Com Everest de fora, Nepal anuncia escalada gratuita em quase 100 montanhas
Por outro lado, subir a montanha mais alta do planeta exige um investimento considerável de impressionantes US$ 15 mil

Subir a montanha mais alta do planeta exige um investimento considerável de impressionantes US$ 15 mil (o equivalente a R$ 80,8 mil) — sem contar passagens aéreas, equipamentos e a contratação de um guia.
Mas o Nepal, que há tempos busca diversificar suas atrações turísticas para além do icônico Monte Everest, apresentou um novo plano para atrair viajantes a regiões menos conhecidas e mais acessíveis do país.
O governo anunciou a abertura de 97 picos nas províncias de Karnali e Sudurpaschim, no extremo oeste nepalês, para escaladores estrangeiros — e, por enquanto, sem cobrança de taxa.
“Há tantas montanhas no Nepal”, disse Himal Gautam, diretor do Departamento de Turismo do país, à CNN internacional.
“Até agora, o governo já liberou 462 montanhas para expedições comerciais. Dessas, 102 continuam virgens, aguardando seus primeiros alpinistas”, afirmou, sem especificar quais nunca foram escaladas.
Segundo ele, devido ao isolamento e da pobreza da região, “essas montanhas não foram promovidas como deveriam”.
Karnali e Sudurpaschim fazem fronteira, de um lado, com o estado indiano de Uttarakhand e, do outro, com a região chinesa do Tibete.
De acordo com Gautam, as permissões para escalar esses picos himalaianos serão gratuitas pelas próximas duas temporadas de alpinismo. Depois disso, o governo vai reavaliar a medida. Setenta e sete das montanhas ficam em Karnali; as outras 20, em Sudurpaschim.
“O governo do Nepal quer mostrar à comunidade internacional de montanhismo que há muitos picos deslumbrantes e desafiadores nessas duas províncias, além de outros destinos turísticos de grande potencial”, declarou Gautam.
Chegar a essas áreas, no entanto, não é simples. Sudurpaschim fica a 535 quilômetros de Katmandu, enquanto Karnali está a cerca de 400 quilômetros. Ambas exigem voos de três horas a partir da capital. Já no destino, as estradas são difíceis e a infraestrutura é limitada.
O turismo é uma das principais atividades econômicas do Nepal. Em 2024, o país recebeu 1,15 milhão de visitantes estrangeiros, e o setor emprega mais de um milhão de nepaleses.
O excesso de gente no ponto mais alto do planeta vem causando problemas crescentes nas últimas décadas. Por isso, o Nepal — que abriga oito das 14 montanhas mais altas do mundo — tem tentado restringir a presença de escaladores despreparados no Everest e incentivar a exploração de outras áreas.
Neste ano, o preço da licença para subir o Everest aumentou 36%, passando de US$ 11 mil para US$ 15 mil (aproximadamente, de R$ 59,3 mil a R$ 80,8 mil). Além disso, agora é preciso comprovar já ter escalado, no país, ao menos uma montanha com mais de sete mil metros.
Alguns dos picos recém-incluídos na lista de acesso gratuito atendem a esse critério, oferecendo uma oportunidade para treinar, explorar e até estabelecer novos recordes.



