Volume de carne brasileira importado pela UE cresceu 132% em 2025

Apesar de alta de embarques, bloco exige adequações sobre antimicrobianos para a sequência das exportações

Kaique Cangirana e Andressa Simão, da CNN Brasil, São Paulo
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A União Europeia excluiu o Brasil da lista de países aptos a exportar carnes para o bloco. O bloco europeu havia registrado recorde de importações da carne brasileira, com incremento de 132,8% em 2025. A medida publicada nesta terça-feira (12) passa a valer a partir de setembro e já levanta alerta sobre o setor de proteína animal.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) esclarece que a medida anunciada está relacionada à implementação de novas exigências regulatórias referentes ao uso de antimicrobianos na produção animal, com entrada em vigor prevista para setembro de 2026. "O eventual impedimento às exportações somente ocorrerá caso as garantias e adequações requeridas pelas autoridades europeias não sejam apresentadas até a data estabelecida", afirmou em nota.

As exportações brasileiras de carne bovina para a União Europeia registraram forte crescimento em 2025 e impulsionaram o faturamento do setor no mercado europeu. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, os embarques ao bloco somaram 128,9 mil toneladas no ano, com receita de US$ 1,06 bilhão.

O volume representa uma alta de 132,8% em relação a 2024, colocando a União Europeia entre os mercados com maior avanço percentual nas compras de carne bovina brasileira no período.

Apesar de ocupar a quarta posição entre os principais destinos da proteína brasileira em volume, atrás de China, Estados Unidos e Chile, o mercado europeu se destacou pelo elevado valor agregado das exportações. O faturamento de US$ 1,06 bilhão superou as receitas obtidas em mercados com maior volume embarcado, como Rússia e México.

No consolidado geral, o Brasil exportou 3,50 milhões de toneladas de carne bovina em 2025, movimentando US$ 18,03 bilhões, o maior resultado já registrado pelo setor. Os embarques alcançaram mais de 170 países.

Fontes afirmaram que o Ministério da Agricultura e Pecuário do Brasil (MAPA) estabeleceu um comitê de crise junto com representantes da União Europeia para discutir a decisão do bloco europeu de restringir as importações de carnes brasileiras por uma questão fitossanitária.

Setor de proteína animal

O setor brasileiro de proteína animal busca negociar ajustes e esclarecimentos junto às autoridades europeias antes da entrada em vigor da decisão da União Europeia que retirou o Brasil da lista de países habilitados a exportar animais vivos e produtos de origem animal ao bloco, segundo apurou o CNN Agro.

Em nota, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informa que o Brasil, por meio do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e com apoio técnico do setor produtivo privado, "prestará todos os esclarecimentos necessários à União Europeia acerca das diretrizes técnicas relacionadas aos antimicrobianos, visando ao retorno do Brasil à lista de países autorizados".

Procurada, a Abrafrigo (Associação Brasileira de Frigoríficos) informou que não irá se posicionar neste momento, ressaltando que a medida só começa a valer em setembro e que as negociações ainda estão em andamento.

De acordo com o documento, ficam suspensas as exportações de animais vivos destinados à produção de alimentos, além de produtos como carne bovina, aves, peixes, ovos e mel. A restrição também inclui cavalos destinados ao mercado europeu.

A decisão aumenta a atenção do setor exportador brasileiro, que busca evitar impactos mais amplos sobre os embarques destinados ao mercado europeu, especialmente em um cenário de forte dependência das exportações de proteína animal.