Japão lidera ranking global de países com melhor desenvolvimento do turismo

Relatório do Fórum Econômico Mundial aponta que o país asiático superou os Estados Unidos; Brasil caiu cinco posições no ranking geral, mas segue no topo da região

CNN Viagem & Gastronomia, do Viagem & Gastronomia
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O Japão desbancou os Estados Unidos e aparece no topo do ranking dos países mais bem avaliados em desenvolvimento do turismo, segundo o Índice de Desenvolvimento de Viagens e Turismo 2026 (TTDI, na sigla em inglês), elaborado pelo Fórum Econômico Mundial e divulgado a cada dois anos. O país obteve a maior pontuação geral entre as 110 economias analisadas. Já o Brasil lidera entre os países da América Latina, embora tenha caído cinco posições em relação à edição de 2024.

Divulgado na sexta-feira (25), o relatório elenca os países de acordo com a pontuação no índice, que vai de 1 a 7. A pontuação é composta por cinco dimensões: ambiente favorável; políticas e condições para o turismo; infraestrutura; recursos turísticos; e sustentabilidade.

Segundo o documento, o Japão se destacou pela diversificação dos mercados emissores de turistas e pelos esforços para promover regiões que ficam fora dos principais circuitos turísticos. O movimento ajudou a ampliar a distribuição dos visitantes pelo país. Em 2025, o Japão recebeu um recorde de 42,7 milhões de turistas internacionais, que movimentaram US$ 59,7 bilhões em gastos (cerca de R$ 311,6 bilhões).

O país também estuda implementar uma autorização eletrônica de viagem para 71 países que atualmente são isentos de visto, como Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália, Coreia do Sul e Brasil. O objetivo é fazer uma triagem prévia dos visitantes para identificar riscos de segurança e agilizar o processo de imigração nos aeroportos.

Outra mudança no top 10 foi a Austrália, que subiu duas posições e agora ocupa o quarto lugar. Para o relatório, isso revela uma demanda mais forte e uma maior capacidade na região da Ásia-Pacífico. Por isso, a região foi a que mais cresceu no índice, com aumento de 3,6% entre 2024 e 2026.

O documento também destacou a China, que é o único país de economia emergente no top 10.

Confira os 10 países mais desenvolvidos para o turismo em 2026 e suas respectivas pontuações no índice:  

  1. Japão - 5,27
  2. Estados Unidos - 5,23
  3. Espanha - 5,22
  4. Austrália - 5,18
  5. França - 5,17
  6. Alemanha - 5,09
  7. Reino Unido - 5,08
  8. China - 5
  9. Suíça - 4,97
  10. Itália - 4,93

Desempenho do Brasil

O Brasil ficou na 32ª colocação do relatório, que analisou a qualidade do turismo em 110 territórios do mundo. O resultado fez com que o país caísse cinco posições em comparação com 2024. Mesmo assim, foi a melhor posição entre as nações da América Latina.

O Brasil integra o grupo das 10 maiores economias emergentes presentes no índice, junto com China, Índia, Indonésia, Malásia, Tailândia, Vietnã, Filipinas, Turquia e México.

O relatório aponta que a maior diferença entre o grupo e os 20 melhores colocados é o quesito de serviços e infraestrutura turística. Outras categorias que prejudicam o resultado são ambiente de negócios, sustentabilidade ambiental, recursos humanos e mercado de trabalho.

Apesar da queda, o Brasil vem acumulando recordes no turismo. Os gastos de turistas internacionais, por exemplo, chegaram a R$ 38,7 bilhões até agosto de 2026. Nos primeiros oito meses de 2026, o país recebeu cerca de 6,4 milhões de visitantes internacionais, com Argentina, Chile e EUA entre os maiores mercados emissores.

Países que mais avançaram no turismo

O documento também destacou os países que registraram os maiores avanços no índice. Nesse caso, a Albânia ficou em primeiro lugar, com aumento de 7% na comparação com 2024. O Vietnã e o Laos vieram logo em seguida, com crescimento de 6,3% e 6,1%, respectivamente.

Para o Fórum Econômico Mundial, a Albânia se destacou por melhorias nos serviços de turismo, no transporte aéreo e na infraestrutura terrestre e portuária. Ao mesmo tempo, o país oferece aos turistas uma alternativa mais econômica em relação aos destinos vizinhos.

Confira os países que mais avançaram no índice e suas respectivas posições na tabela geral:

  1. Albânia (53º)
  2. Vietnã (52º)
  3. Laos (75º)
  4. Catar (47º)
  5. Malásia (26º)
  6. Tailândia (38º)
  7. Filipinas (57º)
  8. Marrocos (70º)
  9. Nepal (86º)
  10. Sri Lanka (69º)

Recuperação no pós-pandemia

Vale destacar que, dos 110 países analisados, 92% melhoraram a pontuação em comparação ao último levantamento.

Nesse sentido, 2025 registrou um recorde global de 1,5 bilhão de chegadas de turistas, um aumento de 5% em comparação com 2024 e 4,4% acima dos níveis de 2019, antes da pandemia de Covid-19. Com isso, o setor contribuiu com o recorde de US$ 11,6 trilhões (cerca de R$ 60,5 trilhões) para o PIB global no ano passado.

Apesar do avanço da atividade e dos gastos dos visitantes, o relatório faz um alerta: mais turistas não significam necessariamente mais benefícios para os destinos.

Entre 2024 e 2026, o valor econômico e social gerado pelo turismo enfraqueceu, enquanto as pressões relacionadas à concentração de visitantes e à superlotação permaneceram acima dos níveis anteriores à pandemia. O desafio é, como destaca o documento, manejar melhor os ganhos gerados pelo turismo e, ao mesmo tempo, controlar a pressão sobre moradores, infraestrutura, serviços públicos e recursos naturais.

Novos desafios

O crescimento do turismo também veio acompanhado de custos maiores. Segundo o relatório, a competitividade de preços caiu em três quartos das economias analisadas, com os custos relacionados a viagens e turismo crescendo acima da inflação em muitos mercados.

Desde 2022, o investimento no setor também não acompanhou o ritmo da demanda. O relatório aponta que a falta de profissionais e de mão de obra qualificada aparece como forte barreira.

O relatório também chama a atenção para a capacidade de os destinos lidarem com fatores externos. Eventos climáticos e questões geopolíticas podem alterar rapidamente o cenário turístico, com ondas de calor, incêndios e conflitos capazes de afetar rotas aéreas internacionais e fluxos de visitantes.

Nesse cenário, o índice do Fórum Econômico Mundial aponta que a capacidade de um destino não é medida somente pela quantidade de atrações, hotéis ou voos, mas também pela infraestrutura, conectividade, mão de obra, capacidade digital e gestão, elementos que se tornaram necessários para enfrentar períodos de instabilidade.

Metodologia

O TTDI avalia 110 economias a partir de 102 indicadores, distribuídos em 17 pilares que, por sua vez, estão agrupados em cinco dimensões: ambiente favorável; políticas e condições para o turismo; infraestrutura; recursos turísticos; e sustentabilidade.

Esses componentes oferecem uma visão ampla do ecossistema turístico de cada economia, indo de questões básicas, como segurança, saúde e ambiente de negócios, a aspectos relacionados à atividade, como conectividade aérea, infraestrutura turística, atrações culturais e naturais e disponibilidade de serviços.

Para chegar aos resultados, o Fórum Econômico Mundial utilizou informações do Banco Mundial, da ONU Turismo, da Unesco, da Organização Mundial da Saúde e da Associação Internacional de Transporte Aéreo, além de dados de empresas privadas e outras organizações. Além disso, a entidade também fez uma pesquisa de opinião com executivos.

Como os indicadores têm diferentes unidades de medida, os dados são primeiro normalizados em uma escala de 1 a 7, na qual 1 representa a pior situação e 7, a melhor situação.

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