Ataques a refinarias elevam risco de petróleo acima de US$ 100
Escalada da guerra EUA–Israel x Irã atinge infraestrutura energética e reforça prêmio geopolítico

A cotação do petróleo Brent encerrou a última sexta-feira próxima de US$ 92 por barril, aproximando-se do patamar observado em 2023, quando o preço superou US$ 90 devido a cortes de produção da OPEP+. Agora, a escalada de preços ocorre em meio à ampliação do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que passou a atingir diretamente infraestruturas energéticas estratégicas no Oriente Médio.
O movimento de alta reflete principalmente o aumento do prêmio geopolítico incorporado ao preço do petróleo, à medida que o conflito se expande para além das operações militares diretas e começa a atingir instalações de produção, refino e armazenamento na região.
No fim de semana, Israel atacou infraestrutura de armazenamento de petróleo em território iraniano, marcando uma nova fase da guerra voltada a ativos energéticos considerados críticos para a economia do país. Segundo fontes ouvidas pela imprensa internacional, os ataques atingiram depósitos ligados à cadeia de abastecimento de combustíveis.
Do lado iraniano, as retaliações também passaram a mirar instalações energéticas na região. Na sexta-feira, um míssil atingiu uma refinaria no Bahrein, episódio confirmado por autoridades locais. Apesar de não haver registro de vítimas, o ataque evidenciou a crescente vulnerabilidade de instalações energéticas no Golfo.
No sábado, o Irã afirmou ter atingido uma refinaria em Israel, ampliando o alcance geográfico das operações militares. O episódio reforça o risco de que refinarias, terminais petrolíferos e depósitos de combustível passem a se tornar alvos recorrentes em um conflito que já ultrapassa as fronteiras diretas entre os dois países.
Esse tipo de ataque tem impacto imediato nas expectativas do mercado. Mesmo quando os danos físicos são limitados, a ameaça à infraestrutura energética eleva o custo de seguro, transporte e operação na região, ampliando o chamado prêmio de risco geopolítico embutido no barril. Há, também, um maior risco de interrupção no fluxo de petróleo. Refinarias e terminais têm tempos de reparo superiores aos de interrupções puramente logísticas.
A tensão é agravada pela situação no Estreito de Ormuz, principal corredor marítimo para o transporte de petróleo do Golfo. Aproximadamente um quinto do petróleo consumido no mundo passa diariamente por essa rota, o que faz com que qualquer ameaça de bloqueio ou interrupção provoque reação imediata nos mercados.
Nesse cenário, analistas do mercado avaliam que o Brent pode continuar pressionado nas próximas semanas, superando US$ 100/barril, especialmente se os confrontos se intensificarem e o tráfego no Golfo continuar prejudicado.
No Brasil, o impacto pode ser parcialmente amortecido pelo baixo custo de produção do petróleo do pré-sal e pela presença do etanol na matriz de combustíveis, mas esse amortecimento tem limites. A Petrobras abastece cerca de 75% do mercado de gasolina e diesel, o restante é suprido por importadores independentes, que compram derivados a preços internacionais e não têm a mesma capacidade da Petrobras de absorver oscilações do barril. Portanto, o impacto dessa elevação também acabará atingindo o mercado nacional.
A combinação entre escalada militar, ataques a ativos energéticos e tensões no transporte marítimo cria um ambiente onde o preço do petróleo deixa de responder apenas aos fundamentos tradicionais de oferta e demanda. Em seu lugar, ganha peso um novo componente: o risco geopolítico associado à segurança energética global.



