Produção de algodão dos EUA deve cair e prejudicar estoque global, diz USDA

De acordo com o relatório, além da influência da pluma americana, a redução dos estoques será puxada pelo Brasil

Isadora Camargo, da CNN Brasil, São Paulo
Compartilhar matéria

A produção de algodão dos Estados Unidos deverá recuar na safra 2026/27, enquanto os estoques globais tendem a encolher diante do crescimento do consumo mundial. As projeções foram divulgadas nesta quinta-feira pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) e reforçam um cenário de oferta mais apertada entre os principais exportadores da fibra, incluindo o Brasil.

Segundo o órgão, a safra norte-americana está estimada em 2,90 milhões de toneladas, queda de cerca de 4% em relação às 3,03 milhões de toneladas produzidas em 2025/26.

A redução ocorre apesar de uma ligeira melhora na produtividade, uma vez que a área efetivamente colhida deve ser menor devido à taxa de abandono das lavouras.

Mesmo com a produção menor, as exportações dos Estados Unidos devem crescer para 2,68 milhões de toneladas, impulsionadas pela expectativa de maior demanda global.

Com isso, os estoques finais do país deverão recuar para 849 mil toneladas, cerca de 11% abaixo do ciclo anterior.

O USDA também projeta um aperto nos estoques mundiais de algodão. Os volumes de passagem ao final da safra 2026/27 foram estimados em 15,63 milhões de toneladas, queda de 7% em relação à temporada anterior.

De acordo com o relatório, além da influência da pluma americana, a redução dos estoques será puxada principalmente por Brasil e Austrália, que deverão utilizar parte dos volumes armazenados para sustentar as exportações diante de safras menores. Atualmente, o Brasil é o maior exportador de algodão do mundo.

Índia e China também devem reduzir seus estoques para atender ao consumo doméstico.

Demanda por algodão

Pelo lado da demanda, o consumo global é estimado em 26,5 milhões de toneladas, avanço de 1% sobre a safra anterior. O crescimento será liderado por China, Índia, Bangladesh, Egito, Paquistão e Vietnã, países que concentram parcela significativa da indústria têxtil mundial.

Apesar da expansão do consumo, o comércio internacional deve registrar leve retração, para 9,45 milhões de toneladas, refletindo principalmente a redução das importações pela Índia.

Para o Brasil, o cenário pode ser considerado favorável comercialmente. O país vem ampliando sua participação no mercado internacional e disputa com os Estados Unidos a liderança das exportações globais de algodão, destaca o USDA.

Com estoques mundiais mais apertados e demanda em crescimento, a oferta brasileira ganha relevância para abastecer compradores asiáticos, especialmente em mercados como China, Vietnã, Bangladesh e Paquistão.

O relatório também mostra que os estoques brasileiros deverão diminuir ao longo da próxima temporada para atender aos embarques externos, movimento semelhante ao observado nos Estados Unidos e na Austrália.

Em relação à safra 2025/26, o USDA promoveu apenas um ajuste marginal na produção norte-americana, reduzida para 3,03 milhões de toneladas.