Ações da Minerva caem 9,40% com pressão dos juros e riscos nas exportações

Minerva recua 9,40%, JBS cai 1,70% e MBRF sobe 1,47%, em sessão marcada por juros, câmbio e riscos às exportações de proteínas

Andressa Simão, da CNN Brasil, São Paulo

As ações das indústrias frigoríficas tiveram desempenho misto no pregão desta quarta-feira (28), com queda expressiva da Minerva e recuo dos papéis da JBS, enquanto a MBRF encerrou em alta.

O mercado acompanhou a volatilidade do dólar e dos juros, além de fatores específicos que afetam as operações das companhias, como a suspensão de exportações de carne bovina à China em uma unidade da MBRF e os possíveis impactos da doença de Newcastle sobre os embarques de carne de frango.

A Minerva (BEEF3) liderou as perdas do grupo, com desvalorização de 9,40%, a R$ 2,89 por ação, ante R$ 3,19 no fechamento anterior. Segundo Luca Vello, analista da Genial Investimentos, embora fosse esperado que o setor exportador de proteínas se beneficiasse de um dólar mais baixo após o cenário eleitoral, fatores negativos específicos e a exposição das empresas ao endividamento pesaram sobre os ativos.

O analista destacou que companhias com dívidas elevadas e compromissos atrelados ao CDI tendem a sofrer maior pressão em um ambiente de juros altos.

As BDRs da JBS (JBSS32), negociadas na B3, recuaram 1,70%, encerrando o dia a R$ 63,58. Já a MBRF (MBRF3) fechou em alta de 1,47%, a R$ 16,53, após oscilar entre a mínima de R$ 15,59 e a máxima de R$ 16,63 durante a sessão.

Para Raphael Galo, head de agronegócio e mercado de capitais da A7 Capital, a volatilidade cambial e as oscilações dos juros seguem entre os principais fatores de influência sobre as operações das empresas.

No caso da MBRF, o analista também apontou a aversão ao risco no mercado acionário após as eleições e os efeitos de notícias relacionadas ao setor de proteínas. Entre elas estão a suspensão das exportações de carne bovina para a China pela unidade de Promissão (SP) e o foco de doença de Newcastle em Santa Catarina, que pode afetar os volumes exportados de carne de frango.

O desempenho das ações ocorreu em um dia de valorização dos contratos futuros do boi gordo na B3, que voltaram a superar os R$ 400 por arroba em alguns vencimentos.

O movimento evidencia que a alta das cotações da pecuária não se traduz necessariamente em valorização dos papéis dos frigoríficos, cujos resultados também dependem dos custos de aquisição de animais, das margens de processamento, do câmbio, do custo da dívida e das condições de acesso aos mercados internacionais.