Motociclista de 77 anos busca recorde em viagem ao redor do mundo
Após sofrer infarto, Steven Barnett decidiu não adiar a viagem de 80,4 mil quilômetros através de 27 países

Steven Barnett ganhou sua primeira moto aos 15 anos. Desde então, o motociclista de Los Angeles já percorreu quase 80 países em cinco décadas.
Agora, aos 77 anos, ele está se preparando para a maior aventura de sua vida: uma tentativa de estabelecer o recorde de homem mais velho a dar a volta ao mundo de motocicleta.
Barnett, que se mudou dos Estados Unidos para o Panamá há duas décadas, tem programado voar para Madri, na Espanha, em 7 de março, antes de embarcar em uma viagem por 27 países, incluindo França, Austrália e Peru, cobrindo uma distância estimada em 80,4 mil quilômetros.
O professor aposentado espera que a jornada leve pelo menos um ano. Ele diz que está ansioso para pegar a estrada e que "não tem ideia do que vai acontecer amanhã."
Embora esteja planejando há apenas alguns meses, um ataque cardíaco no ano passado — que o deixou necessitando de "stents", um pequeno tubo usado para manter vasos sanguíneos abertos — o convenceu a não adiar.
"Você nunca sabe quanto tempo tem", diz à CNN Travel. "Você nunca estará tão preparado quanto gostaria, mas isso não é desculpa para adiar as coisas."
Desafio incrível
Barnett diz que foi inspirado depois de ler um artigo da CNN sobre Bridget McCutchen, que estava competindo para se tornar a mulher mais jovem a circunavegar o globo sozinha de motocicleta.
Ele entrou em contato e a encontrou no Panamá em dezembro de 2022, cerca de um ano antes de ela completar com sucesso a jornada.
"Eu disse, 'espere um minuto. Se ela pode fazer isso como a mulher mais jovem, por que eu não posso fazer isso como o homem mais velho?'", disse, admitindo que a ideia surgiu depois de conhecer a história de Bridget.
Após descobrir que não havia detentor do recorde listado, ele entrou em contato com o Guinness World Records. "Achei que 78 ou 79 anos seria idade suficiente para estabelecer um recorde", ele acrescenta. O Guinness World Records confirmou a informação e sua inscrição foi aceita.

Veterano em viagens de longa distância de motocicleta, Barnett diz que ama "a liberdade de ir a qualquer lugar" e "se conectar com pessoas e lugares de um jeito que você simplesmente não consegue quando está fechado em um carro."
Em outubro, ele comprou uma motocicleta nova, uma Suzuki DR650, e passou vários meses modificando-a para a jornada, adicionando um tanque de combustível maior e suspensão mais resistente.
Com autorização médica, incluindo um exame cardíaco, ele está ansioso para voar para seu ponto de partida em Madri. "Está tudo bem", afirma. "Quando eu entrar no avião, será um grande suspiro de alívio."
Da Espanha, Barnett seguirá pela Europa, atravessando França, Itália, Eslovênia, Croácia, Sérvia, Bulgária, Grécia e Turquia.
Desafios físicos

Para atender aos requisitos do Guinness World Records, Barnett deve usar a mesma motocicleta durante toda a jornada e documentar seu progresso. Ele pode usar outros meios de transporte apenas em trechos "impossíveis de serem percorridos de motocicleta."
Ele está empolgado para visitar lugares onde nunca esteve antes, especialmente a Ásia Central, onde sua rota o levará através do Uzbequistão, Tajiquistão e Quirguistão antes de seguir para a China.
Da China, ele seguirá para Laos, Tailândia e Malásia, depois pela Indonésia antes de voar para a Austrália, onde espera "fazer um mergulho" além de atravessar o continente. Depois disso, ele percorrerá Chile, Peru, Equador e Colômbia em seu caminho de volta ao Panamá.
"Esse é o plano", ele diz, "sabendo que os planos nunca funcionam."
Não está claro se ou como a atual crise no Oriente Médio afetará sua jornada.
Embora Barnett se sinta em forma suficiente para a viagem, ele reconhece que sua idade moldará sua abordagem. "Antigamente não me incomodava estar em uma estrada de terra no meio do nada", diz. Mas agora ele prefere andar em áreas mais movimentadas.
"Vou ser muito mais cuidadoso desta vez ... Porque não consigo levantar a moto da mesma forma que fazia quando tinha 50 anos."
Barnett diz que ficará em hotéis, albergues e pousadas durante o percurso, mas acampar está fora de questão porque ele não gosta de dormir no chão. Além disso, orçamento não será uma preocupação, nem tirar folga do trabalho — a aposentadoria, ele diz, tem algumas vantagens.
Embora ele goste de apreciar as paisagens, ele diz que são "as pessoas que você conhece no caminho" que definem a experiência, como fazer amizade e "andar por aí" com outro motociclista no Brasil mesmo sem ter um idioma em comum, e ser convidado para comer com uma família enquanto pilotava até uma cachoeira no Laos no ano passado.
Jornada montanha-russa

"É uma montanha-russa", ele acrescenta. "Alguns dias você diz: 'É tão legal estar aqui. Esta é a melhor coisa do mundo.' E em outros dias você diz: 'Meu Deus, o que estou fazendo aqui?'"
Ele planeja viajar com pouca bagagem, mas levará seu guaxinim de pelúcia Rocky — "um ótimo quebra-gelo", diz ele — e seu bandolim. "Espero conhecer outras pessoas para tocar junto e talvez aprender algumas influências musicais locais".
Barnett tem compartilhado detalhes de sua viagem nas redes sociais e diz estar impressionado com a repercussão. "Realmente tenho encorajado muitas pessoas", afirma. "Elas dizem: 'Nossa, você está fazendo isso na sua idade, isso é muito legal e meio inspirador.' Isso me faz sentir muito bem."
Sua esposa há 43 anos, Karen, tem apoiado ele, assim como McCutchen, a jovem motociclista.
Apesar de estarem, como ele diz, em "lados opostos dos polos em termos de idade, gênero e momento de vida", eles mantiveram contato, com McCutchen oferecendo dicas de sua própria jornada.
"Acho que ela pode ser um exemplo que eu passo para outros, jovens e idosos, para simplesmente irem em frente", afirma.
Ele acredita que o ataque cardíaco apenas fortaleceu sua determinação. Dois meses após o susto de saúde, Barnett partiu para um passeio de três meses pelo Vietnã, visitando a Baía Ha Long, patrimônio da Unesco, e a Estrada Ho Chi Minh.
"Meu cardiologista achou que eu estava louco. Mas eu disse a ele que foi para isso que ele me consertou".



