Alta do petróleo impulsiona uso de resina reciclada em embalagens do agro

Aumento do custo da resina virgem devido às tensões no Oriente Médio faz empresas buscarem alternativas com maior segurança de fornecimento

Andressa Simão, da CNN Brasil, São Paulo
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A escalada das tensões no Oriente Médio tem pressionado o mercado global de petróleo e provocado efeitos diretos sobre a indústria de plásticos. Com a alta do barril, que saiu de cerca de US$ 60 para níveis próximos a US$ 100, o custo da resina virgem aumentou e abriu espaço para materiais reciclados ganharem competitividade.

Com a valorização da commodity, empresas do agronegócio passaram a buscar alternativas menos dependentes de insumos fósseis. Nesse cenário, a resina reciclada deixa de ser apenas uma escolha ambiental e passa a ter vantagem também do ponto de vista econômico.

A Ambiental, empresa da JBS especializada em gerenciamento de resíduos sólidos, por meio da sua unidade de reciclagem, observa uma mudança no comportamento do mercado. Segundo Thuany Taves, diretora da Ambiental, o cenário internacional tem acelerado essa transição.

“O aumento do preço do petróleo impacta diretamente o custo da resina virgem. Com isso, a resina reciclada passa a se tornar mais competitiva e mais atrativa para a indústria, não apenas pelo aspecto ambiental, mas também econômico”, afirma.

A mudança reduz barreiras históricas para a adoção do material reciclado. Empresas que antes resistiam por questões técnicas ou pela diferença de preço começam a rever suas estratégias diante do novo cenário de custos.

“Existe um movimento claro de maior abertura do mercado. Muitas empresas que ainda tinham dúvidas ou não viam viabilidade econômica passam a considerar o reciclado como uma alternativa real dentro dos seus processos produtivos”, diz Taves.

Além do impacto nos preços, a instabilidade geopolítica também traz incertezas sobre o abastecimento de matéria-prima virgem. A dependência de cadeias globais e de commodities sujeitas a volatilidade reforça a busca por soluções mais previsíveis.

“A resina reciclada tem uma vantagem importante nesse contexto, porque está baseada em uma cadeia local. Estamos falando de matéria-prima que já está disponível no mercado interno, o que reduz a exposição a oscilações externas e aumenta a segurança de fornecimento”, explica.

Outro fator que contribui para o avanço do material reciclado é a diversificação da demanda. Setores como construção civil, indústria de alimentos e bens de consumo ampliam o uso desse tipo de resina, fortalecendo a escala de produção e a competitividade.

Para a diretora, o momento atual representa uma inflexão no setor. “A combinação de pressão de custos com a agenda de sustentabilidade cria uma oportunidade única. O reciclado deixa de depender apenas de incentivos e passa a competir de forma mais equilibrada com a resina virgem”, afirma.

A tendência é de continuidade desse movimento enquanto persistirem as tensões internacionais e a volatilidade do petróleo.