Dia Mundial do Rock: 10 destinos para mergulhar na história do gênero

Da Inglaterra aos Estados Unidos, passando pelo Brasil, conheça destinos onde museus, estúdios e casas de shows preservam o legado de grandes bandas e artistas do rock

Saulo Tafarelo, do Viagem & Gastronomia
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O turismo musical ganha cada vez mais espaço entre viajantes que escolhem seus destinos motivados pela paixão por artistas, festivais e pela história da música. Quando o assunto é rock, a jornada passa por estúdios, museus, pubs e ruas que testemunharam o nascimento de bandas e discos. Celebrado anualmente no dia 13 de julho, o Dia Mundial do Rock lembra que, além de ter influenciado gerações, o gênero deixou importantes marcas em cidades ao redor do mundo.

A data nasceu em homenagem ao histórico Live Aid, megafestival beneficente realizado em 1985 que reuniu nomes como Queen, U2, The Who, Paul McCartney, David Bowie e Mick Jagger. Apesar de carregar o termo "mundial" no nome, a celebração é praticamente restrita ao Brasil, já que a origem da data remonta a uma campanha promovida por rádios paulistas na década de 1990.

Dos locais onde os Beatles deram os primeiros passos em Liverpool aos estúdios que revelaram Elvis Presley em Memphis, passando por roteiros temáticos em Londres, Manchester, Nova York, Cleveland e até capitais brasileiras, diversos destinos transformaram as ligações com o rock em atrações turísticas. Entram na conta subgêneros e vertentes, como endereços ligados ao heavy metal, punk rock e ao indie rock.

A seguir, conheça 10 destinos onde as diferentes histórias do rock podem ser vividas de perto: 

Liverpool, Inglaterra

Liverpool tem uma relação estreita com o rock. Reconhecida como uma Cidade da Música pela Unesco e eternamente associada aos The Beatles, é um destino de peregrinação para fãs do gênero. Entre os locais mais emblemáticos estão a Penny Lane, o Strawberry Field, a casa de infânciaa de Paul McCartney no número 20 da Forthlin Road e o The Cavern Club, palco das primeiras apresentações da banda.

Uma das novidades turísticas é a Liverpool Music Heritage Trail, rota autoguiada que conecta 12 locais históricos da cidade por meio de placas com QR Codes. O percurso inclui endereços marcantes para a cena musical local, como as casas de shows Eric’s e The Lomax, além do tradicional pub The Philharmonic Dining Rooms, antigo ponto de encontro de John Lennon.

Liverpool também segue promovendo uma agenda musical vibrante. Um dos exemplos é o Liverpool Summer of Music, festival realizado entre junho e agosto, que estimula shows em casas independentes como The Jacaranda e 24 Kitchen Street, ao mesmo tempo em que recebe grandes turnês internacionais - entre os exemplos recentes estão apresentações de Foo Fighters e My Chemical Romance.

Manchester, Inglaterra

A menos de uma hora de trem de Liverpool, Manchester também ocupa um lugar de destaque no mapa do rock britânico. Berço de bandas como Oasis, The Smiths, Joy Division, The Stone Roses, New Order e Buzzcocks, a cidade preserva seu legado musical em diferentes atrações.

O Manchester Music Tour, por exemplo, é um passeio guiado com roteiros que passam por endereços marcantes da história do rock local. A experiência pode ser complementada com shows em casas históricas como Night & Day Café e Band on the Wall.

Londres, Inglaterra

Além de ser um dos maiores polos culturais do mundo, Londres ocupa um lugar de destaque na história do rock. Foi da capital inglesa que despontaram bandas como Led Zeppelin, The Rolling Stones, Pink Floyd, Queen, The Clash e artistas como David Bowie, além de guardar importantes endereços ligados aos Beatles.

Entre as paradas obrigatórias está a famosa Abbey Road, cuja faixa de pedestres se tornou uma das imagens mais lembradas da música. Outro destaque é o Hard Rock Cafe London, na Old Park Lane, onde fica o The Vault, museu subterrâneo que abriga o figurino e a guitarra usados pelo guitarrista Slash, do Guns N’ Roses, no clipe de “November Rain”; a primeira guitarra de Glen Matlock, guitarrista dos Sex Pistols; uma camisa em estilo western usada por Keith Moon, do The Who, na década de 1970; e o cravo utilizado pelos Beatles nas gravações de “All You Need Is Love” e “Lucy In The Sky With Diamonds”.

Também vale passar pelo número 34 da Montagu Square, na área de Marylebone, onde Lennon viveu com Yoko Ono, e pela Garden Lodge, em Kensington, antiga residência de Freddie Mercury. Outros locais que ajudam a contar a história do rock na capital inglesa são o Cart and Horses, pub fundado no início do século XIX que é considerado o berço do Iron Maiden, e a Handel Hendrix House, que preserva a antiga residência de Jimi Hendrix, onde o músico viveu na década de 1960. Transformada em museu, a casa reúne objetos pessoais, recriações dos ambientes originais e exposições.

A cena ligada aos Beatles ganhará mais um capítulo em 2027 com a inauguração do The Beatles at 3 Savile Row. Instalado no edifício que abrigou a sede da Apple Corps e onde a banda gravou parte de "Let It Be", o espaço reunirá arquivos históricos e exposições abertas ao público no mesmo endereço que ficou eternizado pelo último show do grupo, realizado no terraço do prédio em 1969.

Cleveland, Estados Unidos

No estado de Ohio, Cleveland é muito ligada ao esporte, já que é lar de equipes das principais ligas dos EUA, como de futebol americano, basquete e beisebol. Porém, uma das atrações imperdíveis é o Rock & Roll Hall of Fame, na área turística de North Coast Harbor. Inaugurado em 1995, o museu ocupa um edifício projetado pelo arquiteto I.M. Pei, o mesmo por trás da Pirâmide do Louvre, em Paris.

O local reúne um vasto acervo dedicado à preservação da história do rock. São vários andares com instrumentos originais, figurinos, manuscritos e fotografias raras de nomes fundamentais para a evolução do gênero. Além de galerias permanentes, há experiências interativas que permitem ao visitante até tocar com uma banda virtual. Ao longo do ano, o local recebe eventos especiais, shows, palestras e programações temáticas.

Atualmente, a principal exposição temporária é "Paul McCartney and Wings", a primeira grande mostra dedicada à banda formada por Paul McCartney após o fim dos Beatles. Antes de deixar o museu, vale passar pela lojinha, que vende camisetas, livros e lembranças, além da The Record Shop, com milhares de títulos em vinil.

Os ingressos custam a partir de US$ 39,50 (R$ 200) para adultos. Fica ao lado do Great Lakes Science Center, centro de ciências com exposições interativas sobre tecnologia, engenharia e exploração espacial.

Memphis, Estados Unidos

Memphis, no Tennessee, possui uma ligação profunda com a história do rock. Foi lá que o gênero começou a ganhar forma a partir da mistura entre blues, gospel e country, transformando a cidade em um dos grandes berços do rock'n'roll.

Um dos principais endereços é o Sun Studio, que revelou nomes como Elvis Presley, Johnny Cash, Jerry Lee Lewis e B. B. King. O estúdio oferece visitas guiadas por US$ 20 (R$ 102) que levam o público ao mesmo local onde esses artistas gravaram suas primeiras músicas.

Outro passeio é Graceland, mansão onde Elvis Presley viveu. Transformada em museu, a propriedade reúne objetos pessoais, exposições sobre a trajetória do cantor,  automóveis e até aviões, além de abrigar seu túmulo. O complexo ainda conta com casa de shows, hotéis, restaurantes e lojas, com programação especial no verão e no período natalino, além de celebrar casamentos em uma capela. Os ingressos partem de US$ 53 (R$ 270) para adultos.

Para uma imersão ainda mais completa no gênero, há também o Memphis Rock 'n' Soul Museum, que narra a história do nascimento do rock e da soul music por meio de uma exposição desenvolvida pela Smithsonian Institution. O museu reúne instrumentos, figurinos, objetos históricos e um audioguia com mais de 100 músicas. A visita sai por US$ 16 (R$ 82) para adultos.

Nova York, Estados Unidos

Embora lembrada pelos musicais da Broadway, Nova York também reserva endereços históricos para quem quer mergulhar na cultura do rock. No bairro de Greenwich Village, vale passar em frente ao Electric Lady Studios, estúdio idealizado por Jimi Hendrix onde artistas como David Bowie, Led Zeppelin e membros do AC/DC já gravaram. O espaço não é aberto à visitação, mas muitos fãs passam pelo local na esperança de encontrar algum músico chegando para uma sessão.

Também no Greenwich Village, o Café Wha? é um clube de música que ajudou a lançar as carreiras de artistas como Bob Dylan, Jimi Hendrix, Bruce Springsteen e The Velvet Underground, além de receber nomes importantes da comédia. Mais de seis décadas depois, a casa continua com programação musical diária, reunindo bandas de rock, soul, funk, jazz e pop.

Outro endereço icônico é o Hotel Chelsea, que se tornou um símbolo da cena artística da cidade ao hospedar nomes como Bob Dylan, Janis Joplin e Patti Smith, entre muitos outros. Já no Central Park, o memorial Strawberry Fields presta homenagem a John Lennon, a poucos metros do edifício onde o ex-Beatle foi assassinado. O mosaico com a palavra "Imagine" recebe flores e admiradores diariamente, especialmente no dia 9 de outubro, aniversário de Lennon, e em 8 de dezembro, data de sua morte.

Reykjavik, Islândia

Apesar de ter pouco mais de 140 mil habitantes, a capital da Islândia abriga uma cena de rock diversa, que vai do indie ao punk e ao heavy metal. Um dos melhores lugares para ter esse gostinho é no The Icelandic Punk Museum, instalado em um antigo banheiro público subterrâneo e dedicado à história do punk e do pós-punk na Islândia.

À noite, a cidade ganha vida em casas como o Lemmy, bar de rock com cervejas artesanais e shows ao vivo, e o Gamla Bíó, antigo cinema que hoje recebe uma variedade de apresentações, incluindo de artistas de indie rock.

A capital islandesa também concentra grandes eventos musicais, como o Reykjavík Deathfest, dedicado aos estilos mais extremos do metal, que reúne bandas de death, black e doom metal. Em 2025, o festival ocorreu em outubro. Outra atração é o The Icelandic Museum of Rock 'n' Roll, que fica em Njarðvík, cidade a cerca de 30 minutos de Reykjavik. Com entrada gratuita, o museu narra a história da música pop e rock na Islândia desde os anos 1920 até os dias atuais.

Brasília, DF

Palco das decisões mais importantes do país, Brasília também é considerada a capital do rock nacional. A partir dos anos 1970, o rock brasileiro passou a ter a capital federal como sede com o empurrão de bandas locais, que mais tarde ajudaram a explodir o gênero na cidade e ao redor do Brasil. Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Plebe Rude e Raimundos estão entre os nomes ligados à cidade.

O rock brasiliense fosse declarado Patrimônio Cultural Imaterial do Distrito Federal em 2016. Em 2021, moradores e turistas ganharam uma rota turística voltada às raízes do gênero na cidade: a Rota Brasília Capital do Rock, que reúne 40 pontos fundamentais para a história do rock na região. A maioria conta com sinalização com explicações em português, inglês e espanhol e um QR Code.

Entre os pontos há a Residência de Renato Russo, onde o músico cresceu e se inspirou para escrever o repertório do Aborto Elétrico e também sucessos das bandas Legião Urbana e Capital Inicial. A Torre de TV também está na rota por conta de sua história de encontros e shows de rock alternativo. Já o bar e restaurante Beirute, um dos mais antigos em funcionamento na capital, era outro ponto de encontro dos artistas, com direito até a shows improvisados.

São Paulo, SP

O caldeirão cultural da capital paulista não deixa o rock de lado. Um dos endereços mais emblemáticos do gênero é a Galeria do Rock, no Centro Histórico, entre a Rua 24 de Maio e o Largo do Paissandu. Aberto na década de 1960, tornou-se ponto de encontro de tribos urbanas e de subculturas de São Paulo. Hoje, centenas de lojas vendem produtos relacionados ao rock e outros gêneros musicais, desde discos, CDs e vinis até roupas, instrumentos e acessórios.

Estúdios de tatuagem e de itens para skatistas também fazem sucesso. O centro comercial conta ainda com um rooftop no 5º andar, que recebe shows e agito cultural. Fique de olho na programação no perfil do Instagram.

São Paulo também aparece na rota dos grandes shows internacionais: em 2026, já se apresentaram em solo paulistano bandas como Avenged Sevenfold, My Chemical Romance, AC/DC e Megadeth. Em dezembro, o grupo britânico Deep Purple desembarca na cidade para um único show. Para curtir o ano inteiro, a capital abriga bares ligados ao rock, como o Morrison Rock Bar e o The Metal Bar, ambos em Pinheiros, o Manifesto Bar, na Vila Olímpia e o Café Piu Piu, no Centro da cidade.

Exposições relacionadas ao tema também costumam aterrissar na cidade. Exemplo recente é o tributo a Janis Joplin, considerada a "Rainha do Rock and Roll", que fica em cartaz no Museu da Imagem e do Som (MIS) até 26 de julho. Os ingressos saem R$ 40 (inteira), com gratuidade às terças-feiras.

Belo Horizonte, MG

Conhecida como a capital brasileira do heavy metal, Belo Horizonte é o berço do Sepultura. Desde a década de 1980, a banda ajudou a consolidar a cidade como um dos principais polos do gênero no país, ao lado de outros grupos que projetaram a cena mineira no Brasil e no exterior.

O impacto foi parar na legislação: neste ano, entrou em vigor a lei que institui o Dia Estadual do Heavy Metal de Minas Gerais, que passa a ser celebrado anualmente em 1º de novembro. Além de valorizar o gênero e sua importância no estado, a lei incentiva atividades culturais e educativas, como shows, exposições, palestras e workshops. A escolha da data é simbólica: em 1º de novembro de 1986 foi lançado "Morbid Visions", álbum de estreia do Sepultura, considerado um marco do death e do black metal.

O rock se estende também à botecagem: BH é conhecida por ter a maior proporção de bares por habitantes no Brasil, com cerca de 178 estabelecimentos para cada 100 mil habitantes, de acordo com um levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) com base no Censo Demográfico e em dados da Receita Federal. Alguns bares e centros de eventos são emblemáticos na capital mineira, como o Mister Rock, o Jack Rock e o Caverna Rock Pub, que costumam ter agenda regular de shows e apresentações.

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