806 e a lojinha que vemos hoje é de 1844. O bistrô conta com tábuas de charcutaria e queijos, cortes de carne e panini, assim como tem máquina de vinhos com vários rótulos em taça. É uma delícia sentar em uma das mesinhas na praça e curtir a tarde.


A dica é também dar uma esticadinha até Panzano in Chianti, povoado no topo de uma colina. Aqui fica a Chiesa di Santa Maria, igreja simples e acolhedora que remete aos tempos do Renascimento, mas cujo visual atual data do século 18.

Em Panzano fica também outro “antigo açougue”, o Antica Macelleria Cecchini, do açougueiro Dario Cecchini, que nos oferece pratos caprichados com ênfase em carne bovina. São diversos cortes no restaurante Solociccia, com opções em menu fixo de 40 € (R$ 207), enquanto o Officina serve a tradicional bisteca fiorentina e hambúrgueres por preço fixo de 50 € (R$ 259).

  • Monteriggioni

Entre Siena e Colle Val d’Elsa encontramos Monteriggioni, uma pequena cidade medieval de oito mil habitantes cercada por uma muralha bem conservada que domina a paisagem. É uma cidadezinha única na Toscana que nos possibilita uma passagem de ida aos tempos medievais.

Construída no início do século 13, foi uma importante fortificação nos conflitos entre Siena e Florença na Idade Média e podemos visitá-la hoje como se o tempo não tivesse passado.

A importância e o visual arquitetônico impressionam e ainda sobram 14 torres e dois portões na cidade, como a Porta Fiorentina, que aponta em direção a Florença, e a Porta Romana, no sentido de Roma.

A pracinha principal é a Piazza Roma, morada da Igreja de Santa Maria Assunta. Um dos aspectos mais bacanas é que Monteriggioni também está na cultura popular desde muito tempo: a encantadora fortificação é referenciada na “Divina Comédia”, de Dante Alighieri, como uma alegoria a um abismo na primeira parte da obra, em “Inferno”.

Se quiser sentir um gostinho a mais dos tempos medievais, fique ligada: em julho é comum ocorrer um Festival Medieval com músicas, danças e refeições que homenageiam os tempos passados.

  • Siena

Uma das cidades medievais mais conhecidas de toda Itália, Siena nos leva a uma retrospectiva pelos últimos 700 anos em suas ruas e patrimônios históricos. Na Idade Média disputou influência com Florença, época em que ganhou importância econômica e evoluiu ao que vemos hoje.

O centro histórico é Patrimônio Mundial da Unesco. Aqui fica a Piazza del Campo, parada obrigatória em Siena e de onde a cidade foi se expandindo. A praça central abriga construções como o Palazzo Pubblico, também conhecido oomo Palazzo Comunale, um dos símbolos locais junto da Torre del Mangia. O Palazzo foi erguido entre 1297 e 1310 e reflete o poderio político da época. Já a imponente torre foi adicionada em anos posteriores.

Próxima da praça fica a Catedral de Siena, outra paradinha incrível que mistura história e arte. A entrada somente na igreja sai por cerca de 5 € (R$ 25).

Uma vez em Siena, não deixe de ir no La Taverna di San Giuseppe, restaurante típico cuja adega abriga 600 rótulos e ocupa uma casa etrusca do século 3 a.C. O salão de jantar com paredes de tijolo romano e à mesa podemos experimentar uma autêntica culinária toscana, com sopa ribollita e frango assado local entre as opções. Há também menu só de pastas e pratos com trufas na temporada.

  • San Gimignano

A 56 km de Florença, San Gimignano é uma das cidades mais visitadas da Toscana e seu centrinho histórico está na lista de patrimônios da Unesco. No topo de uma colina, a cidade medieval amuralhada nos fascina pela bela arquitetura, com ruelas e cantinhos charmosos.

De longe já vemos as imponentes 14 torres – das 72 originais – de antigas famílias que controlavam a cidade. A fundação de San Gimignano vem de uma lenda que diz que dois romanos construíram aqui dois castelos em tempos anteriores à Era Cristã.

Hoje, o centrinho está ao redor da Piazza della Cisterna, repleta de construções medievais. As torres e a catedral da cidade são pontos turísticos, mas basta ver uma fila pela região central para saber que ali há uma das gelaterias mais famosas e premiadas do mundo, a Dondoli.

Por falar em comida, uma pausa para uma refeição caprichada à la italiana é sempre muito bem-vinda (mas lembre-se que a maioria dos locais fecha às 14h30). Entre as osterias, destaco a Osteria San Giovanni, a Osteria I Quattro Gatti e a Locanda Di Sant’Agostino Osteria.

Há também os restaurantes Cum Quibus, com simpático pátio, a Cacioteca Fome D’arte, com tábua de queijos, e o Fattoria Poggio Alloro, que alia restaurante com agroturismo a cinco quilômetros da cidade.

  • Chiusdino

Chiusdino é mais uma das vilas que consegue manter sua atmosfera medieval mesmo no século 21. Algumas partes das muralhas da cidade ainda podem ser vistas por aqui, mas o que de fato chama a atenção é a lendária Abadia de San Galgano, um dos principais símbolos da Toscana.

Pelas fotos pode parecer mais uma ruína de uma abadia antiga, mas toda sua história e ousadia arquitetônica fazem com que o local vá além disso. É um êxtase para quem ama história e arquitetura como eu.

Aqui vai um pouco da interessante história: o cavaleiro Galgano Guidotti tornou-se monge cisterciense e ergueu uma capela em Montesiepi em 1180, onde escolheu viver como eremita. A Ermida de Montesiepi, vizinha à abadia, mantém até hoje uma espada que Galgano cravou em uma rocha quando decidiu abandonar a vida de cavalheiro.

Alguma semelhança com o Rei Arthur, Excalibur e os cavaleiros da Távola Redonda?

Os monges cistercienses posteriormente construíram a abadia e um oratório em homenagem a Galgano, que se tornou santo. Hoje, a abadia impressiona por manter em pé suas paredes e colunas, mas não há telhado, o que causa uma atmosfera misteriosa.

Já a dica para uma refeição saborosa e sem pressa em Chiusdino é no La Grotta di Tiburzi, local superpequeno e agradável em uma cave que nos serve uma típica gastronomia regional, com direito a embutidos, massa e vinho Chianti, claro.